{"id":3301,"date":"2023-12-21T09:10:42","date_gmt":"2023-12-21T12:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/salve-fortaleza-283-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:42","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:42","slug":"salve-fortaleza-283-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/salve-fortaleza-283-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"SALVE FORTALEZA, 283 &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Nasci em Fortaleza em meio \u00e0 Segunda Guerra sob o esplendor do sol, mas as noites, conta a minha m\u00e3e, eram escuras. Havia blecaute e medo. Fiz a Primeira Comunh\u00e3o, estudante do Farias Brito, no ano em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo, no Maracan\u00e3. Participei de desfiles no Dia da P\u00e1tria. Palanques em frente \u00e0 Igreja do Carmo. Reun\u00edamo-nos na Av. Dom Manuel, dobrando \u00e0 direita na Av. Duque de Caxias. \u00cdamos com fardas engomadas e pens\u00e1vamos que as garotas, no cord\u00e3o de isolamento, estavam olhando s\u00f3 para n\u00f3s. Depois da dispers\u00e3o, na Rua General Sampaio, voltava esbaforido para casa, na Rua Major Facundo. Frequentei a Biblioteca P\u00fablica, na Rua S\u00f3lon Pinheiro, por anos seguidos. Lia tudo o que encontrava e foi l\u00e1 onde encadernei os meus di\u00e1rios, em oficina no seu subsolo. Ao lado da biblioteca, assisti, por anos, a aulas de ingl\u00eas no IBEU e, no mesmo quarteir\u00e3o, ouvia ensaios de m\u00fasica cl\u00e1ssica no conservat\u00f3rio que ali funcionava. J\u00e1 taludo, mudamo-nos para uma casa nova, estilo \u201cfuncional\u201d, com coberta aparente de concreto armado, no Bairro de F\u00e1tima, t\u00e3o novo quanto a Igreja de que lhe deu o nome. Ouvia Missa aos domingos no Col\u00e9gio N. Sra. das Gra\u00e7as, na Mons. Ot\u00e1vio de Castro, a mesma rua onde tamb\u00e9m moravam o prof. Lauro de Oliveira Lima, dra. Maria de Lourdes Martins Rodrigues, sr. Jos\u00e9 Machado, cunhado do Alcides Pinto, e o sr. Jo\u00e3o Colares, pai da cantora Amelinha. Chegou o tempo de servir ao Ex\u00e9rcito. Fui parar na Av. Bezerra de Menezes, no CPOR, que tinha como vizinhos o prof. Waldemar de Alc\u00e2ntara, do lado direito, e, do esquerdo, o tio Pio Saraiva Le\u00e3o, pai do Pedro. Entrei em duas faculdades. Administra\u00e7\u00e3o (manh\u00e3), que se iniciava na esquina da Rua Jaime Ben\u00e9volo com Duque de Caxias, frente ao Col\u00e9gio Cearense, onde tamb\u00e9m estudei e, Direito (noite), na Pra\u00e7a Cl\u00f3vis Bevil\u00e1qua. \u00c0s tardes, ia escrever para o Correio do Cear\u00e1, na Rua Senador Pompeu. Mais iria contar, mas o espa\u00e7o final \u00e9 para dizer que hoje \u00e9 dia de saudar os 283 anos desta cidade de Fortaleza, crescida sem planejamento, prostitu\u00edda nas esquinas, emaranhada em tr\u00e2nsito ca\u00f3tico em bairros nobres e pobres, paup\u00e9rrimas \u00e1reas de risco, eivada de inseguran\u00e7a, bares e medo, mas amada. Salve. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 12\/04\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nasci em Fortaleza em meio \u00e0 Segunda Guerra sob o esplendor do sol, mas as noites, conta a minha m\u00e3e, eram escuras. Havia blecaute e medo. Fiz a Primeira Comunh\u00e3o, estudante do Farias Brito, no ano em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo, no Maracan\u00e3. Participei de desfiles no Dia da P\u00e1tria. Palanques em frente \u00e0 Igreja do Carmo. Reun\u00edamo-nos na Av. Dom Manuel, dobrando \u00e0 direita na Av. Duque de Caxias. \u00cdamos com fardas engomadas e pens\u00e1vamos que as garotas, no cord\u00e3o de isolamento, estavam olhando s\u00f3 para n\u00f3s. Depois da dispers\u00e3o, na Rua General Sampaio, voltava esbaforido para casa, na Rua Major Facundo. Frequentei a Biblioteca P\u00fablica, na Rua S\u00f3lon Pinheiro, por anos seguidos. Lia tudo o que encontrava e foi l\u00e1 onde encadernei os meus di\u00e1rios, em oficina no seu subsolo. Ao lado da biblioteca, assisti, por anos, a aulas de ingl\u00eas no IBEU e, no mesmo quarteir\u00e3o, ouvia ensaios de m\u00fasica cl\u00e1ssica no conservat\u00f3rio que ali funcionava. J\u00e1 taludo, mudamo-nos para uma casa nova, estilo \u201cfuncional\u201d, com coberta aparente de concreto armado, no Bairro de F\u00e1tima, t\u00e3o novo quanto a Igreja de que lhe deu o nome. Ouvia Missa aos domingos no Col\u00e9gio N. Sra. das Gra\u00e7as, na Mons. Ot\u00e1vio de Castro, a mesma rua onde tamb\u00e9m moravam o prof. Lauro de Oliveira Lima, dra. Maria de Lourdes Martins Rodrigues, sr. Jos\u00e9 Machado, cunhado do Alcides Pinto, e o sr. Jo\u00e3o Colares, pai da cantora Amelinha. Chegou o tempo de servir ao Ex\u00e9rcito. Fui parar na Av. Bezerra de Menezes, no CPOR, que tinha como vizinhos o prof. Waldemar de Alc\u00e2ntara, do lado direito, e, do esquerdo, o tio Pio Saraiva Le\u00e3o, pai do Pedro. Entrei em duas faculdades. Administra\u00e7\u00e3o (manh\u00e3), que se iniciava na esquina da Rua Jaime Ben\u00e9volo com Duque de Caxias, frente ao Col\u00e9gio Cearense, onde tamb\u00e9m estudei e, Direito (noite), na Pra\u00e7a Cl\u00f3vis Bevil\u00e1qua. \u00c0s tardes, ia escrever para o Correio do Cear\u00e1, na Rua Senador Pompeu. Mais iria contar, mas o espa\u00e7o final \u00e9 para dizer que hoje \u00e9 dia de saudar os 283 anos desta cidade de Fortaleza, crescida sem planejamento, prostitu\u00edda nas esquinas, emaranhada em tr\u00e2nsito ca\u00f3tico em bairros nobres e pobres, paup\u00e9rrimas \u00e1reas de risco, eivada de inseguran\u00e7a, bares e medo, mas amada. Salve. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 12\/04\/2009.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3301\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}