{"id":3384,"date":"2023-12-21T09:10:44","date_gmt":"2023-12-21T12:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/horoscopos-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:44","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:44","slug":"horoscopos-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/horoscopos-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"HOR\u00d3SCOPOS &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>A maioria das pessoas se descuida do hoje na esperan\u00e7a de um futuro melhor. Acreditam que chegar\u00e1 um tempo em que tudo estar\u00e1 bem. As d\u00edvidas ser\u00e3o pagas, haver\u00e1 bom emprego, carro novo substituir\u00e1 o comprado no cons\u00f3rcio e a casa pr\u00f3pria ser\u00e1 alcan\u00e7ada. E fazem isso n\u00e3o como atitude, determina\u00e7\u00e3o e desempenho profissional, mas sob o manto da magia, esperan\u00e7a e da f\u00e9. N\u00e3o apenas da f\u00e9 religiosa. A que nos \u00e9 legada, quase sempre, pelos ancestrais e que cultuamos ou n\u00e3o. Mas na procura de or\u00e1culos, divindades e a cren\u00e7a, por exemplo, na astrologia. H\u00e1 revistas, livros, sites, \u201cblogs\u201d aos milhares na Internet, isto sem falar nas colunas de hor\u00f3scopos de revistas e jornais espalhados pelo mundo.<br \/>\nMuita gente, ao abrir o jornal ou revista, vai direto ao hor\u00f3scopo e se sente influenciada pela predi\u00e7\u00e3o do seu signo. H\u00e1 ainda os que pagam por mapas astrais, tar\u00f4s e quiromantes. Procuram respostas para quest\u00f5es pessoais e formas de superar medos, desvios de personalidade ou de meras limita\u00e7\u00f5es. Sabedores disso, muita gente aproveita e se estabelece, como \u201cconsultores\u201d pessoais nessa \u00e1rea, t\u00e3o m\u00edtica quanto atraente, na busca de respostas para quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas do mundo real ao qual pertencemos. E as colunas de hor\u00f3scopo, embora singelas e feitas at\u00e9 para dar \u00e2nimo ou esperan\u00e7a, n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes dos livros de autoajuda que vendem como banana e, quase sempre, restam guardados sem que seus leitores encontrem ali solu\u00e7\u00f5es miraculosas.<br \/>\nNo fim da d\u00e9cada de 50, os fil\u00f3sofos Roland Barthes, franc\u00eas, e Theodor Adorno, alem\u00e3o, fizeram trabalhos distintos sobre hor\u00f3scopos. Roland Barthes escreveu o livro \u201cMitologias\u201d, em que analisa a coluna de hor\u00f3scopo da revista \u201cElle\u201d. Adorno se valeu do \u201cLos Angeles Times\u201d e sua coluna di\u00e1ria sobre signos para escrever \u201cAs estrelas descem \u00e0 terra\u201d. Ambos desmistificam o assunto. Para Adorno tratava-se de \u201csupersti\u00e7\u00e3o de segunda m\u00e3o\u201d. Barthes dizia que a sua leitura \u00e9 prova de \u201csemi-aliena\u00e7\u00e3o\u201d. Para Ricardo Musse, soci\u00f3logo, USP, baseado nos dois citados, os hor\u00f3scopos de hoje, como os de antes, s\u00e3o \u201cespelhos do mundo social\u201d. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 10\/02\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria das pessoas se descuida do hoje na esperan\u00e7a de um futuro melhor. Acreditam que chegar\u00e1 um tempo em que tudo estar\u00e1 bem. As d\u00edvidas ser\u00e3o pagas, haver\u00e1 bom emprego, carro novo substituir\u00e1 o comprado no cons\u00f3rcio e a casa pr\u00f3pria ser\u00e1 alcan\u00e7ada. E fazem isso n\u00e3o como atitude, determina\u00e7\u00e3o e desempenho profissional, mas sob o manto da magia, esperan\u00e7a e da f\u00e9. N\u00e3o apenas da f\u00e9 religiosa. A que nos \u00e9 legada, quase sempre, pelos ancestrais e que cultuamos ou n\u00e3o. Mas na procura de or\u00e1culos, divindades e a cren\u00e7a, por exemplo, na astrologia. H\u00e1 revistas, livros, sites, \u201cblogs\u201d aos milhares na Internet, isto sem falar nas colunas de hor\u00f3scopos de revistas e jornais espalhados pelo mundo.<br \/>\nMuita gente, ao abrir o jornal ou revista, vai direto ao hor\u00f3scopo e se sente influenciada pela predi\u00e7\u00e3o do seu signo. H\u00e1 ainda os que pagam por mapas astrais, tar\u00f4s e quiromantes. Procuram respostas para quest\u00f5es pessoais e formas de superar medos, desvios de personalidade ou de meras limita\u00e7\u00f5es. Sabedores disso, muita gente aproveita e se estabelece, como \u201cconsultores\u201d pessoais nessa \u00e1rea, t\u00e3o m\u00edtica quanto atraente, na busca de respostas para quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas do mundo real ao qual pertencemos. E as colunas de hor\u00f3scopo, embora singelas e feitas at\u00e9 para dar \u00e2nimo ou esperan\u00e7a, n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes dos livros de autoajuda que vendem como banana e, quase sempre, restam guardados sem que seus leitores encontrem ali solu\u00e7\u00f5es miraculosas.<br \/>\nNo fim da d\u00e9cada de 50, os fil\u00f3sofos Roland Barthes, franc\u00eas, e Theodor Adorno, alem\u00e3o, fizeram trabalhos distintos sobre hor\u00f3scopos. Roland Barthes escreveu o livro \u201cMitologias\u201d, em que analisa a coluna de hor\u00f3scopo da revista \u201cElle\u201d. Adorno se valeu do \u201cLos Angeles Times\u201d e sua coluna di\u00e1ria sobre signos para escrever \u201cAs estrelas descem \u00e0 terra\u201d. Ambos desmistificam o assunto. Para Adorno tratava-se de \u201csupersti\u00e7\u00e3o de segunda m\u00e3o\u201d. Barthes dizia que a sua leitura \u00e9 prova de \u201csemi-aliena\u00e7\u00e3o\u201d. Para Ricardo Musse, soci\u00f3logo, USP, baseado nos dois citados, os hor\u00f3scopos de hoje, como os de antes, s\u00e3o \u201cespelhos do mundo social\u201d. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 10\/02\/2008.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3384\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}