{"id":3355,"date":"2023-12-21T09:10:44","date_gmt":"2023-12-21T12:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/juventude-e-futuro-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:44","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:44","slug":"juventude-e-futuro-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/juventude-e-futuro-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"JUVENTUDE E FUTURO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Foi Simone de Beauvoir quem citou o jovem pr\u00edncipe Sidarta, o futuro Buda, em livro escrito sobre a velhice. O fato: Sidarta saiu de seu pal\u00e1cio e viu, entre outras duas, uma figura alquebrada e sem rumo. Perguntou: quem \u00e9? Responderam-lhe: Um velho. Sidarta, ainda n\u00e3o Buda, voltou ao seu pal\u00e1cio. E teria cunhado a frase: \u201ceu sou a morada da futura velhice\u201d. Assim, o \u00f3bvio n\u00e3o \u00e9 entendido pelos mais jovens a n\u00e3o admitir a velhice como futuro. Acreditam e pensam: esse tempo n\u00e3o chegar\u00e1, e se chegar, os encontrar\u00e1 ativos, ocupando mentes com trabalho, fam\u00edlia e cuidando dos corpos em academias, corridas e afins. Hoje, j\u00e1 se fala nos \u201cnovos velhos\u201d. Novos velhos? Seriam eles os desafiadores do tempo como fator determinante, indo buscar em suas pr\u00f3prias vidas a energia para manter o alento de ser ativo e \u00fatil? Seriam os descobridores, por suas leituras e pr\u00e1ticas pessoais, de caminhos definidos do bom uso do tempo extra conferido pela longevidade? Poderia ser uma nova gera\u00e7\u00e3o de pessoas a admitir a possibilidade de di\u00e1logo com os dos olhares da indiferen\u00e7a? Seriam, talvez, os cheios de sa\u00fade, corpos h\u00edgidos, apesar das c\u00e3s? Ou o que seria essa safra de novos velhos? Seriam as mulheres a disfar\u00e7ar o tempo com cirurgias reparadoras ou est\u00e9ticas? Ou homens unidos a mulheres com a metade de suas idades? Ou vice-versa? Ainda \u00e9 cedo para se definir essa gera\u00e7\u00e3o chegada aos sessenta, apostando que, em se cuidando, ter\u00e1 qualidade de vida para mais 20 ou 30 anos. O fato real para a maior qualidade de vida na pessoa dessa faixa de idade \u00e9 a sa\u00fade. E a sa\u00fade, salvo a hereditariedade, as surpresas dos males incur\u00e1veis, e as degenerativas, poder\u00e1 ser relativamente preservada. Se a velhice vier comboiada da maturidade \u2013 a idade e a capacidade de ser maduro \u2013 o caminho n\u00e3o ser\u00e1 uma estrada \u00edngreme, um tsunami ou um abismo. Creio, mas n\u00e3o tenho certeza: os caminhos n\u00e3o s\u00e3o nunca iguais para ningu\u00e9m. \u00c9 preciso viver na esperan\u00e7a, na tentativa, mesclando menos erros e mais acertos. Resolvendo quest\u00f5es recorrentes, crendo no tempo com sua par\u00e1bola a cumprir: o futuro da liberdade, a imperman\u00eancia.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 25\/10\/2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi Simone de Beauvoir quem citou o jovem pr\u00edncipe Sidarta, o futuro Buda, em livro escrito sobre a velhice. O fato: Sidarta saiu de seu pal\u00e1cio e viu, entre outras duas, uma figura alquebrada e sem rumo. Perguntou: quem \u00e9? Responderam-lhe: Um velho. Sidarta, ainda n\u00e3o Buda, voltou ao seu pal\u00e1cio. E teria cunhado a frase: \u201ceu sou a morada da futura velhice\u201d. Assim, o \u00f3bvio n\u00e3o \u00e9 entendido pelos mais jovens a n\u00e3o admitir a velhice como futuro. Acreditam e pensam: esse tempo n\u00e3o chegar\u00e1, e se chegar, os encontrar\u00e1 ativos, ocupando mentes com trabalho, fam\u00edlia e cuidando dos corpos em academias, corridas e afins. Hoje, j\u00e1 se fala nos \u201cnovos velhos\u201d. Novos velhos? Seriam eles os desafiadores do tempo como fator determinante, indo buscar em suas pr\u00f3prias vidas a energia para manter o alento de ser ativo e \u00fatil? Seriam os descobridores, por suas leituras e pr\u00e1ticas pessoais, de caminhos definidos do bom uso do tempo extra conferido pela longevidade? Poderia ser uma nova gera\u00e7\u00e3o de pessoas a admitir a possibilidade de di\u00e1logo com os dos olhares da indiferen\u00e7a? Seriam, talvez, os cheios de sa\u00fade, corpos h\u00edgidos, apesar das c\u00e3s? Ou o que seria essa safra de novos velhos? Seriam as mulheres a disfar\u00e7ar o tempo com cirurgias reparadoras ou est\u00e9ticas? Ou homens unidos a mulheres com a metade de suas idades? Ou vice-versa? Ainda \u00e9 cedo para se definir essa gera\u00e7\u00e3o chegada aos sessenta, apostando que, em se cuidando, ter\u00e1 qualidade de vida para mais 20 ou 30 anos. O fato real para a maior qualidade de vida na pessoa dessa faixa de idade \u00e9 a sa\u00fade. E a sa\u00fade, salvo a hereditariedade, as surpresas dos males incur\u00e1veis, e as degenerativas, poder\u00e1 ser relativamente preservada. Se a velhice vier comboiada da maturidade \u2013 a idade e a capacidade de ser maduro \u2013 o caminho n\u00e3o ser\u00e1 uma estrada \u00edngreme, um tsunami ou um abismo. Creio, mas n\u00e3o tenho certeza: os caminhos n\u00e3o s\u00e3o nunca iguais para ningu\u00e9m. \u00c9 preciso viver na esperan\u00e7a, na tentativa, mesclando menos erros e mais acertos. 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