{"id":3314,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/augusto-pontes-para-o-saber-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"augusto-pontes-para-o-saber-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/augusto-pontes-para-o-saber-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"AUGUSTO. PONTES PARA O SABER &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Nossa rela\u00e7\u00e3o com Augusto Pontes remonta aos anos 60. Nessa \u00e9poca, Barros Pinho, Josino Lobo e eu \u00e9ramos alunos da iniciante Escola de Administra\u00e7\u00e3o. Por sermos tidos, dentre outros, como l\u00edderes, faz\u00edamos pol\u00edtica universit\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 por ideologia, mas para consolidar a dif\u00edcil institucionaliza\u00e7\u00e3o da Escola de Administra\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o agregada ao Estado do Cear\u00e1. Pois bem, Augusto era estudante\/pol\u00edtico ou pol\u00edtico\/estudante, fazia Filosofia meio sem concluir o curso. Estava em quase todas as reuni\u00f5es e assembleias de centros acad\u00eamicos da antiga Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes &#8211; que congregava os universit\u00e1rios &#8211; e do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes, que tinha assento no Conselho Universit\u00e1rio. Descobrimos, desde cedo, que Augusto era um ex\u00edmio pensador e isso j\u00e1 ficara comprovado na sua rela\u00e7\u00e3o de trabalho com Barroso Damasceno, na Caba Publicidade. Sabia fazer gra\u00e7a dos infort\u00fanios comuns aos seres humanos, especialmente nossos que lut\u00e1vamos de forma quixotesca por melhores dias para a Universidade e para o Brasil. N\u00e3o vou repetir o que j\u00e1 foi dito \u00e0 exaust\u00e3o pelos que deram depoimentos quando da sua morte, h\u00e1 duas semanas. Na noite de seu vel\u00f3rio, ouvia o lamento sentido de sua filha Nat\u00e9rcia ao p\u00e9 de seu esquife. Acheguei-me e contei para ela que no dia 01 de abril de 1964, ainda sem saber bem o que estava acontecendo, o Augusto me pediu para deix\u00e1-lo l\u00e1 para os lados da Parquel\u00e2ndia. Claro que topei, mas ele, por precau\u00e7\u00e3o, solicitou ir no bagageiro do carro. E assim fomos. Depois, foi para a Bras\u00edlia, onde ensinou, e de l\u00e1 voltou e continuou a trabalhar em publicidade como homem de ideias. Um dia, Ciro Gomes, seu amigo, \u00e9 eleito governador e Augusto assume a Secretaria da Cultura do Estado do Cear\u00e1. Ciro, na sua forma inteligente e ferina de aferir pessoas descobrira a grande cabe\u00e7a que repousava sobre os ombros do Augusto. E l\u00e1 se foi ele viver assim por dois anos como um secret\u00e1rio diferenciado. Deu a sua quota. Jogou o palet\u00f3 fora e foi viver como gostava ou podia. Agora, estamos na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado, no Clube do Bode e o Augusto intercala chistes com cerveja e cochilos programados. Foi l\u00e1 onde se comemorou, j\u00e1 em 2005, o seu anivers\u00e1rio de 70 anos. Festa grande organizada por S\u00e9rgio Braga, registrada em ata por Audifax Rios, discursos, m\u00fasicas, mesas muitas e amigos, parceiros e companheiros de todos os tempos, matizes e g\u00eaneros. Depois, aderiu a outro grupo nosso, tamb\u00e9m pseudo-an\u00e1rquico: a Sexta Liter\u00e1ria ou Cesta Liter\u00e1ria que se re\u00fane \u00e0s sextas-feiras \u00e0 tarde em t\u00e1vola redonda. Pelo que sei, foram nessas duas agremia\u00e7\u00f5es et\u00edlico-culturais as \u00faltimas apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Augusto, solit\u00e1rio comunicativo, que tinha, parafraseando W. Irving, escritor americano, mente e fala como ferramentas agu\u00e7adas que melhoravam com o uso constante. Na manh\u00e3 de s\u00e1bado em que foi sepultado no S\u00e3o Jo\u00e3o Batista batia um sol de ver\u00e3o brabo em pleno tempo de chuvas, as galhas das \u00e1rvores da alameda central n\u00e3o recebiam o a\u00e7oite do vento e mais de uma centena de amigos esteve l\u00e1, de forma contrita. Cada um tinha a sua est\u00f3ria pessoal com o Augusto e o sil\u00eancio s\u00f3 era interrompido pelo choro comovido das filhas. Augusto. Pontes para o saber.