{"id":3329,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/flip-a-volta-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"flip-a-volta-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/flip-a-volta-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"FLIP, A VOLTA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Estou vindo da Filp &#8211; Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty, Rio. Fui ver para crer. A Flip n\u00e3o \u00e9 feira de cultura, tampouco de livros. Mas, paradoxalmente, \u00e9 um pouco disso. O seu ar p\u00f3s-moderno \u00e9 a procura de se caracterizar como uma festa m\u00faltipla com intelectuais, jornalistas, c\u00e2meras de tvs, cantores, acad\u00eamicos, estudantes, \u201cbichos-grilo\u201d e visitantes. Usa o espa\u00e7o privilegiado e bonito do Centro Hist\u00f3rico (sem ve\u00edculos) de Paraty, cujo pavimento \u00e9 caracterizado por lajes ou calhaus assim\u00e9tricos dando aos pedestres um requebro no desequil\u00edbrio ao andar. Acima do n\u00edvel do ch\u00e3o ergue-se o casario branco, tais como o quase-restauro feito em Salvador (Pelourinho), Recife (centro antigo) e Fortaleza (\u00e1rea do Drag\u00e3o do Mar). As pra\u00e7as e parques s\u00e3o sombreados, cuidados e t\u00eam brinquedos. At\u00e9 na principal igreja houve concerto p\u00fablico de m\u00fasica brasileira (choros, dobrados, emboladas e toadas), cujo regente era um fagotista cearense de Tau\u00e1, Francisco Formiga, que incluiu no repert\u00f3rio da noite a Su\u00edte Herm\u00e9tica, do tamb\u00e9m cearense Liduino Pitombeira. Mas quem ganhou a maioria dos holofotes foi Chico Buarque. Em meio \u00e0 travessia que fazia com o escritor Milton Hatoum teve a coragem de dizer: \u201cAcho escrever uma chatice\u201d e \u201ctenho d\u00favidas se Guimar\u00e3es Rosa \u00e9 mais importante que Jo\u00e3o Gilberto\u201d. Ora, n\u00e3o d\u00e1 para comparar o que \u00e9 distinto. Para os m\u00fasicos, como o Chico, \u00e9 natural escolher o compositor Jo\u00e3o Gilberto. Entretanto, nem os m\u00fasicos podem desconsiderar o valor de Rosa. Zuenir Ventura, a quem encontrei, entre outros, na Flip, ficou indignado e usou o jornal O Globo para dizer: \u201ccomo estabelecer paralelo entre quem usa como mat\u00e9ria-prima sons e acordes, e quem utiliza a palavra escrita?\u201d. \u00c9 preciso dizer ainda havia muitos convidados estrangeiros, alguns mais perform\u00e1ticos que intelectuais. Ouvi palestras e entrevistas. A do americano Gay Talese, uma esp\u00e9cie de Valdick Soriano do novo jornalismo usava chap\u00e9u, palet\u00f3, gravata e colete: Uma gracinha. Mas tinha gente como o jovem escritor mexicano, Mario Bellatin, o poeta e contista chin\u00eas Ma Jian, o bi\u00f3logo-evolucionista ingl\u00eas Richard Dawkins. Sem falar nos brasileiros, onde destaco o editor Rodrigo Lacerda, o cr\u00edtico S\u00e9rgio Rodrigues e o veterano Edson Nery da Fonseca, cultor do homenageado Manuel Bandeira que escreveu este verso \u201ca alma \u00e9 que estraga o amor\u201d. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 19\/07\/2009<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou vindo da Filp &#8211; Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty, Rio. Fui ver para crer. A Flip n\u00e3o \u00e9 feira de cultura, tampouco de livros. Mas, paradoxalmente, \u00e9 um pouco disso. O seu ar p\u00f3s-moderno \u00e9 a procura de se caracterizar como uma festa m\u00faltipla com intelectuais, jornalistas, c\u00e2meras de tvs, cantores, acad\u00eamicos, estudantes, \u201cbichos-grilo\u201d e visitantes. Usa o espa\u00e7o privilegiado e bonito do Centro Hist\u00f3rico (sem ve\u00edculos) de Paraty, cujo pavimento \u00e9 caracterizado por lajes ou calhaus assim\u00e9tricos dando aos pedestres um requebro no desequil\u00edbrio ao andar. Acima do n\u00edvel do ch\u00e3o ergue-se o casario branco, tais como o quase-restauro feito em Salvador (Pelourinho), Recife (centro antigo) e Fortaleza (\u00e1rea do Drag\u00e3o do Mar). As pra\u00e7as e parques s\u00e3o sombreados, cuidados e t\u00eam brinquedos. At\u00e9 na principal igreja houve concerto p\u00fablico de m\u00fasica brasileira (choros, dobrados, emboladas e toadas), cujo regente era um fagotista cearense de Tau\u00e1, Francisco Formiga, que incluiu no repert\u00f3rio da noite a Su\u00edte Herm\u00e9tica, do tamb\u00e9m cearense Liduino Pitombeira. Mas quem ganhou a maioria dos holofotes foi Chico Buarque. Em meio \u00e0 travessia que fazia com o escritor Milton Hatoum teve a coragem de dizer: \u201cAcho escrever uma chatice\u201d e \u201ctenho d\u00favidas se Guimar\u00e3es Rosa \u00e9 mais importante que Jo\u00e3o Gilberto\u201d. Ora, n\u00e3o d\u00e1 para comparar o que \u00e9 distinto. Para os m\u00fasicos, como o Chico, \u00e9 natural escolher o compositor Jo\u00e3o Gilberto. Entretanto, nem os m\u00fasicos podem desconsiderar o valor de Rosa. Zuenir Ventura, a quem encontrei, entre outros, na Flip, ficou indignado e usou o jornal O Globo para dizer: \u201ccomo estabelecer paralelo entre quem usa como mat\u00e9ria-prima sons e acordes, e quem utiliza a palavra escrita?\u201d. \u00c9 preciso dizer ainda havia muitos convidados estrangeiros, alguns mais perform\u00e1ticos que intelectuais. Ouvi palestras e entrevistas. A do americano Gay Talese, uma esp\u00e9cie de Valdick Soriano do novo jornalismo usava chap\u00e9u, palet\u00f3, gravata e colete: Uma gracinha. Mas tinha gente como o jovem escritor mexicano, Mario Bellatin, o poeta e contista chin\u00eas Ma Jian, o bi\u00f3logo-evolucionista ingl\u00eas Richard Dawkins. Sem falar nos brasileiros, onde destaco o editor Rodrigo Lacerda, o cr\u00edtico S\u00e9rgio Rodrigues e o veterano Edson Nery da Fonseca, cultor do homenageado Manuel Bandeira que escreveu este verso \u201ca alma \u00e9 que estraga o amor\u201d. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 19\/07\/2009<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}