{"id":3435,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/palavras-singulares-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"palavras-singulares-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/palavras-singulares-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PALAVRAS SINGULARES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e1rcio Catunda \u00e9 um duplo, sempre. Advogado e diplomata. Cearense e cidad\u00e3o do mundo. Poeta e ensa\u00edsta. Prefere o Catunda, que adotou desde sempre, ao Ferreira Gomes, que omite e n\u00e3o se vale da notoriedade de outros para acopl\u00e1-lo de fato, pois de direito j\u00e1 o \u00e9. Ao mesmo tempo em que tirava de letra o curso de bacharel em ci\u00eancias jur\u00eddicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Cear\u00e1, dava rumo \u00e0 sua nau po\u00e9tica aportando em grupos culturais e fazia-se presente aos \u201cpoints\u201d que a cidade abrigava sem medo de, \u00e0quela \u00e9poca, ser contracultura ao ouvir vozes roufenhas de poetas e cantantes.<br \/>\nInquieto, optou, logo em seguida, pela carreira diplom\u00e1tica e o fez com \u00eaxito. Agora, ap\u00f3s ter velejado por mares e malas diplom\u00e1ticas do Peru, de Mario Vargas Llosa, da Su\u00ed\u00e7a de Herman Hesse, da Bulg\u00e1ria de Julia Kristeva e de Portugal, de tantos, que s\u00f3 nos bastam Cam\u00f5es e Pessoa, ele volta, com suas diopitrias, como sempre, \u00e0 cidade que o preparou para a vida. E vem de livro em punho e pronto. Capa verde como a esperan\u00e7a, retrato fotoshopeado (valha-me Deus pelo neologismo) e em 195 p\u00e1ginas diz palavras, n\u00e3o as singulares do t\u00edtulo, mas com a energia do tiete que se aproxima de gurus, a sensibilidade do poeta que \u00e9 e de uma esp\u00e9cie de \u201crealpotilik\u201d, de um novo tipo de ensaio.<br \/>\nE o faz nestas \u201cPalavras Singulares\u201d, em que se divide entre o lirismo et\u00edlico do poeta Vinicius de Moraes, seu duplo colega, pois ambos vadeiam pelas met\u00e1foras e nas al\u00e9ias atemporais da Casa de Rio Branco, o Itamaraty; Cid Carvalho, m\u00faltiplo duplo, pois poeta e pol\u00edtico, radialista e professor, esp\u00edrita e bibli\u00f3filo, acad\u00eamico e criador de passarinhos, por toda a vida e; M\u00e1rio Gomes, essa figura que todos veem e poucos o sentem em sua educa\u00e7\u00e3o deseducada, no palet\u00f3 amarfanhado como o seu rosto em um constante esgar a espreitar lugares, pessoas e acontecimentos.<br \/>\nComo j\u00e1 disse e repito: nada tenho de cr\u00edtico liter\u00e1rio, tampouco de resenhista, mas resta-me a condi\u00e7\u00e3o intransfer\u00edvel e inalien\u00e1vel de ledor ou leitor. E nessa condi\u00e7\u00e3o percorri e percebi com os olhos reais e os da alma o encanto que Vinicius e pessoas de Fortaleza exercem sobre M\u00e1rcio Catunda. Ele reata tamb\u00e9m os la\u00e7os afrouxados com a cidade t\u00e3o cantada, festejada e hoje t\u00e3o sofrida, a merc\u00ea de uma desenfreada prostitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica a c\u00e9u aberto contemplada e sempre \u00e0 espera de milagres em uma pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. Como fala o pr\u00f3prio M\u00e1rcio: \u201cEu canto o advento do novo mundo e da nova era, mas n\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de ser profeta\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15\/08\/2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rcio Catunda \u00e9 um duplo, sempre. Advogado e diplomata. Cearense e cidad\u00e3o do mundo. Poeta e ensa\u00edsta. 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Agora, ap\u00f3s ter velejado por mares e malas diplom\u00e1ticas do Peru, de Mario Vargas Llosa, da Su\u00ed\u00e7a de Herman Hesse, da Bulg\u00e1ria de Julia Kristeva e de Portugal, de tantos, que s\u00f3 nos bastam Cam\u00f5es e Pessoa, ele volta, com suas diopitrias, como sempre, \u00e0 cidade que o preparou para a vida. E vem de livro em punho e pronto. Capa verde como a esperan\u00e7a, retrato fotoshopeado (valha-me Deus pelo neologismo) e em 195 p\u00e1ginas diz palavras, n\u00e3o as singulares do t\u00edtulo, mas com a energia do tiete que se aproxima de gurus, a sensibilidade do poeta que \u00e9 e de uma esp\u00e9cie de \u201crealpotilik\u201d, de um novo tipo de ensaio.<br \/>\nE o faz nestas \u201cPalavras Singulares\u201d, em que se divide entre o lirismo et\u00edlico do poeta Vinicius de Moraes, seu duplo colega, pois ambos vadeiam pelas met\u00e1foras e nas al\u00e9ias atemporais da Casa de Rio Branco, o Itamaraty; Cid Carvalho, m\u00faltiplo duplo, pois poeta e pol\u00edtico, radialista e professor, esp\u00edrita e bibli\u00f3filo, acad\u00eamico e criador de passarinhos, por toda a vida e; M\u00e1rio Gomes, essa figura que todos veem e poucos o sentem em sua educa\u00e7\u00e3o deseducada, no palet\u00f3 amarfanhado como o seu rosto em um constante esgar a espreitar lugares, pessoas e acontecimentos.<br \/>\nComo j\u00e1 disse e repito: nada tenho de cr\u00edtico liter\u00e1rio, tampouco de resenhista, mas resta-me a condi\u00e7\u00e3o intransfer\u00edvel e inalien\u00e1vel de ledor ou leitor. 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