{"id":3316,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vila-das-flores-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"vila-das-flores-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vila-das-flores-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"VILA DAS FLORES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 algum tempo recebi \u201cVila das Flores\u201d de presente. Levei-o para casa e, em meio ao caos que s\u00e3o os meus muitos livros ainda n\u00e3o lidos, ele se perdeu. Um dia, Carlos Mac\u00eado, seu autor, pergunta: J\u00e1 leu? N\u00e3o havia lido. Agora, com um segundo exemplar, posso dizer, de cara, que Mac\u00eado n\u00e3o \u00e9 como ele se imagina: \u201cum louco\u201d. \u00c9 algu\u00e9m capaz de escrever com ternura, misturar g\u00eaneros e ter a ousadia de ser um autor independente neste Brasil de t\u00e3o poucos leitores Todo escritor parece um ser carente, solit\u00e1rio, manejando a palavra como argamassa sem querer fazer tijolo, mas edificar texto que o torne real no conturbado mundo da escrita e da leitura. A leitura \u00e9 um exerc\u00edcio de paci\u00eancia para quem n\u00e3o tem o h\u00e1bito e \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o rica e natural para quem sente prazer em faz\u00ea-lo. Ela pode ser at\u00e9 uma forma de demonstrar a capacidade humana, seus devaneios, anseios, medos e afirma\u00e7\u00f5es. Na introdu\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio Mac\u00eado afirma: \u201c\u00e9 que Vila das Flores, mais que um lugar no mundo \u00e9 uma ocorr\u00eancia curiosa, dessas que n\u00e3o se esquece com facilidade, que permeia o dia a dia sem deixar sequer respirar\u201d. Creio ter sido Guimar\u00e3es Rosa quem disse: \u201c\u00e9 porque narrar \u00e9 resistir.\u201d Assim, Mac\u00eado em seus dez textos, se mostra um combatente da escrita. Em \u201cOurivesaria\u201d ele garimpa palavras e narra a a\u00e7\u00e3o e o pensar dos trabalhadores em metais, a m\u00fasica que reflete os pensares d\u00edspares de homens que de \u201ccabe\u00e7a baixa cantavam a sua dor, paix\u00e3o, sua lembran\u00e7a, cada um ignorando os outros&#8230;\u201d Nas est\u00f3rias concebidas, ele refere sobre os contatos humanos assimilados. Fala, entre outros, em \u201cDorinha e o Bordel\u201d de Canuto Lucy, Rute e suas desditas. H\u00e1 uma frase curta, mas intrigante: \u201crefeita dos efeitos do veneno, continuou seu destino de sorrir com o vento\u201d. E essa intriga ou rela\u00e7\u00e3o com a morte parece ser forte e recorrente para Mac\u00eado. E em meio ao seu pensar v\u00e1rio h\u00e1 tempo para a f\u00e9. Em \u201cO Sagrado Cora\u00e7\u00e3o\u201d fala sobre o padre: \u201cEssa gente ri \u00e0 toa, pensava, e essa \u00e9 a porta de entrada do seu cora\u00e7\u00e3o.\u201d Ao final, descreve, em \u201cO Cen\u00e1rio\u201d, a Vila das Flores: \u201c&#8230;tinha a apar\u00eancia de um imenso transatl\u00e2ntico afundando com aproximadamente trinta por cento do seu casco submerso &#8230; Bem abaixo da borda, na base de toda a extens\u00e3o do casco do imenso navio tudo eram florestas&#8230;\u201d Para concluir, direi que Carlos Mac\u00eado parte da complexidade de an\u00e1lises para dizer de sua forma especial e simples o que o mundo reflete para ele.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/06\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algum tempo recebi \u201cVila das Flores\u201d de presente. Levei-o para casa e, em meio ao caos que s\u00e3o os meus muitos livros ainda n\u00e3o lidos, ele se perdeu. 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