{"id":3259,"date":"2023-12-21T09:10:41","date_gmt":"2023-12-21T12:10:41","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/brasil-sujo-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:41","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:41","slug":"brasil-sujo-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/brasil-sujo-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"BRASIL SUJO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Daqui a uma semana voc\u00ea estar\u00e1 escolhendo a pessoa que governar\u00e1 o Brasil. Voc\u00ea tem sete dias para pensar, decidir, confirmar o seu voto no primeiro turno ou mud\u00e1-lo. Como hoje \u00e9 domingo, pense um pouco no Brasil de hoje, esse gigante de quase 200 milh\u00f5es de habitantes, tomado, sem grandes traumas, dos portugueses, nossos colonizadores. Em 1799, o Brasil tinha tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes e, pasmem somente 12 m\u00e9dicos, todos formados no exterior. Nessa \u00e9poca, as sujeiras das casas eram jogadas pelas janelas. Quem passava pelas ruas, sem pavimento, pisava nelas. Em consequ\u00eancia, as doen\u00e7as proliferavam e a vida m\u00e9dia de uma pessoa era de 30 anos. A m\u00e9dica Cristina Gurgel, professora da PUC- Campinas, SP, publicou o livro \u201cDoen\u00e7as e Curas: O Brasil nos primeiros s\u00e9culos\u201d.<br \/>\nEla diz que no s\u00e9culo XVII de cada tr\u00eas crian\u00e7as nascidas no Nordeste, uma s\u00f3 sobrevivia. \u00c9 claro que a chegada, for\u00e7ada por Napole\u00e3o Bonaparte, da fam\u00edlia real portuguesa, em 1808, trouxe melhoras para o Rio, a capital da col\u00f4nia, e Salvador, a primeira capital. Cada uma ganhou at\u00e9 uma faculdade de medicina e rudimentos de saneamento b\u00e1sico foram aparecendo. Voltando a 2010 vemos que h\u00e1 ainda situa\u00e7\u00f5es similares em favelas, especialmente no norte e nordeste. Quase todas as casas t\u00eam aparelhos de TV, sons, refrigeradores, movidos \u00e0 energia el\u00e9trica legal ou n\u00e3o. Faltam aten\u00e7\u00e3o para a urbaniza\u00e7\u00e3o, a prov\u00e1vel aus\u00eancia de \u00e1gua e esgotos p\u00fablicos, pavimenta\u00e7\u00e3o decente e um arruamento simples que d\u00ea um ordenamento aos caminhos, vielas e os transforme em ruas iluminadas, com um m\u00ednimo de seguran\u00e7a.<br \/>\nA prop\u00f3sito, o filme \u201cTropa de Elite-2\u201d, mostra agora outra face das favelas do Rio, a exist\u00eancia de mil\u00edcias paramilitares que, a t\u00edtulo de prote\u00e7\u00e3o, extorquem pequenos comerciantes. N\u00e3o fa\u00e7o apologia do filme, tampouco o critico, apenas registro que ele \u00e9 o maior fen\u00f4meno de bilheteria no Brasil, comprovado pela Nielsen, empresa que monitora a bilheteria dos cinemas no mundo. Do que vi e li, h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o geral de que os espectadores saem meio pasmos do filme, como se tivessem levado um soco no est\u00f4mago. E pisam nas ruas com medo de tudo e de todos. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 24\/10\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daqui a uma semana voc\u00ea estar\u00e1 escolhendo a pessoa que governar\u00e1 o Brasil. Voc\u00ea tem sete dias para pensar, decidir, confirmar o seu voto no primeiro turno ou mud\u00e1-lo. Como hoje \u00e9 domingo, pense um pouco no Brasil de hoje, esse gigante de quase 200 milh\u00f5es de habitantes, tomado, sem grandes traumas, dos portugueses, nossos colonizadores. Em 1799, o Brasil tinha tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes e, pasmem somente 12 m\u00e9dicos, todos formados no exterior. Nessa \u00e9poca, as sujeiras das casas eram jogadas pelas janelas. Quem passava pelas ruas, sem pavimento, pisava nelas. Em consequ\u00eancia, as doen\u00e7as proliferavam e a vida m\u00e9dia de uma pessoa era de 30 anos. A m\u00e9dica Cristina Gurgel, professora da PUC- Campinas, SP, publicou o livro \u201cDoen\u00e7as e Curas: O Brasil nos primeiros s\u00e9culos\u201d.<br \/>\nEla diz que no s\u00e9culo XVII de cada tr\u00eas crian\u00e7as nascidas no Nordeste, uma s\u00f3 sobrevivia. \u00c9 claro que a chegada, for\u00e7ada por Napole\u00e3o Bonaparte, da fam\u00edlia real portuguesa, em 1808, trouxe melhoras para o Rio, a capital da col\u00f4nia, e Salvador, a primeira capital. Cada uma ganhou at\u00e9 uma faculdade de medicina e rudimentos de saneamento b\u00e1sico foram aparecendo. Voltando a 2010 vemos que h\u00e1 ainda situa\u00e7\u00f5es similares em favelas, especialmente no norte e nordeste. Quase todas as casas t\u00eam aparelhos de TV, sons, refrigeradores, movidos \u00e0 energia el\u00e9trica legal ou n\u00e3o. Faltam aten\u00e7\u00e3o para a urbaniza\u00e7\u00e3o, a prov\u00e1vel aus\u00eancia de \u00e1gua e esgotos p\u00fablicos, pavimenta\u00e7\u00e3o decente e um arruamento simples que d\u00ea um ordenamento aos caminhos, vielas e os transforme em ruas iluminadas, com um m\u00ednimo de seguran\u00e7a.<br \/>\nA prop\u00f3sito, o filme \u201cTropa de Elite-2\u201d, mostra agora outra face das favelas do Rio, a exist\u00eancia de mil\u00edcias paramilitares que, a t\u00edtulo de prote\u00e7\u00e3o, extorquem pequenos comerciantes. N\u00e3o fa\u00e7o apologia do filme, tampouco o critico, apenas registro que ele \u00e9 o maior fen\u00f4meno de bilheteria no Brasil, comprovado pela Nielsen, empresa que monitora a bilheteria dos cinemas no mundo. Do que vi e li, h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o geral de que os espectadores saem meio pasmos do filme, como se tivessem levado um soco no est\u00f4mago. E pisam nas ruas com medo de tudo e de todos. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 24\/10\/2010.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3259","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3259\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}