{"id":3380,"date":"2023-12-21T09:10:44","date_gmt":"2023-12-21T12:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vida-de-estudante-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:44","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:44","slug":"vida-de-estudante-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vida-de-estudante-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"VIDA DE ESTUDANTE &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Com o andamento da vida, ainda que n\u00e3o se queira, voltam muitas coisas do passado. E escrevo sobretudo para jovens que andam reclamando do celular, computador, I-Pod etc. E querem carro. A coisa era diferente. Estou lembrando do meu tempo de estudante. N\u00e3o existia nada disso, tampouco havia o \u201cGoogle\u201d para pesquisar. Era uma corrida louca, pois fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades. Administra\u00e7\u00e3o, pela manh\u00e3. Direito, \u00e0 noite. Trabalhava \u00e0 tarde, escrevia uma coluna di\u00e1ria em jornal, era correspondente de uma revista e fazia pol\u00edtica universit\u00e1ria. Com as sofridas e pr\u00f3prias economias havia comprado um carrinho. Uma \u201cgaforinga\u201d, como o chamava o meu professor Parsifal Barroso, ent\u00e3o governador do Estado, a quem tinha a ousadia de dar carona, imagine. Pois bem, esse carrinho, um Anglia, era bem conservado, apesar de velho e o grande luxo \u2013 para mim \u2013 de possuir vidros com ma\u00e7anetas que os faziam subir e poder usar o banco traseiro como biblioteca ambulante. Talvez eu precise explicar que o meu primeiro carro, anterior a esse, era uma anci\u00e3 camioneta Hudson, bol\u00e9ia de madeira, freio em uma s\u00f3 roda, sem vidros e apenas compat\u00edvel com a minha quase liseira. O Anglia era, pois, uma evolu\u00e7\u00e3o. Troquei-o por um Dauphine, bem menos usado, suando para pagar a volta. Quase no final do curso de Administra\u00e7\u00e3o, resolvi criar uma empresa. \u00c9ramos eu e eu. Escolhi um pomposo nome e fui fazer pesquisas e dar consultoria. Assim \u00e9 que, de um dia para a noite, me vi diretor de um curso de idiomas. Esse curso era uma franquia e o franqueado de Fortaleza havia me contratado para organiz\u00e1-lo e, sem pr\u00e9vio aviso, sumiu. Liguei para S\u00e3o Paulo, contei o fato e eles responderam: fique voc\u00ea no lugar dele. Pense tudo isso junto na cabe\u00e7a de um crist\u00e3o mal entrado nos vinte. Mas, fui \u00e0 luta e deu certo. No ano seguinte, passei o curso para frente e continuei a trabalhar, ao mesmo tempo em que dava aulas, sem saber de quase nada. Apesar do corre-corre, fui um razo\u00e1vel estudante. Terminei os cursos com boa m\u00e9dia e um carro Gordine zero. Era a gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 27\/01\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o andamento da vida, ainda que n\u00e3o se queira, voltam muitas coisas do passado. E escrevo sobretudo para jovens que andam reclamando do celular, computador, I-Pod etc. E querem carro. A coisa era diferente. Estou lembrando do meu tempo de estudante. N\u00e3o existia nada disso, tampouco havia o \u201cGoogle\u201d para pesquisar. Era uma corrida louca, pois fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades. Administra\u00e7\u00e3o, pela manh\u00e3. Direito, \u00e0 noite. Trabalhava \u00e0 tarde, escrevia uma coluna di\u00e1ria em jornal, era correspondente de uma revista e fazia pol\u00edtica universit\u00e1ria. Com as sofridas e pr\u00f3prias economias havia comprado um carrinho. 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