{"id":3387,"date":"2023-12-21T09:10:44","date_gmt":"2023-12-21T12:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/empresario-do-imperio-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:44","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:44","slug":"empresario-do-imperio-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/empresario-do-imperio-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"EMPRES\u00c1RIO DO IMP\u00c9RIO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Caldeira, jornalista, soci\u00f3logo, cientista pol\u00edtico, agora eleito para a Academia Paulista de Letras, utilizou tr\u00eas anos entre a pesquisa e a publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cMau\u00e1, Empres\u00e1rio do imp\u00e9rio\u201d, edi\u00e7\u00e3o da Cia das Letras, em 1995. O resultado das 557 p\u00e1ginas \u00e9 consagrador.<br \/>\nPor muito tempo na lista dos livros mais vendidos, &#8220;Mau\u00e1\u201d representa o resgate da figura de um menino pobre do Rio Grande do Sul que chegou ao Rio de Janeiro no ano da independ\u00eancia do Brasil com nove anos de idade. Empregou-se como \u201ccaixeiro\u201d; aos 15 j\u00e1 sabia tudo de com\u00e9rcio e aos 30 era um grande empres\u00e1rio, homem \u00e0 frente de seu tempo e foco de invejas at\u00e9 do Imperador D. Pedro ll, a quem fez, sutilmente, conduzir um carro de m\u00e3o e utilizar uma p\u00e1 no lan\u00e7amento de uma ferrovia.<br \/>\nO trabalho, naquele tempo, era apenas para escravos. lrineu Evangelista de Sousa, o bar\u00e3o de Mau\u00e1, desmitificou essa ideia ao contratar t\u00e9cnicos e m\u00e3o-de-obra na Europa, com vis\u00e3o de mundo que ainda hoje causaria furor. Lan\u00e7ou-se em empreitadas t\u00e3o dispares como a ind\u00fastria naval, cria\u00e7\u00e3o de bancos, estradas de ferro, navega\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, empr\u00e9stimos no Uruguai, ilumina\u00e7\u00e3o a g\u00e1s no Rio de Janeiro e, ao final de sua vida, \u00e0 atividade agropecu\u00e1ria, tendo a coragem de trazer chineses para ajud\u00e1-lo nessa tarefa. O livro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Mau\u00e1. Jorge Caldeira repassa, com uma vis\u00e3o moderna, toda a hist\u00f3ria brasileira do s\u00e9culo XIX, desde a chegada da fam\u00edlia real portuguesa enxotada por Napole\u00e3o, em 1808, sua estada no Rio de Janeiro, a influ\u00eancia dos traficantes de escravos, a distribui\u00e7\u00e3o de empregos p\u00fablicos para os amigos da Corte e a tutela inglesa em todas as nossas a\u00e7\u00f5es. Relata ainda a volta de D.Jo\u00e3o Vi \u00e0 Lisboa, as reg\u00eancias, especialmente a do Pe. Diogo Antonio Feij\u00f3 e sua controvertida figura de filho de padre e de ter tido, tal como seu pai, v\u00e1rios filhos. Destaca a personalidade de D.Pedro I e se det\u00e9m em D.Pedro II, que nunca teve a dimens\u00e3o que alguns historiadores lhe conferem nestes duzentos anos da chegada da fam\u00edlia real ao Brasil.<br \/>\n\u201cMau\u00e1\u201d \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil, das tricas e futricas pela subscri\u00e7\u00e3o de suas primeiras a\u00e7\u00f5es e do uso, j\u00e1 naquela \u00e9poca, da institui\u00e7\u00e3o para beneficiar, a juros baixos, os amigos do Imperador, a quem Caldeira, por descuido ou sutileza, chama de rei em diversas partes de seu livro. Ele deve ser lido por todos os que acreditam no trabalho, na vit\u00f3ria da compet\u00eancia sobre a maledic\u00eancia, na capacidade de superar obst\u00e1culos (faliu e deu a volta por cima) e de aliar tino empresarial a um conhecimento intelectual de fazer inveja, pois lia, em ingl\u00eas, as obras de Adam Smith, Ricardo, Mill e Bentham. O resgate da figura de \u201cMau\u00e1\u201d por Jorge Caldeira \u00e9 um presente que se oferece aos jovens