{"id":3389,"date":"2023-12-21T09:10:45","date_gmt":"2023-12-21T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-tempo-marca-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:45","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:45","slug":"o-tempo-marca-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-tempo-marca-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"O TEMPO MARCA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o importam idade, o sexo, cor, capitais e estado civil, todos v\u00e3o recebendo marcas da vida ao longo dos dias. Todos v\u00e3o somando alegnas, enganos, tristezas, acertos, dores, solid\u00e3o, encontros e coisas que tais. De repente, as marcas v\u00e3o povoando o esp\u00edrito, quando n\u00e3o se transmudam em somatiza\u00e7\u00f5es t\u00e3o reais que podem ser auscultadas, sentidas e vistas. Essas marcas s\u00e3o mais fortes na medida em que n\u00e3o sabemos o nosso limite, a hora de mudar de rumo, de n\u00e3o entender o outro como proje\u00e7\u00e3o dos nossos desejos e aceitar que as promessas e juras s\u00e3o frutos de um contexto que se transforma no tempo com a lucidez ou a mudan\u00e7a de personagens.<br \/>\nAs marcas ficam t\u00eanues quando entendemos e admitimos que n\u00f3s temos todas as respostas e que ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelos nossos desatinos e a indecis\u00e3o que machuca, desconforta e imobiliza. Ningu\u00e9m tem respostas para voc\u00ea ou sabe o tempero que nutre as esperan\u00e7as e as alegorias que embalam os seus sonhos. N\u00e3o h\u00e1 como procurar muletas e admitir que algu\u00e9m possa resolver os seus problemas. Mergulhe na \u00e1gua da sabedoria, que \u00e9 a sua praia pessoal, e saia ungido da certeza, da confian\u00e7a em si mesmo.<br \/>\nNa medida em que voc\u00ea confia em si, os outros deixam de ser acess\u00f3rios ou adornos e passam a ser companheiros e o compartilhamento \u00e9 o somat\u00f3rio do esfor\u00e7o comum e n\u00e3o de frustra\u00e7\u00f5es e quimeras. A confian\u00e7a em si \u00e9 um pressuposto b\u00e1sico para a independ\u00eancia e sem independ\u00eancia n\u00e3o se pode ser livre e quem n\u00e3o \u00e9 livre n\u00e3o sabe amar. O amor-submiss\u00e3o e o amor-depend\u00eancia s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es ultrapassadas e neur\u00f3ticas que reduzem os seus participes a meros marionetes do destino. A eclos\u00e3o da independ\u00eancia e da liberdade se extravasam no amor pr\u00f3prio, na aceita\u00e7\u00e3o de si mesmo sem justificativas ou sentimento de culpa. A sua singularidade \u00e9 um aviso, um balizamento para respeitar a identidade alheia e os acontecimentos devem abrir a sua mente em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo que nunca ser\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo que possa fundir\u00ac -se ou confundir-se com voc\u00ea. Como bem disse Ana Maria Oz\u00f3rio de Almeida: \u201cPrecisamos aprender a n\u00e3o carregarmos pesos demais, n\u00e3o escondermos de n\u00f3s mesmos dores n\u00e3o saradas, n\u00e3o desperdi\u00e7armos energia criativa, a energia do prazer, em remendos mal feitos\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/02\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o importam idade, o sexo, cor, capitais e estado civil, todos v\u00e3o recebendo marcas da vida ao longo dos dias. Todos v\u00e3o somando alegnas, enganos, tristezas, acertos, dores, solid\u00e3o, encontros e coisas que tais. De repente, as marcas v\u00e3o povoando o esp\u00edrito, quando n\u00e3o se transmudam em somatiza\u00e7\u00f5es t\u00e3o reais que podem ser auscultadas, sentidas e vistas. Essas marcas s\u00e3o mais fortes na medida em que n\u00e3o sabemos o nosso limite, a hora de mudar de rumo, de n\u00e3o entender o outro como proje\u00e7\u00e3o dos nossos desejos e aceitar que as promessas e juras s\u00e3o frutos de um contexto que se transforma no tempo com a lucidez ou a mudan\u00e7a de personagens.<br \/>\nAs marcas ficam t\u00eanues quando entendemos e admitimos que n\u00f3s temos todas as respostas e que ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelos nossos desatinos e a indecis\u00e3o que machuca, desconforta e imobiliza. Ningu\u00e9m tem respostas para voc\u00ea ou sabe o tempero que nutre as esperan\u00e7as e as alegorias que embalam os seus sonhos. N\u00e3o h\u00e1 como procurar muletas e admitir que algu\u00e9m possa resolver os seus problemas. Mergulhe na \u00e1gua da sabedoria, que \u00e9 a sua praia pessoal, e saia ungido da certeza, da confian\u00e7a em si mesmo.<br \/>\nNa medida em que voc\u00ea confia em si, os outros deixam de ser acess\u00f3rios ou adornos e passam a ser companheiros e o compartilhamento \u00e9 o somat\u00f3rio do esfor\u00e7o comum e n\u00e3o de frustra\u00e7\u00f5es e quimeras. A confian\u00e7a em si \u00e9 um pressuposto b\u00e1sico para a independ\u00eancia e sem independ\u00eancia n\u00e3o se pode ser livre e quem n\u00e3o \u00e9 livre n\u00e3o sabe amar. O amor-submiss\u00e3o e o amor-depend\u00eancia s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es ultrapassadas e neur\u00f3ticas que reduzem os seus participes a meros marionetes do destino. A eclos\u00e3o da independ\u00eancia e da liberdade se extravasam no amor pr\u00f3prio, na aceita\u00e7\u00e3o de si mesmo sem justificativas ou sentimento de culpa. A sua singularidade \u00e9 um aviso, um balizamento para respeitar a identidade alheia e os acontecimentos devem abrir a sua mente em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo que nunca ser\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo que possa fundir\u00ac -se ou confundir-se com voc\u00ea. Como bem disse Ana Maria Oz\u00f3rio de Almeida: \u201cPrecisamos aprender a n\u00e3o carregarmos pesos demais, n\u00e3o escondermos de n\u00f3s mesmos dores n\u00e3o saradas, n\u00e3o desperdi\u00e7armos energia criativa, a energia do prazer, em remendos mal feitos\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/02\/2008.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3389\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}