{"id":3341,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/transito-brasileiro-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"transito-brasileiro-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/transito-brasileiro-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"TR\u00c2NSITO BRASILEIRO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Estava a rodar, queimando combust\u00edvel, poluindo o ar, procurando estacionar o carro. S\u00f3 enxergava cones, correntes e \u2018estacionamentos privativos\u2019. Os cones de material pl\u00e1stico s\u00e3o hoje quase como escrituras p\u00fablicas com registro de recuo usado para regular a parada de ve\u00edculos. Basta comprar alguns cones e algu\u00e9m se torna donat\u00e1rio da capitania da \u00e1rea p\u00fablica, negando tudo o que diz o C\u00f3digo Nacional de Tr\u00e2nsito. \u00c9 comum v\u00ea-los defronte a lojas, restaurantes, bancos e afins, sempre protegidos por seguran\u00e7as, alguns cordiais, outros truculentos, a informar: n\u00e3o se pode parar, salvo se for cliente de quem lhe paga. Os sem guardi\u00e3s de seus cones usam correntes, apoiadas em pequenos postes de ferro &#8211; ajustados ao solo &#8211; trancados com cadeados e pequenas placas de \u2018privativo\u2019. A corrente s\u00f3 \u00e9 aberta quando do hor\u00e1rio comercial e, para os clientes. Ao fim do dia, volta a corrente. Se algu\u00e9m encontrar, por milagre, uma vaga, logo se achegar\u00e1 uma pessoa, foreiro da dita cuja, um \u201cflanelinha\u201d, com colete, apito e peda\u00e7os de panos sujos a n\u00e3o limpar nada, apenas espalhando imund\u00edcie nos vidros e pinturas dos carros. Encaram os \u201cfregueses\u201d como se prestassem relevante servi\u00e7o p\u00fablico, ditando pre\u00e7os em fun\u00e7\u00e3o do carro, hor\u00e1rio e mercado do dia. H\u00e1 at\u00e9 os que levam pequenos pap\u00e9is, como se fossem recibos do \u201cservi\u00e7o\u201d e procuram receber adiantado, por garantia. A coisa n\u00e3o fica a\u00ed. Em quase todo sem\u00e1foro com controle do tempo de tr\u00e1fego h\u00e1 um grupo munido de garrafas pl\u00e1sticas, cheias de \u00e1gua com duvidosa proced\u00eancia. Articulados com o \u201ctiming\u201d da mudan\u00e7a do vermelho para verde, sem perguntar nada, molha o para-brisa do carro. E o \u201cenxuga\u201d com pequenos rodos que espalham o l\u00edquido por sobre os para-lamas. Mas, n\u00e3o fica s\u00f3 nisso. H\u00e1 camel\u00f4s disso e daquilo, motoboys endiabrados, malabaristas, mendigos &#8211; verdadeiros e falsos \u2013 e, por fim, as zonas azuis, uma esp\u00e9cie de cobran\u00e7a hor\u00e1ria de IPTU do espa\u00e7o p\u00fablico. Tudo isso para n\u00f3s, os chamados, de dois em dois anos, a votar, obrigatoriamente, em candidatos que prometem tudo. D\u00e1 nisso.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 06\/09\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava a rodar, queimando combust\u00edvel, poluindo o ar, procurando estacionar o carro. S\u00f3 enxergava cones, correntes e \u2018estacionamentos privativos\u2019. Os cones de material pl\u00e1stico s\u00e3o hoje quase como escrituras p\u00fablicas com registro de recuo usado para regular a parada de ve\u00edculos. Basta comprar alguns cones e algu\u00e9m se torna donat\u00e1rio da capitania da \u00e1rea p\u00fablica, negando tudo o que diz o C\u00f3digo Nacional de Tr\u00e2nsito. \u00c9 comum v\u00ea-los defronte a lojas, restaurantes, bancos e afins, sempre protegidos por seguran\u00e7as, alguns cordiais, outros truculentos, a informar: n\u00e3o se pode parar, salvo se for cliente de quem lhe paga. Os sem guardi\u00e3s de seus cones usam correntes, apoiadas em pequenos postes de ferro &#8211; ajustados ao solo &#8211; trancados com cadeados e pequenas placas de \u2018privativo\u2019. A corrente s\u00f3 \u00e9 aberta quando do hor\u00e1rio comercial e, para os clientes. Ao fim do dia, volta a corrente. Se algu\u00e9m encontrar, por milagre, uma vaga, logo se achegar\u00e1 uma pessoa, foreiro da dita cuja, um \u201cflanelinha\u201d, com colete, apito e peda\u00e7os de panos sujos a n\u00e3o limpar nada, apenas espalhando imund\u00edcie nos vidros e pinturas dos carros. Encaram os \u201cfregueses\u201d como se prestassem relevante servi\u00e7o p\u00fablico, ditando pre\u00e7os em fun\u00e7\u00e3o do carro, hor\u00e1rio e mercado do dia. H\u00e1 at\u00e9 os que levam pequenos pap\u00e9is, como se fossem recibos do \u201cservi\u00e7o\u201d e procuram receber adiantado, por garantia. A coisa n\u00e3o fica a\u00ed. Em quase todo sem\u00e1foro com controle do tempo de tr\u00e1fego h\u00e1 um grupo munido de garrafas pl\u00e1sticas, cheias de \u00e1gua com duvidosa proced\u00eancia. Articulados com o \u201ctiming\u201d da mudan\u00e7a do vermelho para verde, sem perguntar nada, molha o para-brisa do carro. E o \u201cenxuga\u201d com pequenos rodos que espalham o l\u00edquido por sobre os para-lamas. Mas, n\u00e3o fica s\u00f3 nisso. 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D\u00e1 nisso.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 06\/09\/2009.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3341","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3341\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}