{"id":3396,"date":"2023-12-21T09:10:45","date_gmt":"2023-12-21T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-ressurreicao-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:45","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:45","slug":"a-ressurreicao-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-ressurreicao-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"A Ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Neste domingo de P\u00e1scoa &#8211; a data m\u00f3vel da f\u00e9 crist\u00e3 para simbolizar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, tr\u00eas dias ap\u00f3s sua morte &#8211; al\u00e9m das poucas ou muitas ora\u00e7\u00f5es nas igrejas e das comidas e bebidas que s\u00e3o colocadas sobre as mesas dos que muito t\u00eam e daqueles que quase nada possuem, \u00e9 preciso fazer uma reflex\u00e3o pessoal sobre a nossa vis\u00e3o laica da data. \u00c9 certo que a maioria de n\u00f3s n\u00e3o possui embasamento teol\u00f3gico ou religioso para falar sobre os mist\u00e9rios da cristandade e muito menos da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O pouco que sabemos, como leigos, \u00e9 que, simbolicamente, todos n\u00f3s poderemos ressuscitar, aqui ou no al\u00e9m. Sair de uma \u2018morte\u2019 em vida e conseguir uma passagem ou encontro com o que acreditamos ser verdadeiro ou, pelo menos, se ajuste ao conceito comum de amor ao pr\u00f3ximo. N\u00e3o o amor ao pr\u00f3ximo estereotipado, coisificado, aparente e ao alcance da vista dos outros, mas o que se pode fazer em sil\u00eancio, sem que a vaidade da a\u00e7\u00e3o seja maior que o pr\u00f3prio bem produzido.<br \/>\nE h\u00e1 tanta gente simples que tem a capacidade de nos transmitir essa boa vontade, a capacidade de se doar ao outro, a de ver o outro n\u00e3o com os olhos dissimulados da inveja, mas com a compaix\u00e3o e a afei\u00e7\u00e3o que enlevam e nos tornam pr\u00f3ximos, sem que seja necess\u00e1rio seguir regras de etiqueta e tampouco trocar palavras amenas aprendidas e n\u00e3o vivenciadas. O amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 atitude. \u00c9 descobrir o que o outro pode precisar sem que ele nos pe\u00e7a e \u00e9 tamb\u00e9m disponibilizar o nosso tempo para ouvir o outro, sem a urg\u00eancia que comanda a vida atribulada de cada um. \u00c9, sobretudo, o amor a si pr\u00f3prio, o n\u00e3o compactuar com aquilo que o agride, incomoda ou interfere nas suas refer\u00eancias b\u00e1sicas ou padr\u00f5es pessoais, sempre sabendo que n\u00e3o somos o centro do mundo, mas temos que ter uma diretriz para a nossa pr\u00f3pria vida. A ressurrei\u00e7\u00e3o pode ser quem sabe, a capacidade de, ainda nesta vida, acreditar no outro e na cura dos seus males f\u00edsicos ou espirituais. \u00c9 acolher a capacidade de manter ou fazer ressurgir o amor na fam\u00edlia e no pr\u00f3ximo, do encontro verdadeiro que gera alegria e paz, generosidade espont\u00e2nea e a bondade que redundam na confian\u00e7a que conforta e redime.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 23\/03\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo de P\u00e1scoa &#8211; a data m\u00f3vel da f\u00e9 crist\u00e3 para simbolizar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, tr\u00eas dias ap\u00f3s sua morte &#8211; al\u00e9m das poucas ou muitas ora\u00e7\u00f5es nas igrejas e das comidas e bebidas que s\u00e3o colocadas sobre as mesas dos que muito t\u00eam e daqueles que quase nada possuem, \u00e9 preciso fazer uma reflex\u00e3o pessoal sobre a nossa vis\u00e3o laica da data. \u00c9 certo que a maioria de n\u00f3s n\u00e3o possui embasamento teol\u00f3gico ou religioso para falar sobre os mist\u00e9rios da cristandade e muito menos da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O pouco que sabemos, como leigos, \u00e9 que, simbolicamente, todos n\u00f3s poderemos ressuscitar, aqui ou no al\u00e9m. Sair de uma \u2018morte\u2019 em vida e conseguir uma passagem ou encontro com o que acreditamos ser verdadeiro ou, pelo menos, se ajuste ao conceito comum de amor ao pr\u00f3ximo. N\u00e3o o amor ao pr\u00f3ximo estereotipado, coisificado, aparente e ao alcance da vista dos outros, mas o que se pode fazer em sil\u00eancio, sem que a vaidade da a\u00e7\u00e3o seja maior que o pr\u00f3prio bem produzido.<br \/>\nE h\u00e1 tanta gente simples que tem a capacidade de nos transmitir essa boa vontade, a capacidade de se doar ao outro, a de ver o outro n\u00e3o com os olhos dissimulados da inveja, mas com a compaix\u00e3o e a afei\u00e7\u00e3o que enlevam e nos tornam pr\u00f3ximos, sem que seja necess\u00e1rio seguir regras de etiqueta e tampouco trocar palavras amenas aprendidas e n\u00e3o vivenciadas. O amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 atitude. \u00c9 descobrir o que o outro pode precisar sem que ele nos pe\u00e7a e \u00e9 tamb\u00e9m disponibilizar o nosso tempo para ouvir o outro, sem a urg\u00eancia que comanda a vida atribulada de cada um. \u00c9, sobretudo, o amor a si pr\u00f3prio, o n\u00e3o compactuar com aquilo que o agride, incomoda ou interfere nas suas refer\u00eancias b\u00e1sicas ou padr\u00f5es pessoais, sempre sabendo que n\u00e3o somos o centro do mundo, mas temos que ter uma diretriz para a nossa pr\u00f3pria vida. 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