{"id":3465,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ela-mudou-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"ela-mudou-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ela-mudou-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"ELA MUDOU &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Resisti o quanto pude. Ela veio e foi ficando. N\u00e3o entendia a capacidade que ela tinha de ser m\u00faltipla. Zangava-me por saber que ela era o futuro e que deveria me ajustar ao seu charme, aos seus modos sutis, sua linguagem cifrada, sua velocidade, cada dia maior. Tinha que aprender a lidar com ela, o que n\u00e3o era f\u00e1cil. N\u00e3o dependia s\u00f3 de mim, mas de terceiros. De princ\u00edpio, o telefone nos ligava e depois ca\u00eda. Comecei brincando. Testava e ela fazia. Mudava o jeito e ela se ajustava, como se fosse t\u00e3o male\u00e1vel quanto algu\u00e9m de boas maneiras. Tudo come\u00e7ou no meio da d\u00e9cada passada. Precisamente, em 1996. A minha curiosidade era um meio de ir apagando saudades abertas. O jeito foi ir me apegando a ela que, nesse tempo, tinha que ser via Embratel. Primeiro, foi a mera comunica\u00e7\u00e3o. Precisava de um canal de comunica\u00e7\u00e3o e ela abriu, pouco a pouco, as portas do futuro para mim. A abertura era diretamente proporcional \u00e0 minha capacidade de ver o novo, entender que o ontem havia passado e que o hoje era s\u00f3 mudan\u00e7a. Depois, paralelo a tudo isso, fui vendo que ela me ajudava com informa\u00e7\u00f5es. Muitas vezes, a informa\u00e7\u00e3o era fajuta, boba, superficial, mas ela estava l\u00e1, bastava procur\u00e1-la e ter paci\u00eancia, para separar o lixo do que importava. Anos de assimila\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que n\u00e3o precisava mais de fios, nada de Embratel, era tudo r\u00e1pido, cada vez mais, e podia ser em qualquer lugar que estivesse. Fiquei dependente dela e tinha vergonha de dizer isso. Tudo era dentro de quatro paredes. \u00c0s vezes no claro, outras at\u00e9 no escuro. Eu e ela. Ela tinha energia pr\u00f3pria, singular. Foi ent\u00e3o que descobri o \u00f3bvio, o que n\u00e3o queria enxergar. Ela n\u00e3o se ligava s\u00f3 em mim, tinha muitos outros, milhares, at\u00e9 que virou milh\u00f5es e eu ca\u00ed na real. Agora, que tudo j\u00e1 passou, ainda mantemos rela\u00e7\u00f5es. Quando a procuro, ela me atende. Pode ser a qualquer hora, em qualquer lugar, nos basta a senha que combinamos. Ainda me surpreende, pois altera a dic\u00e7\u00e3o sem pr\u00e9vio aviso e tenho que procurar novos meios de v\u00ea-la. E, dessa forma, vamos indo, sem fazer planos para o futuro, pois ela mudou demais nestes nossos anos de relacionamento. N\u00e3o \u00e9 mais a mesma. A Net \u00e9 fogo.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 30\/11\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resisti o quanto pude. Ela veio e foi ficando. N\u00e3o entendia a capacidade que ela tinha de ser m\u00faltipla. Zangava-me por saber que ela era o futuro e que deveria me ajustar ao seu charme, aos seus modos sutis, sua linguagem cifrada, sua velocidade, cada dia maior. Tinha que aprender a lidar com ela, o que n\u00e3o era f\u00e1cil. N\u00e3o dependia s\u00f3 de mim, mas de terceiros. De princ\u00edpio, o telefone nos ligava e depois ca\u00eda. Comecei brincando. Testava e ela fazia. Mudava o jeito e ela se ajustava, como se fosse t\u00e3o male\u00e1vel quanto algu\u00e9m de boas maneiras. Tudo come\u00e7ou no meio da d\u00e9cada passada. Precisamente, em 1996. A minha curiosidade era um meio de ir apagando saudades abertas. O jeito foi ir me apegando a ela que, nesse tempo, tinha que ser via Embratel. Primeiro, foi a mera comunica\u00e7\u00e3o. Precisava de um canal de comunica\u00e7\u00e3o e ela abriu, pouco a pouco, as portas do futuro para mim. A abertura era diretamente proporcional \u00e0 minha capacidade de ver o novo, entender que o ontem havia passado e que o hoje era s\u00f3 mudan\u00e7a. Depois, paralelo a tudo isso, fui vendo que ela me ajudava com informa\u00e7\u00f5es. Muitas vezes, a informa\u00e7\u00e3o era fajuta, boba, superficial, mas ela estava l\u00e1, bastava procur\u00e1-la e ter paci\u00eancia, para separar o lixo do que importava. Anos de assimila\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que n\u00e3o precisava mais de fios, nada de Embratel, era tudo r\u00e1pido, cada vez mais, e podia ser em qualquer lugar que estivesse. Fiquei dependente dela e tinha vergonha de dizer isso. Tudo era dentro de quatro paredes. \u00c0s vezes no claro, outras at\u00e9 no escuro. Eu e ela. Ela tinha energia pr\u00f3pria, singular. Foi ent\u00e3o que descobri o \u00f3bvio, o que n\u00e3o queria enxergar. Ela n\u00e3o se ligava s\u00f3 em mim, tinha muitos outros, milhares, at\u00e9 que virou milh\u00f5es e eu ca\u00ed na real. Agora, que tudo j\u00e1 passou, ainda mantemos rela\u00e7\u00f5es. Quando a procuro, ela me atende. Pode ser a qualquer hora, em qualquer lugar, nos basta a senha que combinamos. Ainda me surpreende, pois altera a dic\u00e7\u00e3o sem pr\u00e9vio aviso e tenho que procurar novos meios de v\u00ea-la. E, dessa forma, vamos indo, sem fazer planos para o futuro, pois ela mudou demais nestes nossos anos de relacionamento. N\u00e3o \u00e9 mais a mesma. A Net \u00e9 fogo.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 30\/11\/2008.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3465","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3465"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3465\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}