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/05\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa rela\u00e7\u00e3o com Augusto Pontes remonta aos anos 60. Nessa \u00e9poca, Barros Pinho, Josino Lobo e eu \u00e9ramos alunos da iniciante Escola de Administra\u00e7\u00e3o. Por sermos tidos, dentre outros, como l\u00edderes, faz\u00edamos pol\u00edtica universit\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 por ideologia, mas para consolidar a dif\u00edcil institucionaliza\u00e7\u00e3o da Escola de Administra\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o agregada ao Estado do Cear\u00e1. Pois bem, Augusto era estudante\/pol\u00edtico ou pol\u00edtico\/estudante, fazia Filosofia meio sem concluir o curso. Estava em quase todas as reuni\u00f5es e assembleias de centros acad\u00eamicos da antiga Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes &#8211; que congregava os universit\u00e1rios &#8211; e do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes, que tinha assento no Conselho Universit\u00e1rio. Descobrimos, desde cedo, que Augusto era um ex\u00edmio pensador e isso j\u00e1 ficara comprovado na sua rela\u00e7\u00e3o de trabalho com Barroso Damasceno, na Caba Publicidade. Sabia fazer gra\u00e7a dos infort\u00fanios comuns aos seres humanos, especialmente nossos que lut\u00e1vamos de forma quixotesca por melhores dias para a Universidade e para o Brasil. N\u00e3o vou repetir o que j\u00e1 foi dito \u00e0 exaust\u00e3o pelos que deram depoimentos quando da sua morte, h\u00e1 duas semanas. Na noite de seu vel\u00f3rio, ouvia o lamento sentido de sua filha Nat\u00e9rcia ao p\u00e9 de seu esquife. Acheguei-me e contei para ela que no dia 01 de abril de 1964, ainda sem saber bem o que estava acontecendo, o Augusto me pediu para deix\u00e1-lo l\u00e1 para os lados da Parquel\u00e2ndia. Claro que topei, mas ele, por precau\u00e7\u00e3o, solicitou ir no bagageiro do carro. E assim fomos. Depois, foi para a Bras\u00edlia, onde ensinou, e de l\u00e1 voltou e continuou a trabalhar em publicidade como homem de ideias. Um dia, Ciro Gomes, seu amigo, \u00e9 eleito governador e Augusto assume a Secretaria da Cultura do Estado do Cear\u00e1. Ciro, na sua forma inteligente e ferina de aferir pessoas descobrira a grande cabe\u00e7a que repousava sobre os ombros do Augusto. E l\u00e1 se foi ele viver assim por dois anos como um secret\u00e1rio diferenciado. Deu a sua quota. Jogou o palet\u00f3 fora e foi viver como gostava ou podia. Agora, estamos na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado, no Clube do Bode e o Augusto intercala chistes com cerveja e cochilos programados. Foi l\u00e1 onde se comemorou, j\u00e1 em 2005, o seu anivers\u00e1rio de 70 anos. Festa grande organizada por S\u00e9rgio Braga, registrada em ata por Audifax Rios, discursos, m\u00fasicas, mesas muitas e amigos, parceiros e companheiros de todos os tempos, matizes e g\u00eaneros. Depois, aderiu a outro grupo nosso, tamb\u00e9m pseudo-an\u00e1rquico: a Sexta Liter\u00e1ria ou Cesta Liter\u00e1ria que se re\u00fane \u00e0s sextas-feiras \u00e0 tarde em t\u00e1vola redonda. Pelo que sei, foram nessas duas agremia\u00e7\u00f5es et\u00edlico-culturais as \u00faltimas apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Augusto, solit\u00e1rio comunicativo, que tinha, parafraseando W. Irving, escritor americano, mente e fala como ferramentas agu\u00e7adas que melhoravam com o uso constante. Na manh\u00e3 de s\u00e1bado em que foi sepultado no S\u00e3o Jo\u00e3o Batista batia um sol de ver\u00e3o brabo em pleno tempo de chuvas, as galhas das \u00e1rvores da alameda central n\u00e3o recebiam o a\u00e7oite do vento e mais de uma centena de amigos esteve l\u00e1, de forma contrita. Cada um tinha a sua est\u00f3ria pessoal com o Augusto e o sil\u00eancio s\u00f3 era interrompido pelo choro comovido das filhas. Augusto. Pontes para o saber.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/05\/2009.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3314","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3314\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}