{"id":3456,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/deserto-e-progresso-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"deserto-e-progresso-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/deserto-e-progresso-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"DESERTO E PROGRESSO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Voltei de uma viagem profunda, embora breve. Foram milhares de quil\u00f4metros em p\u00e1ssaros met\u00e1licos novos a mostrar que o futuro chegou com a corre\u00e7\u00e3o e distin\u00e7\u00e3o do atendimento multil\u00edngue. Desci na primeira parada, aturdido. Era o esplendor do novo em meio a um calor de frigideira de ovos. Apesar disso, pude conversar com gente de todo tipo, ra\u00e7a, credo e cabe\u00e7a. N\u00e3o deixei ningu\u00e9m de fora. Assim, abordei intelectuais, cientistas, autoridades, ricos, remediados, pobres, religiosos, ateus, jovens e velhos. A todos, fiz a pergunta: o mundo vai acabar? A rea\u00e7\u00e3o, quase sempre, foi de estranheza. Com exce\u00e7\u00f5es, se assustaram, mas disseram que n\u00e3o e, foram mais longe, enfatizaram, cada um a seu modo, que as crises, entre outros fatores, s\u00e3o ainda produtos de v\u00edcios do s\u00e9culo passado, criadas pela ilus\u00e3o do lucro f\u00e1cil, ideologias, domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico\/militar e a simbiose entre as atividades produtivas e a grande especula\u00e7\u00e3o financeira. Tudo isso junto, deu, segundo ouvi e deduzi, origem \u00e0 Grande Depress\u00e3o de 1929, a Segunda Guerra, a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa de Mao, passou pelas guerras com a Cor\u00e9ia e Vietn\u00e3, a Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim e o fracionamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em pa\u00edses de etnias distintas, invas\u00f5es de pa\u00edses \u00e1rabes pela busca \u00e1vida do petr\u00f3leo, at\u00e9 o triste 11 de setembro de 2001, a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e todos sabem o resto da hist\u00f3ria. Hoje, mais uma crise envolve o mundo e a m\u00eddia internacional se alimenta de desgra\u00e7as e dos alvitres que desejam plantar e colher. Alheio a esse jogo de xadrez geopol\u00edtico, vi brotar no deserto escaldante um planejamento urbano meticuloso e centrado no futuro, ao tempo em que surgem edifica\u00e7\u00f5es cintilantes, majestosas e at\u00e9 exageradas. Mas, s\u00e3o talvez s\u00edmbolos met\u00e1licos e concretos de uma nova gera\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a ciente de seu poder econ\u00f4mico a fincar ra\u00edzes estruturais que parecem gritar: vejam, n\u00f3s n\u00e3o somos o que pensam ou ouvem, somos o que estamos a construir. E n\u00e3o param. Estou falando de Dubai, Emirados \u00c1rabes, mas n\u00e3o sou guia tur\u00edstico. Sou catador da ess\u00eancia do que ou\u00e7o e vejo, Vi, quem sabe, na grandiosidade, a eloqu\u00eancia silenciosa de vozes n\u00e3o auscultadas sobre seu destino e hist\u00f3ria de mil\u00eanios. A viagem n\u00e3o parou a\u00ed. Isto foi s\u00f3 o come\u00e7o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 26\/10\/2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltei de uma viagem profunda, embora breve. Foram milhares de quil\u00f4metros em p\u00e1ssaros met\u00e1licos novos a mostrar que o futuro chegou com a corre\u00e7\u00e3o e distin\u00e7\u00e3o do atendimento multil\u00edngue. Desci na primeira parada, aturdido. Era o esplendor do novo em meio a um calor de frigideira de ovos. Apesar disso, pude conversar com gente de todo tipo, ra\u00e7a, credo e cabe\u00e7a. N\u00e3o deixei ningu\u00e9m de fora. Assim, abordei intelectuais, cientistas, autoridades, ricos, remediados, pobres, religiosos, ateus, jovens e velhos. A todos, fiz a pergunta: o mundo vai acabar? A rea\u00e7\u00e3o, quase sempre, foi de estranheza. Com exce\u00e7\u00f5es, se assustaram, mas disseram que n\u00e3o e, foram mais longe, enfatizaram, cada um a seu modo, que as crises, entre outros fatores, s\u00e3o ainda produtos de v\u00edcios do s\u00e9culo passado, criadas pela ilus\u00e3o do lucro f\u00e1cil, ideologias, domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico\/militar e a simbiose entre as atividades produtivas e a grande especula\u00e7\u00e3o financeira. Tudo isso junto, deu, segundo ouvi e deduzi, origem \u00e0 Grande Depress\u00e3o de 1929, a Segunda Guerra, a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa de Mao, passou pelas guerras com a Cor\u00e9ia e Vietn\u00e3, a Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim e o fracionamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em pa\u00edses de etnias distintas, invas\u00f5es de pa\u00edses \u00e1rabes pela busca \u00e1vida do petr\u00f3leo, at\u00e9 o triste 11 de setembro de 2001, a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e todos sabem o resto da hist\u00f3ria. Hoje, mais uma crise envolve o mundo e a m\u00eddia internacional se alimenta de desgra\u00e7as e dos alvitres que desejam plantar e colher. Alheio a esse jogo de xadrez geopol\u00edtico, vi brotar no deserto escaldante um planejamento urbano meticuloso e centrado no futuro, ao tempo em que surgem edifica\u00e7\u00f5es cintilantes, majestosas e at\u00e9 exageradas. Mas, s\u00e3o talvez s\u00edmbolos met\u00e1licos e concretos de uma nova gera\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a ciente de seu poder econ\u00f4mico a fincar ra\u00edzes estruturais que parecem gritar: vejam, n\u00f3s n\u00e3o somos o que pensam ou ouvem, somos o que estamos a construir. E n\u00e3o param. Estou falando de Dubai, Emirados \u00c1rabes, mas n\u00e3o sou guia tur\u00edstico. Sou catador da ess\u00eancia do que ou\u00e7o e vejo, Vi, quem sabe, na grandiosidade, a eloqu\u00eancia silenciosa de vozes n\u00e3o auscultadas sobre seu destino e hist\u00f3ria de mil\u00eanios. A viagem n\u00e3o parou a\u00ed. Isto foi s\u00f3 o come\u00e7o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 26\/10\/2008<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3456","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3456\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}