{"id":3424,"date":"2023-12-21T09:10:45","date_gmt":"2023-12-21T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-bossa-do-joao-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:45","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:45","slug":"a-bossa-do-joao-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-bossa-do-joao-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"A BOSSA DO JO\u00c3O &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Imagine uma pequena cidade baiana na margem direita do Rio S\u00e3o Francisco no ano de 1931. Tinha curso o governo provis\u00f3rio de Vargas e Juazeiro, isolada, energia prec\u00e1ria, olhava para Petrolina, Pernambuco, na outra margem do rio. Ainda n\u00e3o havia sido feita a ponte que as ligaria, no Governo Dutra. Ali, em 10 de junho de 1931, nos bra\u00e7os de uma parteira, nasceu Jo\u00e3o Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, menino comum. Aos 14 anos ganha um viol\u00e3o e a vida muda. A cidade fica pequena e se larga aos 18 para Salvador onde conhece Dorival Caymmi. Agitado, dali vai para o Rio, participa da banda \u2018Garotos da Lua\u2019, \u00e9 exclu\u00eddo por desobedi\u00eancia e por n\u00e3o gostar dos ritmos tocados. Conhece, anos depois, Tom Jobim, pianista cl\u00e1ssico que tem profunda admira\u00e7\u00e3o pelo Jazz e a hist\u00f3ria de sua vida vira para sempre. Surge, ali entre Copacabana e Ipanema, o seu primeiro disco, \u2018Chega de Saudade\u2019, fins dos anos 50. O restante todos conhecem, pois Jo\u00e3o Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlinhos Lyra e alguns mais modificaram a forma de tocar o samba, tornando-o uma mistura de ritmo sincopado da percuss\u00e3o mais simplificada e, paradoxalmente, mais sofisticada. Desde ent\u00e3o, Jo\u00e3o Gilberto \u00e9 o monstro sagrado da Bossa Nova e suas excentricidades o fazem desejado pelo p\u00fablico que aceita as suas exig\u00eancias nos poucos shows que d\u00e1 no Brasil e mundo. Assim, aproveitando o ano em que a Bossa Nova completa 50 anos e o m\u00eas em que ele faz 77, deu um show agora na principal sala do Carnegie Hall, em New York, reclamando do ar condicionado &#8211; tosse v\u00e1rias vezes &#8211; e da posi\u00e7\u00e3o do microfone. Canta 22 m\u00fasicas, come\u00e7ando com Doralice, passa por Chega de Saudade, Corcovado, Morena Boca de Ouro, Preconceito, O Pato, Caminhos Cruzados, Wave, Rosa Morena, Este seu olhar, Samba do Avi\u00e3o, L\u00edgia, Desafinado. Ao final, homenageia os gringos com a vers\u00e3o de Braguinha da m\u00fasica de Irving Berlin, \u2018God Bless Am\u00e9rica\u2019 e fecha com Garota de Ipanema. \u00c9 aplaudido de p\u00e9 pelas duas mil pessoas que lotavam a sala. Para S\u00e9rgio D\u00e1vila, da Folha-SP: \u201cJo\u00e3o Gilberto desafiou o tempo e o vento em sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o no ano em que a Bossa Nova completa 50 anos\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 29\/06\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine uma pequena cidade baiana na margem direita do Rio S\u00e3o Francisco no ano de 1931. Tinha curso o governo provis\u00f3rio de Vargas e Juazeiro, isolada, energia prec\u00e1ria, olhava para Petrolina, Pernambuco, na outra margem do rio. Ainda n\u00e3o havia sido feita a ponte que as ligaria, no Governo Dutra. Ali, em 10 de junho de 1931, nos bra\u00e7os de uma parteira, nasceu Jo\u00e3o Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, menino comum. Aos 14 anos ganha um viol\u00e3o e a vida muda. A cidade fica pequena e se larga aos 18 para Salvador onde conhece Dorival Caymmi. Agitado, dali vai para o Rio, participa da banda \u2018Garotos da Lua\u2019, \u00e9 exclu\u00eddo por desobedi\u00eancia e por n\u00e3o gostar dos ritmos tocados. Conhece, anos depois, Tom Jobim, pianista cl\u00e1ssico que tem profunda admira\u00e7\u00e3o pelo Jazz e a hist\u00f3ria de sua vida vira para sempre. Surge, ali entre Copacabana e Ipanema, o seu primeiro disco, \u2018Chega de Saudade\u2019, fins dos anos 50. O restante todos conhecem, pois Jo\u00e3o Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlinhos Lyra e alguns mais modificaram a forma de tocar o samba, tornando-o uma mistura de ritmo sincopado da percuss\u00e3o mais simplificada e, paradoxalmente, mais sofisticada. Desde ent\u00e3o, Jo\u00e3o Gilberto \u00e9 o monstro sagrado da Bossa Nova e suas excentricidades o fazem desejado pelo p\u00fablico que aceita as suas exig\u00eancias nos poucos shows que d\u00e1 no Brasil e mundo. Assim, aproveitando o ano em que a Bossa Nova completa 50 anos e o m\u00eas em que ele faz 77, deu um show agora na principal sala do Carnegie Hall, em New York, reclamando do ar condicionado &#8211; tosse v\u00e1rias vezes &#8211; e da posi\u00e7\u00e3o do microfone. Canta 22 m\u00fasicas, come\u00e7ando com Doralice, passa por Chega de Saudade, Corcovado, Morena Boca de Ouro, Preconceito, O Pato, Caminhos Cruzados, Wave, Rosa Morena, Este seu olhar, Samba do Avi\u00e3o, L\u00edgia, Desafinado. Ao final, homenageia os gringos com a vers\u00e3o de Braguinha da m\u00fasica de Irving Berlin, \u2018God Bless Am\u00e9rica\u2019 e fecha com Garota de Ipanema. \u00c9 aplaudido de p\u00e9 pelas duas mil pessoas que lotavam a sala. 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