{"id":3337,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/de-olho-na-exposicao-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"de-olho-na-exposicao-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/de-olho-na-exposicao-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"DE OLHO NA EXPOSI\u00c7\u00c3O &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Augusto Lopes \u00e9 avis rara. Por ter sensibilidade acurada e notar, desde cedo, existir &#8211; quem sabe &#8211; uma car\u00eancia no feedback relacional com a maioria das pessoas, tenha optado por entrar na viagem, sem volta, da descoberta do mundo cinematogr\u00e1fico. Esse mundo em que fotogramas em determinada velocidade se transformam em movimento cont\u00ednuo gerando arte, a partir de uma hist\u00f3ria ou est\u00f3ria, misturando glamour, amor, mesmo que falso, ci\u00fame, \u00f3dio, crime, paz e muito mais. Bem que fez Direito e Comunica\u00e7\u00e3o Social, aqui e alhures, mas era preciso mais, descobrir nos livros, revistas, conversas e, principalmente, no interior das salas semi-escurecidas de cinema, a sua ess\u00eancia humana. E a\u00ed sentiu a iman\u00eancia da arte dos irm\u00e3os Lumi\u00e9re. Abro os meus di\u00e1rios de anota\u00e7\u00f5es dos anos de 58 e 59, e revejo que Brasil se preparava para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do ano seguinte. Cai um avi\u00e3o da Vasp e morrem 42 pessoas. Discute-se a import\u00e2ncia de comprar um porta-avi\u00f5es, o Minas Gerais, o a\u00e7ude Or\u00f3s est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, enquanto a Orquestra Sinf\u00f4nica Brasileira regida por Eleazar de Carvalho apresenta o pianista Jacques Klein no Jos\u00e9 de Alencar. Outros tempos. O chique em Fortaleza era: e as badala\u00e7\u00f5es no Ideal, Maguary e N\u00e1utico, o San Pedro Hotel, os lanches do Tonny\u2019s, a vitrina da Aba Film mostrando fotos das \u201cmo\u00e7as de fam\u00edlia\u201d. As conversas eram feitas sem medo em 15.000 telefones pretos de galalite. O Theatro Jos\u00e9 de Alencar abrigava um festival de declama\u00e7\u00f5es de D. Violeta Modesto de Almeida, com o patroc\u00ednio das Damas de Jacarecanga. Os filmes mais significativos do ano eram Bela e Canalha, com Vittorio de Sicca e Sophia Lauren. Congotanga, dirigido por Joseph Pewney, com George Nader e Virginia Mayo. As sete filhas do Amor, com Maurice Chevalier. O Alucinado, com Arturo de C\u00f3rdoba. Os Corruptos, dirigido por Fritz Lang, com Glenn Ford e Gloria Grahme. Blefando a morte com Antony Quinn e K\u00e1tia Jurado. O Fantasma do Gen. Custer (7\u00aa. Cavallary) com Randolph Scott e B\u00e1rbara Hale. A Janela Indiscreta, de Hitchcock, com James Stewart e Grace Kelly. Foi nesse clima e tempo que Jos\u00e9 Augusto Lopes mergulhou no mundo do cinema e ainda navega. Todas as semanas mant\u00e9m o olho nas telas, onde descobre n\u00e3o s\u00f3 o que diretores, atores, roteiristas, figurinistas aspiram mostrar, mas, por exemplo, v\u00ea os erros dos continuistas, a farsa de atores apaixonados por atrizes, mesmo que vivam realidades d\u00edspares. Jos\u00e9 Augusto poderia, quem sabe, ser comparado a um Rubem Ewald Filho pela capacidade de se empolgar, adorar ou criticar o que n\u00e3o aceita. Ele n\u00e3o \u00e9 neutro, \u00e9 o que escreve aos domingos no Di\u00e1rio do Nordeste. A Exposi\u00e7\u00e3o no Benficarte foi a forma escolhida para mostrar ao