{"id":3282,"date":"2023-12-21T09:10:42","date_gmt":"2023-12-21T12:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/pedro-poeta-presidente-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:42","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:42","slug":"pedro-poeta-presidente-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/pedro-poeta-presidente-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PEDRO, POETA, PRESIDENTE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O advogado e conselheiro-fundador do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios do Cear\u00e1, Manuel Pio Saraiva Le\u00e3o, era irm\u00e3o de minha av\u00f3 Luiza. O novo presidente da Academia Cearense de Letras, ontem empossado, \u00e9 o seu filho \u00fanico, Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o. Foi ele quem, em 1962, ao viajar para o exterior, me convidou a assumir a coluna \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, da qual era redator, no jornal Correio do Cear\u00e1, Di\u00e1rios Associados, onde permaneci at\u00e9 1968. Esse pre\u00e2mbulo \u00e9 feito apenas para dizer da minha alegria ao v\u00ea-lo na presid\u00eancia da mais antiga academia de letras do Brasil, fundada em 1894, no mesmo lugar onde pontificaram Antonio Martins Filho, Eduardo Campos, Cl\u00e1udio Martins, Artur Eduardo Benevides e Murilo Martins, para ficar nos mais recentes que, reunidos, somam quase meio s\u00e9culo de presid\u00eancia. Ele substitui a Murilo Martins, m\u00e9dico, professor e intelectual, figura singular da cultura cearense que agrega amizades, n\u00e3o falta a compromissos e cumpre hor\u00e1rios. Pedro Henrique tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e9dico, cirurgi\u00e3o, professor universit\u00e1rio em duplo grau, poeta, editor e articulista. Curioso, arguto e inteligente, sabe eleger leituras e o faz com o mesmo esmero com que usa o bisturi, identificando o que deve ser extirpado e o que deve ser preservado. Como poeta, Pedro Henrique estabelece, como disse o poeta espanhol D\u00e1maso Alonso, um nexo entre dois mist\u00e9rios: o do poeta e o do leitor. Abra\u00e7ou com arte e of\u00edcio o concretismo, sendo um experimentalista da palavra, focando seus versos na mensagem, dando realce aos elementos constitutivos da express\u00e3o e ao seu sentido conotativo. Como concretista, utilizando o visual gr\u00e1fico, o processo de cria\u00e7\u00e3o, a montagem e a semi\u00f3tica, nada fica a dever aos paulistas Haroldo e Augusto de Campos, autodenominados criadores do concretismo no Brasil. Esse movimento, na verdade, surgiu na segunda metade do s\u00e9culo passado, a partir da vinda de Max Bill, arquiteto, pintor, intelectual e design gr\u00e1fico su\u00ed\u00e7o que, em 1956, montou a primeira exposi\u00e7\u00e3o nacional de Arte Concreta. Autor de mais uma de uma dezena de livros, Pedro Henrique \u00e9 ainda membro da Academia Cearense de Medicina e ex-presidente da Sociedade Brasileira de M\u00e9dicos Escritores, Se\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1. Edita h\u00e1 anos, com zelo gr\u00e1fico e o cuidado de revisor, a revista Literapia, de excelente fei\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, que re\u00fane poetas, cronistas e ensa\u00edstas do nosso Estado. A comunidade acad\u00eamica o recebe com j\u00fabilo, acredita na capilaridade cultural e social do novo presidente da ACL e sabe que os planos em andamentos, como o restauro da sede e a sua adequa\u00e7\u00e3o ao mundo tecnol\u00f3gico, ser\u00e3o implementados, ao mesmo tempo em que ele dar\u00e1 vaz\u00e3o ao seu esp\u00edrito de editor contumaz. Walter Whitman, um dos bardos lidos por Pedro Henrique, disse certa vez: \u201cPara que haja grandes poetas \u00e9 preciso grande p\u00fablico\u201d. Parodiando o poeta americano eu direi: para que haja uma grande administra\u00e7\u00e3o da ACL \u00e9 preciso que haja um grande p\u00fablico.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 30\/01\/2009<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O advogado e conselheiro-fundador do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios do Cear\u00e1, Manuel Pio Saraiva Le\u00e3o, era irm\u00e3o de minha av\u00f3 Luiza. O novo presidente da Academia Cearense de Letras, ontem empossado, \u00e9 o seu filho \u00fanico, Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o. Foi ele quem, em 1962, ao viajar para o exterior, me convidou a assumir a coluna \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, da qual era redator, no jornal Correio do Cear\u00e1, Di\u00e1rios Associados, onde permaneci at\u00e9 1968. Esse pre\u00e2mbulo \u00e9 feito apenas para dizer da minha alegria ao v\u00ea-lo na presid\u00eancia da mais antiga academia de letras do Brasil, fundada em 1894, no mesmo lugar onde pontificaram Antonio Martins Filho, Eduardo Campos, Cl\u00e1udio Martins, Artur Eduardo Benevides e Murilo Martins, para ficar nos mais recentes que, reunidos, somam quase meio s\u00e9culo de presid\u00eancia. Ele substitui a Murilo Martins, m\u00e9dico, professor e intelectual, figura singular da cultura cearense que agrega amizades, n\u00e3o falta a compromissos e cumpre hor\u00e1rios. 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Esse movimento, na verdade, surgiu na segunda metade do s\u00e9culo passado, a partir da vinda de Max Bill, arquiteto, pintor, intelectual e design gr\u00e1fico su\u00ed\u00e7o que, em 1956, montou a primeira exposi\u00e7\u00e3o nacional de Arte Concreta. Autor de mais uma de uma dezena de livros, Pedro Henrique \u00e9 ainda membro da Academia Cearense de Medicina e ex-presidente da Sociedade Brasileira de M\u00e9dicos Escritores, Se\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1. Edita h\u00e1 anos, com zelo gr\u00e1fico e o cuidado de revisor, a revista Literapia, de excelente fei\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, que re\u00fane poetas, cronistas e ensa\u00edstas do nosso Estado. 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