{"id":3407,"date":"2023-12-21T09:10:45","date_gmt":"2023-12-21T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/chegar-junto-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:45","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:45","slug":"chegar-junto-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/chegar-junto-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"CHEGAR JUNTO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Faz uma semana que ando pensativo, mais que o usual. Penso na vida, fam\u00edlia, amor, amigos, no sentido da luta pela exist\u00eancia, no descompasso entre o que intu\u00edmos, o que fazemos e em como tudo isso \u00e9 lido e assimilado por n\u00f3s mesmos e pelo outro. O outro, j\u00e1 disse certa vez, \u00e9 algu\u00e9m como n\u00f3s, de modo reverso. E quando acontece algo de extraordin\u00e1rio, que nos comove e mexe com as nossas estruturas emocionais, ficamos pasmos. Por que isso? Por que aquilo? E o que sofremos, muitas vezes, \u00e9 por n\u00e3o ver o outro como uma outra vers\u00e3o de n\u00f3s mesmos, como semelhante que, muitas vezes, precisa de prontas atitudes de nossa parte. Seja um simples gesto, um palpite para mudan\u00e7a de foco ou at\u00e9 uma intromiss\u00e3o benfazeja, desde que no tempo certo. Mas, e o mas \u00e9 fogo, ficamos, quase sempre, remoendo nossos problemas, como se fossemos o centro do planeta e esquecemos do outro. Daquele cujo olhar, gestual, at\u00e9 desleixo, excesso no comer e no beber ou no tom de voz a denunciar ang\u00fastias, que n\u00e3o cuidadas, somatizam-se e transformam-se em depress\u00f5es profundas a pedir aten\u00e7\u00f5es que passam al\u00e9m da boa vontade do amigo, parente ou companheiro. \u00c9 preciso sair do nosso casulo, ter uma atitude ativa e encaminh\u00e1-lo a um profissional competente e s\u00e9rio, do ponto de vista \u00e9tico. N\u00e3o a meros experimentadores ou \u201creceitadores\u201d de rem\u00e9dios que embotam a raz\u00e3o de quem os toma. O olhar para si pr\u00f3prio \u00e9 importante, mas nada h\u00e1 que impe\u00e7a de se ver o outro, senti-lo, adverti-lo ou ajud\u00e1-lo. Trata-se de compaix\u00e3o, sentimento que n\u00e3o \u00e9 bem explicado e compreendido. H\u00e1 quase sempre um olhar de urg\u00eancia no outro que teimamos em n\u00e3o ver ou simplesmente n\u00e3o somos suficientemente atentos \u00e0s dores alheias. O estar ocupado sempre, a fal\u00e1cia que \u00e9 a pseudo proximidade pela Internet com e-mails gen\u00e9ricos de ora\u00e7\u00f5es e correntes bobas. O despreparo para ouvir mais que falar s\u00e3o raz\u00f5es basilares do distanciamento entre as pessoas. N\u00e3o acredite na euforia das grandes rodas, na alegria coletiva e em apar\u00eancias. Se voc\u00ea gosta de algu\u00e9m n\u00e3o o abandone, ligue-se e sofra at\u00e9 o peso de ser incompreendido. Ou\u00e7a-o, por favor. Sem d\u00favida, ser\u00e1 melhor que chorar pelo que n\u00e3o pode evitar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/05\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz uma semana que ando pensativo, mais que o usual. Penso na vida, fam\u00edlia, amor, amigos, no sentido da luta pela exist\u00eancia, no descompasso entre o que intu\u00edmos, o que fazemos e em como tudo isso \u00e9 lido e assimilado por n\u00f3s mesmos e pelo outro. O outro, j\u00e1 disse certa vez, \u00e9 algu\u00e9m como n\u00f3s, de modo reverso. E quando acontece algo de extraordin\u00e1rio, que nos comove e mexe com as nossas estruturas emocionais, ficamos pasmos. Por que isso? Por que aquilo? E o que sofremos, muitas vezes, \u00e9 por n\u00e3o ver o outro como uma outra vers\u00e3o de n\u00f3s mesmos, como semelhante que, muitas vezes, precisa de prontas atitudes de nossa parte. Seja um simples gesto, um palpite para mudan\u00e7a de foco ou at\u00e9 uma intromiss\u00e3o benfazeja, desde que no tempo certo. Mas, e o mas \u00e9 fogo, ficamos, quase sempre, remoendo nossos problemas, como se fossemos o centro do planeta e esquecemos do outro. Daquele cujo olhar, gestual, at\u00e9 desleixo, excesso no comer e no beber ou no tom de voz a denunciar ang\u00fastias, que n\u00e3o cuidadas, somatizam-se e transformam-se em depress\u00f5es profundas a pedir aten\u00e7\u00f5es que passam al\u00e9m da boa vontade do amigo, parente ou companheiro. \u00c9 preciso sair do nosso casulo, ter uma atitude ativa e encaminh\u00e1-lo a um profissional competente e s\u00e9rio, do ponto de vista \u00e9tico. N\u00e3o a meros experimentadores ou \u201creceitadores\u201d de rem\u00e9dios que embotam a raz\u00e3o de quem os toma. O olhar para si pr\u00f3prio \u00e9 importante, mas nada h\u00e1 que impe\u00e7a de se ver o outro, senti-lo, adverti-lo ou ajud\u00e1-lo. Trata-se de compaix\u00e3o, sentimento que n\u00e3o \u00e9 bem explicado e compreendido. H\u00e1 quase sempre um olhar de urg\u00eancia no outro que teimamos em n\u00e3o ver ou simplesmente n\u00e3o somos suficientemente atentos \u00e0s dores alheias. O estar ocupado sempre, a fal\u00e1cia que \u00e9 a pseudo proximidade pela Internet com e-mails gen\u00e9ricos de ora\u00e7\u00f5es e correntes bobas. O despreparo para ouvir mais que falar s\u00e3o raz\u00f5es basilares do distanciamento entre as pessoas. N\u00e3o acredite na euforia das grandes rodas, na alegria coletiva e em apar\u00eancias. Se voc\u00ea gosta de algu\u00e9m n\u00e3o o abandone, ligue-se e sofra at\u00e9 o peso de ser incompreendido. Ou\u00e7a-o, por favor. 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