{"id":3439,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vencedores-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"vencedores-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vencedores-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"VENCEDORES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Amanhece. Abro as cortinas, o sol me cinge com seu calor e toma a forma da brisa que lhe empinam os panos. Termino o banho frio e, de relance, vejo-me ao espelho. Olho a barba por fazer e intuo que cada dia pode ser um descobrimento de n\u00f3s e dos outros. Descobrimo-nos tal qual somos ou pensamo-nos como imaginamos que somos? Somos o qu\u00ea? Adulto, infantil, apaixonado, er\u00f3tico, pl\u00e1cido, pragm\u00e1tico, invejoso, invejado, carinhoso, solid\u00e1rio, cr\u00edtico, solit\u00e1rio, culto, capaz, vulgar, fraterno, loquaz, taciturno? Ou um \u2018pot-pourri \u2019de tudo isso, mudando, segundo os olhares alheios e as trilhas que afunilam as sendas de nossas vidas? Assim \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 nos vemos, como nos veem e somos tantos para os que nunca chegaram sequer perto de nossos sentimentos e ess\u00eancia. Sequer conhecem a nossa vida, pois falar do outro \u00e9 f\u00e1cil e comum, pensar no outro \u00e9 raro. Pois bem, abro a caixa de pensar e me deparo com quatro amigos vencedores. Um \u00e9 entronizado, com brilho, no p\u00e9lago et\u00e9reo da cultura por seu lado po\u00e9tico, musical, saber jur\u00eddico e desempenho profissional. C\u00e9sar Rocha busca refrig\u00e9rio nas \u00e1guas da poesia e do ensaio para mitigar a faina das decis\u00f5es que, por of\u00edcio, toma a cada dia. Outros tr\u00eas, por suas hist\u00f3rias de vida, percursos, olhares para o mundo e atitudes ser\u00e3o homenageados, agora em setembro, com a Sereia de Ouro. E fico pensando em cada um deles, suas trajet\u00f3rias. A Ana menina, que ganhou mundo, resplandeceu e voltou, madura e saciada, como a consagrada escritora Ana Miranda. Veio para o ventre de sua terra, de onde continua a voar e a espargir saber em m\u00faltipla fic\u00e7\u00e3o transformada. No t\u00edmido garoto Z\u00e9 Osvaldo, Carioca do Benfica, que encontrou na magia de sua qu\u00edmica a resposta para o crescimento pessoal, cient\u00edfico e acad\u00eamico e se fez doutor reconhecido al\u00e9m mar. No cedrense Ubiratan, hoje paj\u00e9 da tribo Aguiar, que aportou nesta Fortaleza e, pedra a pedra, pavimentou seu caminho, sem esquecer de cobrir com benqueren\u00e7a e tato as muitas portas que foi abrindo, aqui e alhures. E ainda n\u00e3o tomei o caf\u00e9 preto sem a\u00e7\u00facar que me d\u00e1 adrenalina para o caminho da a\u00e7\u00e3o, desviando de catadores com carro\u00e7as de ventre aberto, atendendo a flanelinhas, pedintes, entregadores de panfletos, jornaleiros e vendo os porta-bandeiras de candidatos, alguns sem enredo para contar. E as ruas, por onde passo, s\u00e3o como as entranhas da cidade. T\u00e3o diversa em seus contrastes e ouvem cada um dos meus pensamentos que nascem do quase sil\u00eancio, enquanto ou\u00e7o \u201cSmile\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/08\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanhece. Abro as cortinas, o sol me cinge com seu calor e toma a forma da brisa que lhe empinam os panos. Termino o banho frio e, de relance, vejo-me ao espelho. Olho a barba por fazer e intuo que cada dia pode ser um descobrimento de n\u00f3s e dos outros. Descobrimo-nos tal qual somos ou pensamo-nos como imaginamos que somos? Somos o qu\u00ea? Adulto, infantil, apaixonado, er\u00f3tico, pl\u00e1cido, pragm\u00e1tico, invejoso, invejado, carinhoso, solid\u00e1rio, cr\u00edtico, solit\u00e1rio, culto, capaz, vulgar, fraterno, loquaz, taciturno? Ou um \u2018pot-pourri \u2019de tudo isso, mudando, segundo os olhares alheios e as trilhas que afunilam as sendas de nossas vidas? Assim \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 nos vemos, como nos veem e somos tantos para os que nunca chegaram sequer perto de nossos sentimentos e ess\u00eancia. Sequer conhecem a nossa vida, pois falar do outro \u00e9 f\u00e1cil e comum, pensar no outro \u00e9 raro. Pois bem, abro a caixa de pensar e me deparo com quatro amigos vencedores. Um \u00e9 entronizado, com brilho, no p\u00e9lago et\u00e9reo da cultura por seu lado po\u00e9tico, musical, saber jur\u00eddico e desempenho profissional. C\u00e9sar Rocha busca refrig\u00e9rio nas \u00e1guas da poesia e do ensaio para mitigar a faina das decis\u00f5es que, por of\u00edcio, toma a cada dia. Outros tr\u00eas, por suas hist\u00f3rias de vida, percursos, olhares para o mundo e atitudes ser\u00e3o homenageados, agora em setembro, com a Sereia de Ouro. E fico pensando em cada um deles, suas trajet\u00f3rias. A Ana menina, que ganhou mundo, resplandeceu e voltou, madura e saciada, como a consagrada escritora Ana Miranda. Veio para o ventre de sua terra, de onde continua a voar e a espargir saber em m\u00faltipla fic\u00e7\u00e3o transformada. No t\u00edmido garoto Z\u00e9 Osvaldo, Carioca do Benfica, que encontrou na magia de sua qu\u00edmica a resposta para o crescimento pessoal, cient\u00edfico e acad\u00eamico e se fez doutor reconhecido al\u00e9m mar. No cedrense Ubiratan, hoje paj\u00e9 da tribo Aguiar, que aportou nesta Fortaleza e, pedra a pedra, pavimentou seu caminho, sem esquecer de cobrir com benqueren\u00e7a e tato as muitas portas que foi abrindo, aqui e alhures. E ainda n\u00e3o tomei o caf\u00e9 preto sem a\u00e7\u00facar que me d\u00e1 adrenalina para o caminho da a\u00e7\u00e3o, desviando de catadores com carro\u00e7as de ventre aberto, atendendo a flanelinhas, pedintes, entregadores de panfletos, jornaleiros e vendo os porta-bandeiras de candidatos, alguns sem enredo para contar. E as ruas, por onde passo, s\u00e3o como as entranhas da cidade. T\u00e3o diversa em seus contrastes e ouvem cada um dos meus pensamentos que nascem do quase sil\u00eancio, enquanto ou\u00e7o \u201cSmile\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/08\/2008.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3439","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3439\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}