p\u00fablico parte de sua intimidade, sejam pesquisas, manias, devaneios, fetiches e at\u00e9 gl\u00f3rias transformadas em trof\u00e9us. O que est\u00e1 sendo exposto, de forma gratuita e aberta, \u00e9 a parte vis\u00edvel de sua vida como comentarista de cinema. Algumas pessoas reagem com uma pergunta estranha quando se deparam com os \u201cguardados\u201d de algu\u00e9m: S\u00f3 isso?. Saibam, pois, que al\u00e9m do que \u00e9 exposto com formas, matizes, desgastes do tempo, h\u00e1 um cuidado de quem coleciona, para desvendar o essencial. E o essencial varia para cada um. Esta \u00e9 uma oportunidade para quem realmente gosta de cinema n\u00e3o apenas como divers\u00e3o. Lembran\u00e7as ser\u00e3o revividas. \u00c9 uma trilha para os que est\u00e3o come\u00e7ando a descobrir o que \u00e9 cinema, como um filme \u00e9 produzido, a fidelidade ou n\u00e3o do tema \u2013 baseado em enredo de um livro &#8211;, a capacidade c\u00eanica dos artistas, efeitos de som e luz, a diferen\u00e7a que faz um grande diretor, a publicidade gerada e a coer\u00eancia ou disputa entre a cr\u00edtica e o p\u00fablico. Enfim, \u00e9 ver com os olhos este \u201cmaking off \u201cda alma e da raz\u00e3o de Jos\u00e9 Augusto Lopes que mistura o real e a fantasia e descobre que somos tamb\u00e9m aquilo que vemos, porque uma rosa n\u00e3o \u00e9 meramente perfume. H\u00e1 espinhos, \u00e0 espreita. Viver entre espinhos e o n\u00e9ctar das rosas vermelhas ou brancas pode ter sido o paradoxo ou desafio da vida de Jos\u00e9 Augusto Lopes que est\u00e1 aqui, jovial no d\u00e9but de seus 70 anos, sabedor que pode voltar \u00e0 tona, tirar o escafandro da reflex\u00e3o, olhar para cima e ver estrelas no firmamento. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto \u00e9 cinemeiro.<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21\/08\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Augusto Lopes \u00e9 avis rara. Por ter sensibilidade acurada e notar, desde cedo, existir &#8211; quem sabe &#8211; uma car\u00eancia no feedback relacional com a maioria das pessoas, tenha optado por entrar na viagem, sem volta, da descoberta do mundo cinematogr\u00e1fico. Esse mundo em que fotogramas em determinada velocidade se transformam em movimento cont\u00ednuo gerando arte, a partir de uma hist\u00f3ria ou est\u00f3ria, misturando glamour, amor, mesmo que falso, ci\u00fame, \u00f3dio, crime, paz e muito mais. Bem que fez Direito e Comunica\u00e7\u00e3o Social, aqui e alhures, mas era preciso mais, descobrir nos livros, revistas, conversas e, principalmente, no interior das salas semi-escurecidas de cinema, a sua ess\u00eancia humana. E a\u00ed sentiu a iman\u00eancia da arte dos irm\u00e3os Lumi\u00e9re. Abro os meus di\u00e1rios de anota\u00e7\u00f5es dos anos de 58 e 59, e revejo que Brasil se preparava para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do ano seguinte. Cai um avi\u00e3o da Vasp e morrem 42 pessoas. Discute-se a import\u00e2ncia de comprar um porta-avi\u00f5es, o Minas Gerais, o a\u00e7ude Or\u00f3s est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, enquanto a Orquestra Sinf\u00f4nica Brasileira regida por Eleazar de Carvalho apresenta o pianista Jacques Klein no Jos\u00e9 de Alencar. Outros tempos. O chique em Fortaleza era: e as badala\u00e7\u00f5es no Ideal, Maguary e N\u00e1utico, o San Pedro Hotel, os lanches do Tonny\u2019s, a vitrina da Aba Film mostrando