{"id":3312,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/filgueiras-lima-balada-do-centenario-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"filgueiras-lima-balada-do-centenario-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/filgueiras-lima-balada-do-centenario-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"FILGUEIRAS LIMA: BALADA DO CENTEN\u00c1RIO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Ontem, 21, Ant\u00f4nio Filgueiras Lima, com a alma certamente genuflexa na eternidade, completou 100 anos. O marido de D. Amaz\u00f4nia, o pai de Ruy, Ant\u00f4nio e Jos\u00e9 aliava a sensibilidade de poeta \u00e0 devo\u00e7\u00e3o do educador que formava pessoas para a vida. Em 1959, quando Filgueiras Lima completava 50 anos, recebi de suas m\u00e3os uma folha de papel, de razo\u00e1vel gramatura, que continha o poema Balada do Cinquent\u00e3o: \u201cFatiguei-me tanto, amada\/Viajei cinquenta l\u00e9guas\/por essa sinuosa estrada\/ que toda, a p\u00e9, percorri\/dentro d\u2019alma fatigada\/dos tesouros que juntei\/ n\u00e3o resta nada? a saudade\/ de tudo quanto gozei\/de tudo quanto sofri\/dos beijos que te ofertei\/ dos vento que te devi\/de um rio que atravessei\/ inda crian\u00e7a e&#8230; perdi\/claro sino que escutei\/na cidade em que nasci\/ doces rimas que rimei\/quando menino \u2013 e esqueci\/ das gera\u00e7\u00f5es que eduquei\/pelas quais tanta lutei\/ e das quais tanto aprendi\/dos tempos da mocidade\/ambiciosa, em que sorri\/embalado na esperan\u00e7a\/ de um bem que nunca se alcan\u00e7a\/de um futuro que&#8230; n\u00e3o vi\/ oh! futuro! espelho m\u00e1gico\/ montanhas de ouro, brilhantes\/ as rosas caem do c\u00e9u\/abre-se o mar em corais\/ tudo um sonho evanescente\/ hoje s\u00f3 tenho passado\/ hoje s\u00f3 tenho presente\/ mais passado que presente\/ futuro n\u00e3o tenho mais\u201d. Esse poema \u00e9 uma esp\u00e9cie de autobiografia\/testamento liter\u00e1rio e revela haver em Filgueiras Lima uma quase premoni\u00e7\u00e3o de sua prematura e inesperada morte, quatro anos depois. Nesse intervalo de tempo \u00e9 que fui seu aluno na Escola de Administra\u00e7\u00e3o, tendo sido distinguido por ele como Monitor de sua cadeira. Via-o chegar, sempre bem composto, de terno e gravata, com uma leve fragr\u00e2ncia de col\u00f4nia, a ministrar suas aulas quando, por vezes, o poeta falava mais alto e saia do script do conte\u00fado program\u00e1tico. Esse homem, que veio dos confins das Lavras da Mangabeira, batizado pelas \u00e1guas do Rio Salgado, aqui se fez poeta e educador verdadeiro. Cavalheiro por excel\u00eancia, tinha tamanha liga\u00e7\u00e3o com os estudantes que foi o autor da letra do Hino do Estudante &#8211; cuja m\u00fasica \u00e9 de Silva Novo &#8211; em que d\u00e1 uma \u00faltima e ainda atual li\u00e7\u00e3o aos jovens que hoje frequentam os bancos escolares deste Brasil, ainda esperan\u00e7a: \u201c\u00c9 chegado o momento da luta\/ mocidade vibrante e viril\/ este brado de ang\u00fastia se escuta\/vinde, jovens, salvar o Brasil\u201d. Salve Filgueiras Lima, vate do ensino. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 22\/05\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem, 21, Ant\u00f4nio Filgueiras Lima, com a alma certamente genuflexa na eternidade, completou 100 anos. O marido de D. Amaz\u00f4nia, o pai de Ruy, Ant\u00f4nio e Jos\u00e9 aliava a sensibilidade de poeta \u00e0 devo\u00e7\u00e3o do educador que formava pessoas para a vida. Em 1959, quando Filgueiras Lima completava 50 anos, recebi de suas m\u00e3os uma folha de papel, de razo\u00e1vel gramatura, que continha o poema Balada do Cinquent\u00e3o: \u201cFatiguei-me tanto, amada\/Viajei cinquenta l\u00e9guas\/por essa sinuosa estrada\/ que toda, a p\u00e9, percorri\/dentro d\u2019alma fatigada\/dos tesouros que juntei\/ n\u00e3o resta nada? a saudade\/ de tudo quanto gozei\/de tudo quanto sofri\/dos beijos que te ofertei\/ dos vento que te devi\/de um rio que atravessei\/ inda crian\u00e7a e&#8230; perdi\/claro sino que escutei\/na cidade em que nasci\/ doces rimas que rimei\/quando menino \u2013 e esqueci\/ das gera\u00e7\u00f5es que eduquei\/pelas quais tanta lutei\/ e das quais tanto aprendi\/dos tempos da mocidade\/ambiciosa, em que sorri\/embalado na esperan\u00e7a\/ de um bem que nunca se alcan\u00e7a\/de um futuro que&#8230; n\u00e3o vi\/ oh! futuro! espelho m\u00e1gico\/ montanhas de ouro, brilhantes\/ as rosas caem do c\u00e9u\/abre-se o mar em corais\/ tudo um sonho evanescente\/ hoje s\u00f3 tenho passado\/ hoje s\u00f3 tenho presente\/ mais passado que presente\/ futuro n\u00e3o tenho mais\u201d. Esse poema \u00e9 uma esp\u00e9cie de autobiografia\/testamento liter\u00e1rio e revela haver em Filgueiras Lima uma quase premoni\u00e7\u00e3o de sua prematura e inesperada morte, quatro anos depois. Nesse intervalo de tempo \u00e9 que fui seu aluno na Escola de Administra\u00e7\u00e3o, tendo sido distinguido por ele como Monitor de sua cadeira. Via-o chegar, sempre bem composto, de terno e gravata, com uma leve fragr\u00e2ncia de col\u00f4nia, a ministrar suas aulas quando, por vezes, o poeta falava mais alto e saia do script do conte\u00fado program\u00e1tico. Esse homem, que veio dos confins das Lavras da Mangabeira, batizado pelas \u00e1guas do Rio Salgado, aqui se fez poeta e educador verdadeiro. 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Salve Filgueiras Lima, vate do ensino. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 22\/05\/2009.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3312\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}