{"id":3319,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/madrilenhas-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"madrilenhas-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/madrilenhas-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"MADRILENHAS &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Dizia o pintor cearense Ant\u00f4nio Bandeira (Fortaleza, 1922. Paris, 1967) sobre exposi\u00e7\u00f5es: \u201cAntes era preciso somente o \u00e2ngulo visual para se olhar um quadro. Hoje necessitamos mais que isso. Queremos tamb\u00e9m o \u00e2ngulo do sentimento. Buscamos os olhos n\u00e3o somente na cara, mas tamb\u00e9m no c\u00e9rebro e no cora\u00e7\u00e3o\u201d. Para ver arte \u00e9 preciso estar atento a todos os sentidos e emo\u00e7\u00e3o. Vando Figueir\u00eado \u00e9 pintor inquieto. N\u00e3o \u00e9 aprendiz. Sabe e o faz em longo percurso. Teve a coragem de, j\u00e1 maduro, sair do casulo, atravessar mares e aportar na terra-m\u00e3e, Portugal. Depois, por sentimento at\u00e1vico ou existencial, retornou. Vive procurando faces novas no imagin\u00e1rio de sua arte. Experimentado na lida cont\u00ednua e \u00e1rdua de assumir-se artista, v\u00ea sempre com olhos p\u00faberes (re)buscado em suas lentes intra-oculares. Agora, exp\u00f5e estas \u201dMadrilhenhas\u201d na cidade. O t\u00edtulo \u00e9 o ponto de vista do autor. \u00c9 o conjunto de obras que teria exposto em Madri, Espanha, se a saudade ou a vida n\u00e3o empurrasse sua nau pict\u00f3rica de volta aos mares turbulentos e dif\u00edceis do Brasil. Neste ano nove deste S\u00e9culo XXI, do Iphone, Google etc ele mergulha a seu modo, com matizes e materiais contempor\u00e2neos, por vieses onde usa at\u00e9 palavras. Transfigura a rudeza primitiva de contornos rupestres e outros arranjos para amigos e apreciadores da arte. As raz\u00f5es destas Madrilhenhas podem e devem ter algoritmos e significa\u00e7\u00f5es. Os olhares de colegas, marchands e visitantes ter\u00e3o m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es. Dizia Benedetto Croce, fil\u00f3sofo italiano, morto em 1952: \u201carte \u00e9 vis\u00e3o ou intui\u00e7\u00e3o. O artista produz uma imagem ou um fantasma: e quem aprecia a arte volta a olhar para o ponto indicado pelo artista. Observa pela fenda aberta e reproduz dentro de si aquela imagem.\u201d Ou no dizer do poeta americano Ezra Pound: \u201cToda arte come\u00e7a na insatisfa\u00e7\u00e3o f\u00edsica da solid\u00e3o e da parcialidade\u201d. Eug\u00e8ne. Delacroix, pintor franc\u00eas do S\u00e9culo XIX, contava precisarem os pintores sempre borrar ou inutilizar o quadro para conclu\u00ed-lo. Por fim, declaro n\u00e3o ser cr\u00edtico de arte, mas saber que artistas s\u00e3o, geralmente, solit\u00e1rios e parciais, especialmente pela paix\u00e3o devotada ao que criam.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 14\/06\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizia o pintor cearense Ant\u00f4nio Bandeira (Fortaleza, 1922. Paris, 1967) sobre exposi\u00e7\u00f5es: \u201cAntes era preciso somente o \u00e2ngulo visual para se olhar um quadro. Hoje necessitamos mais que isso. Queremos tamb\u00e9m o \u00e2ngulo do sentimento. Buscamos os olhos n\u00e3o somente na cara, mas tamb\u00e9m no c\u00e9rebro e no cora\u00e7\u00e3o\u201d. Para ver arte \u00e9 preciso estar atento a todos os sentidos e emo\u00e7\u00e3o. Vando Figueir\u00eado \u00e9 pintor inquieto. N\u00e3o \u00e9 aprendiz. Sabe e o faz em longo percurso. Teve a coragem de, j\u00e1 maduro, sair do casulo, atravessar mares e aportar na terra-m\u00e3e, Portugal. Depois, por sentimento at\u00e1vico ou existencial, retornou. Vive procurando faces novas no imagin\u00e1rio de sua arte. Experimentado na lida cont\u00ednua e \u00e1rdua de assumir-se artista, v\u00ea sempre com olhos p\u00faberes (re)buscado em suas lentes intra-oculares. Agora, exp\u00f5e estas \u201dMadrilhenhas\u201d na cidade. O t\u00edtulo \u00e9 o ponto de vista do autor. \u00c9 o conjunto de obras que teria exposto em Madri, Espanha, se a saudade ou a vida n\u00e3o empurrasse sua nau pict\u00f3rica de volta aos mares turbulentos e dif\u00edceis do Brasil. Neste ano nove deste S\u00e9culo XXI, do Iphone, Google etc ele mergulha a seu modo, com matizes e materiais contempor\u00e2neos, por vieses onde usa at\u00e9 palavras. Transfigura a rudeza primitiva de contornos rupestres e outros arranjos para amigos e apreciadores da arte. As raz\u00f5es destas Madrilhenhas podem e devem ter algoritmos e significa\u00e7\u00f5es. Os olhares de colegas, marchands e visitantes ter\u00e3o m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es. Dizia Benedetto Croce, fil\u00f3sofo italiano, morto em 1952: \u201carte \u00e9 vis\u00e3o ou intui\u00e7\u00e3o. O artista produz uma imagem ou um fantasma: e quem aprecia a arte volta a olhar para o ponto indicado pelo artista. Observa pela fenda aberta e reproduz dentro de si aquela imagem.\u201d Ou no dizer do poeta americano Ezra Pound: \u201cToda arte come\u00e7a na insatisfa\u00e7\u00e3o f\u00edsica da solid\u00e3o e da parcialidade\u201d. Eug\u00e8ne. Delacroix, pintor franc\u00eas do S\u00e9culo XIX, contava precisarem os pintores sempre borrar ou inutilizar o quadro para conclu\u00ed-lo. 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