{"id":3376,"date":"2023-12-21T09:10:44","date_gmt":"2023-12-21T12:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/garcia-e-rodriguez-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:44","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:44","slug":"garcia-e-rodriguez-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/garcia-e-rodriguez-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"GARC\u00cdA E RODR\u00cdGUEZ &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Estou voltando de um voo rasante e pude confirmar o que j\u00e1 havia constatado o \u201cThe New York Times\u201d, em novembro passado. Hoje, nos Estados Unidos, entre os dez sobrenomes mais comuns, j\u00e1 h\u00e1 dois nomes hisp\u00e2nicos. Voc\u00eas sabem que houve uma guerra entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico entre os anos de 1846 e 48. Antes disso, o Texas j\u00e1 havia sido anexado \u00e0 Am\u00e9rica em 1836. Depois, sem entrar no m\u00e9rito, apenas citando o fato, durante dois anos, os Estados Unidos guerrearam contra o M\u00e9xico e, atrav\u00e9s do Tratado de Guadalupe-Hidalgo, uma esp\u00e9cie de rendi\u00e7\u00e3o, em 1848, os atuais estados do Texas, Novo M\u00e9xico, Arizona e Calif\u00f3rnia passaram a fazer parte da na\u00e7\u00e3o americana.<br \/>\nA \u00e1rea desses estados \u00e9 maior que a de muitos pa\u00edses europeus e sua grande fronteira com o M\u00e9xico tem permitido, desde esse tempo, a imigra\u00e7\u00e3o sazonal ou permanente de milh\u00f5es de mexicanos, legais e \u201cindocumentados\u201d. S\u00e3o, na maioria, trabalhadores, tempor\u00e1rios ou n\u00e3o, que, inicialmente, mourejavam nas grandes fazendas. Depois, nas ind\u00fastrias que ali foram sendo instaladas. Hoje, come\u00e7o de 2008, os Estados Unidos t\u00eam 300 milh\u00f5es de pessoas. Desses, 44 milh\u00f5es s\u00e3o latinos. A realidade nos mostra que a cultura americana n\u00e3o pode mais desconsiderar a for\u00e7a dessa latinidade espalhada da Calif\u00f3rnia, no Oeste, \u00e0 Fl\u00f3rida, no sul. Os latinos t\u00eam identidade cultural pr\u00f3pria que os leva, entre outras coisas, a preservar seus sobrenomes de origem, embora usem prenomes americanos. Assim \u00e9 que Garc\u00eda e Rodr\u00edguez est\u00e3o entre os dez sobrenomes mais comuns nos Estados Unidos, segundo dados do \u00faltimo Senso. E, entre os 25 sobrenomes mais comuns, j\u00e1 h\u00e1 seis latinos. Esses fatos t\u00eam motivado escritores, soci\u00f3logos, fil\u00f3sofos, antrop\u00f3logos e cineastas a discutirem sobre uma \u2018nova Am\u00e9rica\u2019, onde todos possam ter direitos, liberdade, igual oportunidade de trabalho e um sentimento de perten\u00e7a, sem a forma\u00e7\u00e3o de comunidades isoladas. Essa integra\u00e7\u00e3o, t\u00e3o sonhada, passar\u00e1 ainda pela vontade pol\u00edtica e j\u00e1 se manifesta na elei\u00e7\u00e3o crescente de congressistas com sobrenomes latinos, mas, ciosos de sua cidadania americana. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 13\/01\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou voltando de um voo rasante e pude confirmar o que j\u00e1 havia constatado o \u201cThe New York Times\u201d, em novembro passado. Hoje, nos Estados Unidos, entre os dez sobrenomes mais comuns, j\u00e1 h\u00e1 dois nomes hisp\u00e2nicos. Voc\u00eas sabem que houve uma guerra entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico entre os anos de 1846 e 48. Antes disso, o Texas j\u00e1 havia sido anexado \u00e0 Am\u00e9rica em 1836. Depois, sem entrar no m\u00e9rito, apenas citando o fato, durante dois anos, os Estados Unidos guerrearam contra o M\u00e9xico e, atrav\u00e9s do Tratado de Guadalupe-Hidalgo, uma esp\u00e9cie de rendi\u00e7\u00e3o, em 1848, os atuais estados do Texas, Novo M\u00e9xico, Arizona e Calif\u00f3rnia passaram a fazer parte da na\u00e7\u00e3o americana.<br \/>\nA \u00e1rea desses estados \u00e9 maior que a de muitos pa\u00edses europeus e sua grande fronteira com o M\u00e9xico tem permitido, desde esse tempo, a imigra\u00e7\u00e3o sazonal ou permanente de milh\u00f5es de mexicanos, legais e \u201cindocumentados\u201d. S\u00e3o, na maioria, trabalhadores, tempor\u00e1rios ou n\u00e3o, que, inicialmente, mourejavam nas grandes fazendas. Depois, nas ind\u00fastrias que ali foram sendo instaladas. Hoje, come\u00e7o de 2008, os Estados Unidos t\u00eam 300 milh\u00f5es de pessoas. Desses, 44 milh\u00f5es s\u00e3o latinos. A realidade nos mostra que a cultura americana n\u00e3o pode mais desconsiderar a for\u00e7a dessa latinidade espalhada da Calif\u00f3rnia, no Oeste, \u00e0 Fl\u00f3rida, no sul. Os latinos t\u00eam identidade cultural pr\u00f3pria que os leva, entre outras coisas, a preservar seus sobrenomes de origem, embora usem prenomes americanos. Assim \u00e9 que Garc\u00eda e Rodr\u00edguez est\u00e3o entre os dez sobrenomes mais comuns nos Estados Unidos, segundo dados do \u00faltimo Senso. E, entre os 25 sobrenomes mais comuns, j\u00e1 h\u00e1 seis latinos. Esses fatos t\u00eam motivado escritores, soci\u00f3logos, fil\u00f3sofos, antrop\u00f3logos e cineastas a discutirem sobre uma \u2018nova Am\u00e9rica\u2019, onde todos possam ter direitos, liberdade, igual oportunidade de trabalho e um sentimento de perten\u00e7a, sem a forma\u00e7\u00e3o de comunidades isoladas. 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