fotos das \u201cmo\u00e7as de fam\u00edlia\u201d. As conversas eram feitas sem medo em 15.000 telefones pretos de galalite. O Theatro Jos\u00e9 de Alencar abrigava um festival de declama\u00e7\u00f5es de D. Violeta Modesto de Almeida, com o patroc\u00ednio das Damas de Jacarecanga. Os filmes mais significativos do ano eram Bela e Canalha, com Vittorio de Sicca e Sophia Lauren. Congotanga, dirigido por Joseph Pewney, com George Nader e Virginia Mayo. As sete filhas do Amor, com Maurice Chevalier. O Alucinado, com Arturo de C\u00f3rdoba. Os Corruptos, dirigido por Fritz Lang, com Glenn Ford e Gloria Grahme. Blefando a morte com Antony Quinn e K\u00e1tia Jurado. O Fantasma do Gen. Custer (7\u00aa. Cavallary) com Randolph Scott e B\u00e1rbara Hale. A Janela Indiscreta, de Hitchcock, com James Stewart e Grace Kelly. Foi nesse clima e tempo que Jos\u00e9 Augusto Lopes mergulhou no mundo do cinema e ainda navega. Todas as semanas mant\u00e9m o olho nas telas, onde descobre n\u00e3o s\u00f3 o que diretores, atores, roteiristas, figurinistas aspiram mostrar, mas, por exemplo, v\u00ea os erros dos continuistas, a farsa de atores apaixonados por atrizes, mesmo que vivam realidades d\u00edspares. Jos\u00e9 Augusto poderia, quem sabe, ser comparado a um Rubem Ewald Filho pela capacidade de se empolgar, adorar ou criticar o que n\u00e3o aceita. Ele n\u00e3o \u00e9 neutro, \u00e9 o que escreve aos domingos no Di\u00e1rio do Nordeste. A Exposi\u00e7\u00e3o no Benficarte foi a forma escolhida para mostrar ao p\u00fablico parte de sua intimidade, sejam pesquisas, manias, devaneios, fetiches e at\u00e9 gl\u00f3rias transformadas em trof\u00e9us. O que est\u00e1 sendo exposto, de forma gratuita e aberta, \u00e9 a parte vis\u00edvel de sua vida como comentarista de cinema. Algumas pessoas reagem com uma pergunta estranha quando se deparam com os \u201cguardados\u201d de algu\u00e9m: S\u00f3 isso?. Saibam, pois, que al\u00e9m do que \u00e9 exposto com formas, matizes, desgastes do tempo, h\u00e1 um cuidado de quem coleciona, para desvendar o essencial. E o essencial varia para cada um. Esta \u00e9 uma oportunidade para quem realmente gosta de cinema n\u00e3o apenas como divers\u00e3o. Lembran\u00e7as ser\u00e3o revividas. \u00c9 uma trilha para os que est\u00e3o come\u00e7ando a descobrir o que \u00e9 cinema, como um filme \u00e9 produzido, a fidelidade ou n\u00e3o do tema \u2013 baseado em enredo de um livro &#8211;, a capacidade c\u00eanica dos artistas, efeitos de som e luz, a diferen\u00e7a que faz um grande diretor, a publicidade gerada e a coer\u00eancia ou disputa entre a cr\u00edtica e o p\u00fablico. Enfim, \u00e9 ver com os olhos este \u201cmaking off \u201cda alma e da raz\u00e3o de Jos\u00e9 Augusto Lopes que mistura o real e a fantasia e descobre que somos tamb\u00e9m aquilo que vemos, porque uma rosa n\u00e3o \u00e9 meramente perfume. H\u00e1 espinhos, \u00e0 espreita. Viver entre espinhos e o n\u00e9ctar das rosas vermelhas ou brancas pode ter sido o paradoxo ou desafio da vida de Jos\u00e9 Augusto Lopes que est\u00e1 aqui, jovial no d\u00e9but de seus 70 anos, sabedor que pode voltar \u00e0 tona, tirar o escafandro da reflex\u00e3o, olhar para cima e ver estrelas no firmamento. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto \u00e9 cinemeiro.<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21\/08\/2009.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}