e, principalmente aos estudiosos da vida empresarial brasileira do S\u00e9culo XIX. N\u00e3o basta comprar o livro, melhor que isso \u00e9 l\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 22\/02\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Caldeira, jornalista, soci\u00f3logo, cientista pol\u00edtico, agora eleito para a Academia Paulista de Letras, utilizou tr\u00eas anos entre a pesquisa e a publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cMau\u00e1, Empres\u00e1rio do imp\u00e9rio\u201d, edi\u00e7\u00e3o da Cia das Letras, em 1995. O resultado das 557 p\u00e1ginas \u00e9 consagrador.<br \/>\nPor muito tempo na lista dos livros mais vendidos, &#8220;Mau\u00e1\u201d representa o resgate da figura de um menino pobre do Rio Grande do Sul que chegou ao Rio de Janeiro no ano da independ\u00eancia do Brasil com nove anos de idade. Empregou-se como \u201ccaixeiro\u201d; aos 15 j\u00e1 sabia tudo de com\u00e9rcio e aos 30 era um grande empres\u00e1rio, homem \u00e0 frente de seu tempo e foco de invejas at\u00e9 do Imperador D. Pedro ll, a quem fez, sutilmente, conduzir um carro de m\u00e3o e utilizar uma p\u00e1 no lan\u00e7amento de uma ferrovia.<br \/>\nO trabalho, naquele tempo, era apenas para escravos. lrineu Evangelista de Sousa, o bar\u00e3o de Mau\u00e1, desmitificou essa ideia ao contratar t\u00e9cnicos e m\u00e3o-de-obra na Europa, com vis\u00e3o de mundo que ainda hoje causaria furor. Lan\u00e7ou-se em empreitadas t\u00e3o dispares como a ind\u00fastria naval, cria\u00e7\u00e3o de bancos, estradas de ferro, navega\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, empr\u00e9stimos no Uruguai, ilumina\u00e7\u00e3o a g\u00e1s no Rio de Janeiro e, ao final de sua vida, \u00e0 atividade agropecu\u00e1ria, tendo a coragem de trazer chineses para ajud\u00e1-lo nessa tarefa. O livro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Mau\u00e1. Jorge Caldeira repassa, com uma vis\u00e3o moderna, toda a hist\u00f3ria brasileira do s\u00e9culo XIX, desde a chegada da fam\u00edlia real portuguesa enxotada por Napole\u00e3o, em 1808, sua estada no Rio de Janeiro, a influ\u00eancia dos traficantes de escravos, a distribui\u00e7\u00e3o de empregos p\u00fablicos para os amigos da Corte e a tutela inglesa em todas as nossas a\u00e7\u00f5es. Relata ainda a volta de D.Jo\u00e3o Vi \u00e0 Lisboa, as reg\u00eancias, especialmente a do Pe. Diogo Antonio Feij\u00f3 e sua controvertida figura de filho de padre e de ter tido, tal como seu pai, v\u00e1rios filhos. Destaca a personalidade de D.Pedro I e se det\u00e9m em D.Pedro II, que nunca teve a dimens\u00e3o que alguns historiadores lhe conferem nestes duzentos anos da chegada da fam\u00edlia real ao Brasil.<br \/>\n\u201cMau\u00e1\u201d \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil, das tricas e futricas pela subscri\u00e7\u00e3o de suas primeiras a\u00e7\u00f5es e do uso, j\u00e1 naquela \u00e9poca, da institui\u00e7\u00e3o para beneficiar, a juros baixos, os amigos do Imperador, a quem Caldeira, por descuido ou sutileza, chama de rei em diversas partes de seu livro. Ele deve ser lido por todos os que acreditam no trabalho, na vit\u00f3ria da compet\u00eancia sobre a maledic\u00eancia, na capacidade de superar obst\u00e1culos (faliu e deu a volta por cima) e de aliar tino empresarial a um conhecimento intelectual de fazer inveja, pois lia, em ingl\u00eas, as obras de Adam Smith, Ricardo, Mill e Bentham. O resgate da figura de \u201cMau\u00e1\u201d por Jorge Caldeira \u00e9 um presente que se oferece aos jovens e, principalmente aos estudiosos da vida empresarial brasileira do S\u00e9culo XIX. N\u00e3o basta comprar o livro, melhor que isso \u00e9 l\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 22\/02\/2008.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}