{"id":3401,"date":"2023-12-21T09:10:45","date_gmt":"2023-12-21T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-cidade-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:45","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:45","slug":"a-cidade-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-cidade-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"A CIDADE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Convivo com arquitetos e urbanistas h\u00e1 bastante tempo. No come\u00e7o da vida profissional verifiquei, como hoje se diz, existir um \u201cnicho\u201d na \u00e1rea de planejamento urbano em todo o Nordeste brasileiro. Reuni alguns bons nomes como Marrocos Arag\u00e3o, Juremir Braga e Jorge Neves e passamos, junto com profissionais de outras \u00e1reas, a trabalhar o caos. \u00c9 claro que as nossas interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiveram a ousadia de um Napole\u00e3o III que modificou no s\u00e9culo XIX, com a ajuda de Georges Haussmann, prefeito de Paris por 17 anos, a fei\u00e7\u00e3o urbana da Cidade Luz. Mas tentamos.<br \/>\nO urbanista, no meu pensar, deve ter uma antevis\u00e3o do futuro e buscar formas que se ajustem ou se contraponham ao espa\u00e7o urbano onde interv\u00e9m. N\u00e3o estou falando do arquiteto como mero criador de habita\u00e7\u00f5es uni ou plurifamiliares, mas enquanto urbanista onde a singeleza de meros tra\u00e7os define o que se pretende no processo de interven\u00e7\u00e3o no tecido da cidade, deixando exposta sua genialidade. Algu\u00e9m bagagem urban\u00edstica, refere que Fortaleza n\u00e3o tem &#8211; salvo exce\u00e7\u00f5es &#8211; nada a preservar. Diz que as interven\u00e7\u00f5es j\u00e1 sofridas n\u00e3o podem ser criticadas por quem n\u00e3o \u00e9 do m\u00e9tier. Discordo. O urbanismo n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio ou casamata. O urbanismo comporta uma vis\u00e3o multidisciplinar que come\u00e7a com ge\u00f3grafos, ecologistas, ge\u00f3logos, passa por engenheiros, remonta aos historiadores, procura economistas para c\u00e1lculos de viabilidade, administradores para ajust\u00e1-lo \u00e0 realidade e advogados para transformar as legisla\u00e7\u00f5es de \u00e1reas renovadas. Tudo sendo discutido no f\u00f3ro pr\u00f3prio, a C\u00e2mara de Vereadores.<br \/>\nFortaleza, at\u00e9 os anos 60, n\u00e3o havia descoberto o mar. A descoberta recente da orla mar\u00edtima; seu uso indiscriminado com edif\u00edcios de alto porte; a prolifera\u00e7\u00e3o de barracas de toda natureza tal qual uma babel; e o projeto da Praia de lracema exigem ainda um repensar global., a vir com o novo Plano Diretor. Tudo isso tem a ver n\u00e3o somente com interven\u00e7\u00f5es que Fortaleza sofrer\u00e1 com o Metrofor e o Transfor, mas com o crescimento total no limitado territ\u00f3rio de 336km2.\u00c9 preciso encorajar o Munic\u00edpio e o Estado a discuss\u00f5es conjuntas mais profundas sobre o que pretendem fazer na cidade. \u00c9 importante que cada grande interven\u00e7\u00e3o urbana tenha o aval de outros que, por verem de forma diferente, complementam, ajustam, discordam at\u00e9 e, por certo, enriquecem as concep\u00e7\u00f5es dos t\u00e9cnicos. Tomemos o caso de Paris. L\u00e1 as ZAC (Zone D\u2019Am\u00e9nagement Concert\u00e9) passam por todo um processo de an\u00e1lise hist\u00f3rica, social, financeira e gerencial, at\u00e9 que os urbanistas possam definir as mudan\u00e7as estruturais de uma zona de recupera\u00e7\u00e3o. A ousadia, ponto basilar ou caracter\u00edstica nas interven\u00e7\u00f5es urbanas de profundidade, deve ter como contraponto a coer\u00eancia dos que podem e devem ajudar como profissionais ou cidad\u00e3os a definir o futuro das cidades onde moram, tomando-as habit\u00e1veis e atraentes.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11\/04\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convivo com arquitetos e urbanistas h\u00e1 bastante tempo. No come\u00e7o da vida profissional verifiquei, como hoje se diz, existir um \u201cnicho\u201d na \u00e1rea de planejamento urbano em todo o Nordeste brasileiro. 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Diz que as interven\u00e7\u00f5es j\u00e1 sofridas n\u00e3o podem ser criticadas por quem n\u00e3o \u00e9 do m\u00e9tier. Discordo. O urbanismo n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio ou casamata. O urbanismo comporta uma vis\u00e3o multidisciplinar que come\u00e7a com ge\u00f3grafos, ecologistas, ge\u00f3logos, passa por engenheiros, remonta aos historiadores, procura economistas para c\u00e1lculos de viabilidade, administradores para ajust\u00e1-lo \u00e0 realidade e advogados para transformar as legisla\u00e7\u00f5es de \u00e1reas renovadas. Tudo sendo discutido no f\u00f3ro pr\u00f3prio, a C\u00e2mara de Vereadores.<br \/>\nFortaleza, at\u00e9 os anos 60, n\u00e3o havia descoberto o mar. A descoberta recente da orla mar\u00edtima; seu uso indiscriminado com edif\u00edcios de alto porte; a prolifera\u00e7\u00e3o de barracas de toda natureza tal qual uma babel; e o projeto da Praia de lracema exigem ainda um repensar global., a vir com o novo Plano Diretor. Tudo isso tem a ver n\u00e3o somente com interven\u00e7\u00f5es que Fortaleza sofrer\u00e1 com o Metrofor e o Transfor, mas com o crescimento total no limitado territ\u00f3rio de 336km2.\u00c9 preciso encorajar o Munic\u00edpio e o Estado a discuss\u00f5es conjuntas mais profundas sobre o que pretendem fazer na cidade. \u00c9 importante que cada grande interven\u00e7\u00e3o urbana tenha o aval de outros que, por verem de forma diferente, complementam, ajustam, discordam at\u00e9 e, por certo, enriquecem as concep\u00e7\u00f5es dos t\u00e9cnicos. Tomemos o caso de Paris. L\u00e1 as ZAC (Zone D\u2019Am\u00e9nagement Concert\u00e9) passam por todo um processo de an\u00e1lise hist\u00f3rica, social, financeira e gerencial, at\u00e9 que os urbanistas possam definir as mudan\u00e7as estruturais de uma zona de recupera\u00e7\u00e3o. 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