{"id":3287,"date":"2023-12-21T09:10:42","date_gmt":"2023-12-21T12:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gloria-efemera-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:42","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:42","slug":"gloria-efemera-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gloria-efemera-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"GL\u00d3RIA EF\u00caMERA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Foi Andy Warhol, americano filho de eslovacos, nascido em 1928, e que se destacou na Pop Art ou arte popular usando a linguagem da publicidade e m\u00e9todos de serigrafia para fazer suas obras, que incluiam retratos de famosos e reprodu\u00e7\u00f5es distorcidas da embalagem da sopa Campbell e da garrafa de Coca-Cola, quem disse a frase: \u201cno futuro, qualquer um, ser\u00e1 c\u00e9lebre por 15 minutos\u201d. Esse mesmo Warhol foi famoso por pouco tempo, criticado em vida, at\u00e9 atentado sofreu, e morreu um dia ap\u00f3s ser operado de uma mera ves\u00edcula biliar, exato na data de hoje, 22 de fevereiro, em 1987. Para comprovar que a gl\u00f3ria dele era ef\u00eamera, basta ouvir o que disse, em 2007, Robert Hughes, cr\u00edtico de arte da revista Time: \u201cWarhol foi uma das pessoas mais chatas que j\u00e1 conheci, pois era do tipo que n\u00e3o tinha nada a dizer&#8230;Mas, no geral, n\u00e3o tenho d\u00favidas de que \u00e9 a reputa\u00e7\u00e3o mais ridiculamente superestimada do S\u00e9culo XX\u201d. Essa lembran\u00e7a, neste domingo de carnaval em que os que n\u00e3o est\u00e3o na folia abrem este jornal e leem o que escrevemos, \u00e9 apenas para dizer da \u00f3bvia convic\u00e7\u00e3o universal de que nada \u00e9 mais passageiro que a gl\u00f3ria, qualquer que seja ela. Dizia Honor\u00e9 de Balzac, escritor franc\u00eas, que \u201ca gl\u00f3ria \u00e9 um veneno que se deve tomar em pequenas doses\u201d. Certa vez, fui a uma feira de quinquilharias, dessas que ocupam grandes \u00e1reas de um estacionamento. Em determinada barraca encontrei dois diplomas: um de mestrado e outro de m\u00e9rito de guerra. Tive a curiosidade de perguntar ao dono quem os tinha vendido para ele. Ele respondeu: \u201cas fam\u00edlias vendem tudo, n\u00e3o querem saber de gl\u00f3rias passadas\u201d. Comprei um deles e o presenteei a um amigo, como atestado de que somos nada e ao nada voltaremos pela aus\u00eancia de lembran\u00e7as futuras de vit\u00f3rias pessoais, salvo exce\u00e7\u00f5es. Quantos adolescentes, por exemplo, sabem quem foi e o que fez Juscelino? Quantos universit\u00e1rios, que n\u00e3o cursam hist\u00f3ria, sabem onde nasceu e quem foi Capistrano de Abreu? Quem lembra do que fez Thomas Edison? Assim, nestes dias de n\u00e3o fazer nada, lembre-se disso e n\u00e3o esque\u00e7a de fazer o que lhe cabe, sem esperar por gl\u00f3ria. A n\u00e3o ser que Gl\u00f3ria seja algu\u00e9m que lhe diga respeito.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 22\/02\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi Andy Warhol, americano filho de eslovacos, nascido em 1928, e que se destacou na Pop Art ou arte popular usando a linguagem da publicidade e m\u00e9todos de serigrafia para fazer suas obras, que incluiam retratos de famosos e reprodu\u00e7\u00f5es distorcidas da embalagem da sopa Campbell e da garrafa de Coca-Cola, quem disse a frase: \u201cno futuro, qualquer um, ser\u00e1 c\u00e9lebre por 15 minutos\u201d. Esse mesmo Warhol foi famoso por pouco tempo, criticado em vida, at\u00e9 atentado sofreu, e morreu um dia ap\u00f3s ser operado de uma mera ves\u00edcula biliar, exato na data de hoje, 22 de fevereiro, em 1987. Para comprovar que a gl\u00f3ria dele era ef\u00eamera, basta ouvir o que disse, em 2007, Robert Hughes, cr\u00edtico de arte da revista Time: \u201cWarhol foi uma das pessoas mais chatas que j\u00e1 conheci, pois era do tipo que n\u00e3o tinha nada a dizer&#8230;Mas, no geral, n\u00e3o tenho d\u00favidas de que \u00e9 a reputa\u00e7\u00e3o mais ridiculamente superestimada do S\u00e9culo XX\u201d. Essa lembran\u00e7a, neste domingo de carnaval em que os que n\u00e3o est\u00e3o na folia abrem este jornal e leem o que escrevemos, \u00e9 apenas para dizer da \u00f3bvia convic\u00e7\u00e3o universal de que nada \u00e9 mais passageiro que a gl\u00f3ria, qualquer que seja ela. Dizia Honor\u00e9 de Balzac, escritor franc\u00eas, que \u201ca gl\u00f3ria \u00e9 um veneno que se deve tomar em pequenas doses\u201d. Certa vez, fui a uma feira de quinquilharias, dessas que ocupam grandes \u00e1reas de um estacionamento. Em determinada barraca encontrei dois diplomas: um de mestrado e outro de m\u00e9rito de guerra. Tive a curiosidade de perguntar ao dono quem os tinha vendido para ele. Ele respondeu: \u201cas fam\u00edlias vendem tudo, n\u00e3o querem saber de gl\u00f3rias passadas\u201d. Comprei um deles e o presenteei a um amigo, como atestado de que somos nada e ao nada voltaremos pela aus\u00eancia de lembran\u00e7as futuras de vit\u00f3rias pessoais, salvo exce\u00e7\u00f5es. Quantos adolescentes, por exemplo, sabem quem foi e o que fez Juscelino? Quantos universit\u00e1rios, que n\u00e3o cursam hist\u00f3ria, sabem onde nasceu e quem foi Capistrano de Abreu? Quem lembra do que fez Thomas Edison? Assim, nestes dias de n\u00e3o fazer nada, lembre-se disso e n\u00e3o esque\u00e7a de fazer o que lhe cabe, sem esperar por gl\u00f3ria. A n\u00e3o ser que Gl\u00f3ria seja algu\u00e9m que lhe diga respeito.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 22\/02\/2009.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}