{"id":3405,"date":"2023-12-21T09:10:45","date_gmt":"2023-12-21T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/falsas-ditaduras-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:45","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:45","slug":"falsas-ditaduras-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/falsas-ditaduras-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"FALSAS DITADURAS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Estamos todos vivendo falsas ditaduras: a dos que se dizem politicamente corretos, a dos metidos a ambientalistas sem saber sequer o que \u00e9 meio ambiente e a dos que resolveram, de uma hora para outra, posar disso ou daquilo quando nunca foram nada al\u00e9m de seus sapatos. Todos somos pressionados ainda pelos la\u00e7os de ternura que nos cobram tudo e pouco d\u00e3o, pela dureza do trabalho, dos muitos impostos que pagamos e pela incerteza que nos propicia a falta de seguran\u00e7a p\u00fablica. Compramos boas fechaduras para as casas, trancamos os carros, colocamos alarmes, levamos pouco dinheiro vivo no bolso e n\u00e3o nos sentimos seguros em lugar nenhum. Um dia desses, em das esquinas da vida, ouvi uma batida forte no vidro do meu carro. Olhei, distra\u00eddo que estava, abri um pouco vidro e ouvi de um homem feito e maltrapilho: \u201cvai me dar um dinheirinho ou quer que eu assalte\u201d. Dilema facilmente resolvido, mas ficou ressoando aquela fala de revolta, o duro bater de dedos no vidro e o olhar que me fazia sentir culpado apenas por estar ali sentado a guiar o meu carro. De nada valem os impostos que pagamos e o que fazemos em nossas vidas. Em cada esquina somos confrontados com a realidade social gritante que \u00e9 tamb\u00e9m fruto de tudo o que plantamos em anos de indiferen\u00e7a, ao eleger gente despreparada e\/ou desonesta, n\u00e3o reclamar dos que achacam ou dos que usam e abusam de estrat\u00e9gias para corromper e zombar dos outros. Cada carrinho de geladeira de um catador \u00e9 como se fosse um esquife de todos n\u00f3s, n\u00e3o, n\u00e3o estou sendo injusto, acreditem. \u00c9 preciso que as pessoas tamb\u00e9m batam \u00e0s portas das autoridades e digam, depois que baixarem os vidros da indiferen\u00e7a, que est\u00e1 na hora de parar de zombar de n\u00f3s. \u00c9 tempo de se enfrentar os que acreditam que podem fazer tudo e ficar por isso mesmo. Basta de tanta submiss\u00e3o, de tanto salamaleque para quem sabemos que fala uma coisa e vive outra. \u00c9 hora de dizer, de mostrar os erros, inclusive os nossos. \u00c9 tempo tamb\u00e9m de desafiar os que se encastelam em cargos e entidades, sem representarem nada, passam a viver como se donat\u00e1rios delas fossem, sem nada a construir de concreto, a n\u00e3o ser plantar notas em colunas de jornais. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25\/04\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos todos vivendo falsas ditaduras: a dos que se dizem politicamente corretos, a dos metidos a ambientalistas sem saber sequer o que \u00e9 meio ambiente e a dos que resolveram, de uma hora para outra, posar disso ou daquilo quando nunca foram nada al\u00e9m de seus sapatos. Todos somos pressionados ainda pelos la\u00e7os de ternura que nos cobram tudo e pouco d\u00e3o, pela dureza do trabalho, dos muitos impostos que pagamos e pela incerteza que nos propicia a falta de seguran\u00e7a p\u00fablica. Compramos boas fechaduras para as casas, trancamos os carros, colocamos alarmes, levamos pouco dinheiro vivo no bolso e n\u00e3o nos sentimos seguros em lugar nenhum. Um dia desses, em das esquinas da vida, ouvi uma batida forte no vidro do meu carro. Olhei, distra\u00eddo que estava, abri um pouco vidro e ouvi de um homem feito e maltrapilho: \u201cvai me dar um dinheirinho ou quer que eu assalte\u201d. Dilema facilmente resolvido, mas ficou ressoando aquela fala de revolta, o duro bater de dedos no vidro e o olhar que me fazia sentir culpado apenas por estar ali sentado a guiar o meu carro. De nada valem os impostos que pagamos e o que fazemos em nossas vidas. Em cada esquina somos confrontados com a realidade social gritante que \u00e9 tamb\u00e9m fruto de tudo o que plantamos em anos de indiferen\u00e7a, ao eleger gente despreparada e\/ou desonesta, n\u00e3o reclamar dos que achacam ou dos que usam e abusam de estrat\u00e9gias para corromper e zombar dos outros. Cada carrinho de geladeira de um catador \u00e9 como se fosse um esquife de todos n\u00f3s, n\u00e3o, n\u00e3o estou sendo injusto, acreditem. \u00c9 preciso que as pessoas tamb\u00e9m batam \u00e0s portas das autoridades e digam, depois que baixarem os vidros da indiferen\u00e7a, que est\u00e1 na hora de parar de zombar de n\u00f3s. \u00c9 tempo de se enfrentar os que acreditam que podem fazer tudo e ficar por isso mesmo. 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