{"id":3432,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-coelho-e-o-morais-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"o-coelho-e-o-morais-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-coelho-e-o-morais-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"O COELHO E O MORAIS &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Existe, h\u00e1 algum tempo, um fil\u00e3o na literatura brasileira. Descobriu-se que boas biografias s\u00e3o \u00f3timas, financeiramente, para seus autores. N\u00e3o estou falando de autobiografia ou das biografias feitas para familiares e amigos, mas as encomendadas por pessoas p\u00fablicas que est\u00e3o no imagin\u00e1rio coletivo dos que leem livros no Brasil. No momento, h\u00e1 dois autores de biografias em voga: Ruy Castro e Fernando Morais. Eles trabalham como em linha de montagem, tais como os autores de best-sellers internacionais. Explico: formam equipe e designam jovens talentos ou estagi\u00e1rios para coletar dados sobre cidades, fatos e costumes de \u00e9poca, fotos, escritos, idiossincrasias e pesquisar rela\u00e7\u00f5es de parentesco e amizade da pessoa biografada. A partir do material coletado passam a acompanhar a pessoa, se viva, em seu habitat natural. Fazem viagens juntos, decodificam seus h\u00e1bitos e re\u00fanem &#8211; em grava\u00e7\u00e3o &#8211; centenas de horas de conversa. Um exemplo disso \u00e9 Fernando Morais. Agora mesmo, acaba de lan\u00e7ar o livro \u00b4O Mago\u00b4, biografia de Paulo Coelho, esse pol\u00eamico escritor que, integrando a Academia Brasileira de Letras, vendeu milh\u00f5es de exemplares em todo o mundo e enriqueceu, apesar de n\u00e3o ser aceito por parte dos intelectuais brasileiros que o veem at\u00e9 como plagi\u00e1rio. Isso \u00e9 outra hist\u00f3ria. N\u00e3o vou comentar aqui a biografia, apenas observar que a linha de montagem de Morais precisa ser melhor cuidada. Um detalhe: no intuito de procurar ancestrais nobres de Coelho, descobre o cearense Jo\u00e3o Araripe J\u00fanior, seu av\u00f4 materno. Da\u00ed para frente come\u00e7a o del\u00edrio de Morais. Diz que \u00b4pelo cipoal dos Araripe Alencar, sobrenome da m\u00e3e, poderia se fartar, sem arredar p\u00e9 da pr\u00f3pria fam\u00edlia, com o manancial de personagens perfeitamente adequados a seus livros &#8211; her\u00f3is ou vil\u00f5es, \u00e0 escolha do autor\u00b4. Logo abaixo, enumera \u00b4parentes\u00b4 de Paulo Coelho. Vejam alguns citados: B\u00e1rbara de Alencar, Jos\u00e9 de Alencar, Rachel de Queiroz, Humberto Castelo Branco e Miguel Arraes. Do del\u00edrio passa ao cochilo: fala em Araripe Alencar e, em seguida, trata a mesma fam\u00edlia de Alencar Araripe. Resumo da \u00f3pera: O Coelho e o Morais est\u00e3o no mesmo compasso.<\/p>\n<p>JO\u00c3O SOARES NETO,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 03\/08\/2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe, h\u00e1 algum tempo, um fil\u00e3o na literatura brasileira. Descobriu-se que boas biografias s\u00e3o \u00f3timas, financeiramente, para seus autores. N\u00e3o estou falando de autobiografia ou das biografias feitas para familiares e amigos, mas as encomendadas por pessoas p\u00fablicas que est\u00e3o no imagin\u00e1rio coletivo dos que leem livros no Brasil. 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