{"id":3348,"date":"2023-12-21T09:10:43","date_gmt":"2023-12-21T12:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-geracao-perdida-e-hemingway-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:43","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:43","slug":"a-geracao-perdida-e-hemingway-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-geracao-perdida-e-hemingway-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"A GERA\u00c7\u00c0O PERDIDA E HEMINGWAY &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Ter\u00e1 sido mesmo, como intitulou a escritora americana Gerrude Stein, uma gera\u00e7\u00e3o perdida, a que, vinda de pa\u00edses diversos, resolveu ocupar Paris nos anos 20 do s\u00e9culo passado? A cidade de Paris, ent\u00e3o o centro cultural do mundo, virou o ex\u00edlio dourado ou o para\u00edso para imaturos escritores e artistas de todos os continentes, especialmente americanos do norte. Acreditavam eles que a elite cultural do planeta vivia ou acontecia nos arredores do Quartier Latin, na margem esquerda do Rio Sena. Essa \u00e1rea, onde se localiza, a Sorbonne, a universidade refer\u00eancia, gerava um esp\u00edrito alegre coletivo e os caf\u00e9s, bares, restaurantes, bibliotecas e museus favoreciam o conv\u00edvio de gente querendo ser famosa e reconhecida. \u00c9 esse o cen\u00e1rio que Ernest Hemingway usou em seu livro p\u00f3stumo \u201cParis \u00e9 uma festa\u201d. Foi em 1921 o ano em que o jovem casal americano Elizabeth Hadley e Ernest Hemingway chega a Paris. Ernest participara da 1\u00aa. Grande Guerra pela It\u00e1lia, tinha estilha\u00e7os em uma das pernas e usava isso como diferencial. Nos cinco anos em que sedimentou leituras, fatos, relatos e agu\u00e7ou sua vis\u00e3o objetiva, encontrou o ambiente que o empurrava para os rumos da ent\u00e3o famosa livraria-biblioteca Shakespeare and Co. Foi em Paris que Ernenst consolidou a sua forma\u00e7\u00e3o com leituras definitivas e ordenou os seus cadernos de notas em que registrava o fasc\u00ednio por Tolstoi, Dostoiewski, Conrad, James Joyce, T.S. Eliot ,Proust e tantos outros. Assim, pouco a pouco, idealiza a sua est\u00e9tica e cria a ambi\u00eancia para mesclar a sua fic\u00e7\u00e3o com o real. Como j\u00e1 havia dito Oscar Wilde: \u201ca fic\u00e7\u00e3o antecipa a realidade\u201d. Ao mesmo tempo em que se aprimorava, brigava com amigos, entre eles, Scott Fitzgerald. A seu modo e tempo, Ernest era correspondente de jornal, o que enxugava o seu texto. Nascido em 1899, Tinha pouco mais de 20 anos quando se aventurou no mundo da escrita. Aos 26, j\u00e1 havia escrito contos vanguardistas e lan\u00e7a \u201cO sol tamb\u00e9m se levanta\u201d. O livro n\u00e3o causou sensa\u00e7\u00e3o. Descompensado, encharcado de mulheres e bebidas, no bar do Hotel Ritz, come\u00e7ou a contrair d\u00edvidas. Divorciou-se de Elizabeth, em 1927, e teve mais tr\u00eas casamentos complicados. Dois anos depois, lan\u00e7a \u201cAdeus \u00e0s armas\u201d. Mas s\u00f3 ap\u00f3s a sua participa\u00e7\u00e3o como correspondente da Guerra Civil Espanhola, publicou, em 1937, \u201cPor quem os sinos dobram\u201d. Depois, veio \u201cO velho e o mar\u201d e assim a consagra\u00e7\u00e3o, talvez tardia, em 1954, quando ganha o Pr\u00eamio Nobel de Literatura. A esse tempo, j\u00e1 deprimido, diab\u00e9tico, hipertenso e com arteriosclerose acreditava, em seu \u00edntimo, que realmente a frase recorrente e maldita de Gertrude Stein fazia sentido. Ele era parte de uma gera\u00e7\u00e3o perdida, pois n\u00e3o encarara a dura realidade do viver. Adepto da \u201cevid\u00eancia tr\u00e1gica\u201d, morreu em 1961. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/10\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter\u00e1 sido mesmo, como intitulou a escritora americana Gerrude Stein, uma gera\u00e7\u00e3o perdida, a que, vinda de pa\u00edses diversos, resolveu ocupar Paris nos anos 20 do s\u00e9culo passado? A cidade de Paris, ent\u00e3o o centro cultural do mundo, virou o ex\u00edlio dourado ou o para\u00edso para imaturos escritores e artistas de todos os continentes, especialmente americanos do norte. Acreditavam eles que a elite cultural do planeta vivia ou acontecia nos arredores do Quartier Latin, na margem esquerda do Rio Sena. Essa \u00e1rea, onde se localiza, a Sorbonne, a universidade refer\u00eancia, gerava um esp\u00edrito alegre coletivo e os caf\u00e9s, bares, restaurantes, bibliotecas e museus favoreciam o conv\u00edvio de gente querendo ser famosa e reconhecida. \u00c9 esse o cen\u00e1rio que Ernest Hemingway usou em seu livro p\u00f3stumo \u201cParis \u00e9 uma festa\u201d. Foi em 1921 o ano em que o jovem casal americano Elizabeth Hadley e Ernest Hemingway chega a Paris. Ernest participara da 1\u00aa. Grande Guerra pela It\u00e1lia, tinha estilha\u00e7os em uma das pernas e usava isso como diferencial. Nos cinco anos em que sedimentou leituras, fatos, relatos e agu\u00e7ou sua vis\u00e3o objetiva, encontrou o ambiente que o empurrava para os rumos da ent\u00e3o famosa livraria-biblioteca Shakespeare and Co. Foi em Paris que Ernenst consolidou a sua forma\u00e7\u00e3o com leituras definitivas e ordenou os seus cadernos de notas em que registrava o fasc\u00ednio por Tolstoi, Dostoiewski, Conrad, James Joyce, T.S. Eliot ,Proust e tantos outros. Assim, pouco a pouco, idealiza a sua est\u00e9tica e cria a ambi\u00eancia para mesclar a sua fic\u00e7\u00e3o com o real. Como j\u00e1 havia dito Oscar Wilde: \u201ca fic\u00e7\u00e3o antecipa a realidade\u201d. Ao mesmo tempo em que se aprimorava, brigava com amigos, entre eles, Scott Fitzgerald. A seu modo e tempo, Ernest era correspondente de jornal, o que enxugava o seu texto. Nascido em 1899, Tinha pouco mais de 20 anos quando se aventurou no mundo da escrita. Aos 26, j\u00e1 havia escrito contos vanguardistas e lan\u00e7a \u201cO sol tamb\u00e9m se levanta\u201d. O livro n\u00e3o causou sensa\u00e7\u00e3o. Descompensado, encharcado de mulheres e bebidas, no bar do Hotel Ritz, come\u00e7ou a contrair d\u00edvidas. 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