{"id":3470,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-vestibular-o-curso-e-o-tempo-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"o-vestibular-o-curso-e-o-tempo-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-vestibular-o-curso-e-o-tempo-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"O VESTIBULAR, O CURSO E O TEMPO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Quando fizemos vestibular para direito, o Latim era obrigat\u00f3rio. Exigia-se ainda uma l\u00edngua estrangeira e bom conhecimento de Portugu\u00eas. Havia provas escritas e orais. N\u00e3o era f\u00e1cil passar. S\u00f3 existia uma faculdade, a da Universidade Federal do Cear\u00e1. Afinal, passamos. \u00c9ramos uma mistura de quase adolescentes com pessoas maduras. Uns, sa\u00eddos direto do curso secund\u00e1rio. Outros, j\u00e1 casados e trabalhando, reescrevendo suas hist\u00f3rias ou procurando novos caminhos. Todos, uns e outros, sub\u00edamos os degraus dos sonhos que nos levavam ao pr\u00e9dio novo da velha Faculdade de Direito. Uns para o curso diurno, outros para as aulas noturnas. Em todos, esperan\u00e7a e vontade de aprender. Cada um vinha de diferentes caminhos na busca de uma identidade pessoal, de ser algu\u00e9m. E a sala climatizada parecia nos acolher com certa frieza. Ou seria o \u201cfrisson\u201d de estarmos construindo a tarefa de ser gente? O fato \u00e9 que fomos os \u00faltimos daquela faculdade a usar palet\u00f3s. Foi s\u00f3 um semestre. A crise na cadeira de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia do Direito, com o Prof. Heribaldo Costa, fez estragos e todos dela sa\u00edram com mangas arrega\u00e7adas. E assim o fizemos por cinco anos. Al\u00e9m do estudo das mat\u00e9rias, houve pol\u00edtica, muita. J\u00e2nio renunciou. Jango assumiu e Tancredo foi um breve Primeiro Ministro, at\u00e9 que em plebiscito o povo optou pelo presidencialismo. O Centro Acad\u00eamico Cl\u00f3vis Bevil\u00e1qua, inclusive, havia adotado o Parlamentarismo. Depois, Jango caiu. O sonho quase vira pesadelo. E a\u00ed a hist\u00f3ria mudou, mas n\u00e3o de tal forma que impedisse a conclus\u00e3o de nosso curso, mesclado com greves, den\u00fancias e manifesta\u00e7\u00f5es. Afinal, a euforia do prof. Ant\u00f4nio Martins Filho, no esplendor de seu reitorado, nos contagiou e acolheu na Concha Ac\u00fastica da Reitoria do Benfica e de l\u00e1 sa\u00edmos de beca para a vida real, esta que nos colocou na lida desde 16 de dezembro de 1965. Todos n\u00f3s, os que viraram operadores do Direito e os que n\u00e3o, estamos, certamente, dando uma mirada no retrovisor existencial e, incontinentes, continuamos na estrada, certos de que constru\u00edmos, individual e coletivamente, significados e raz\u00f5es para as nossas vidas.<br \/>\n(este artigo \u00e9 em homenagem aos colegas de 65, na pessoa de St\u00eanio Carvalho Lima, organizador de nossas reuni\u00f5es anuais) <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 19\/12\/2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando fizemos vestibular para direito, o Latim era obrigat\u00f3rio. Exigia-se ainda uma l\u00edngua estrangeira e bom conhecimento de Portugu\u00eas. Havia provas escritas e orais. N\u00e3o era f\u00e1cil passar. S\u00f3 existia uma faculdade, a da Universidade Federal do Cear\u00e1. Afinal, passamos. \u00c9ramos uma mistura de quase adolescentes com pessoas maduras. Uns, sa\u00eddos direto do curso secund\u00e1rio. Outros, j\u00e1 casados e trabalhando, reescrevendo suas hist\u00f3rias ou procurando novos caminhos. Todos, uns e outros, sub\u00edamos os degraus dos sonhos que nos levavam ao pr\u00e9dio novo da velha Faculdade de Direito. Uns para o curso diurno, outros para as aulas noturnas. Em todos, esperan\u00e7a e vontade de aprender. Cada um vinha de diferentes caminhos na busca de uma identidade pessoal, de ser algu\u00e9m. E a sala climatizada parecia nos acolher com certa frieza. Ou seria o \u201cfrisson\u201d de estarmos construindo a tarefa de ser gente? O fato \u00e9 que fomos os \u00faltimos daquela faculdade a usar palet\u00f3s. Foi s\u00f3 um semestre. A crise na cadeira de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia do Direito, com o Prof. Heribaldo Costa, fez estragos e todos dela sa\u00edram com mangas arrega\u00e7adas. E assim o fizemos por cinco anos. Al\u00e9m do estudo das mat\u00e9rias, houve pol\u00edtica, muita. 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