{"id":3472,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/para-um-ano-novo-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"para-um-ano-novo-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/para-um-ano-novo-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PARA UM ANO NOVO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista Veja que escreve sobre a morte anunciada de parte da \u00c1frica. H\u00e1 dezenas de anos, desde o s\u00e9culo passado, que sabemos disso e pouco fazemos. Uma vez, faz tempo, vi um filme em que gente africana, tangida pela fome, tentava atravessar o Estreito de Gibraltar. Causava um transtorno grande na Europa. Agora, correu pela internet um raro e-mail s\u00e9rio em que se fala expressamente que toda a fome do mundo seria resolvida com 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Milh\u00f5es de pessoas poderiam entrar na hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o como as que sobreviveram da fome e das guerras tribais, gra\u00e7as a uma a\u00e7\u00e3o conjunta da humanidade. Digamos que, cessadas essas guerras e a fome dessas pessoas, se investisse mais 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares com habita\u00e7\u00f5es, infraestrutura, gera\u00e7\u00e3o de empregos, alimenta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Total: 80 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Pois bem, sabem quanto os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 gastaram para tentar resolver o problema da atual crise financeira do mundo? Dois trilh\u00f5es de d\u00f3lares. N\u00e3o escrevo em numeral, pois s\u00e3o tantos os zeros. E esses dois trilh\u00f5es n\u00e3o asseguram nada, pois s\u00e3o injetados n\u00e3o diretamente na economia, mas para socorrer empresas e agentes financeiros que quebraram ou estavam a quebrar por conta de suas gan\u00e2ncias ou incompet\u00eancias. Havia executivo de empresas multinacionais que recebia, por ano, mais que a arrecada\u00e7\u00e3o fiscal de uma cidade m\u00e9dia de um pa\u00eds em desenvolvimento. Pela minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida n\u00e3o poderia ser contra pessoas que crescem profissionalmente e t\u00eam recursos e recato, at\u00e9 de sobra, para seus herdeiros. Da\u00ed a compactuar com a a\u00e7\u00e3o de bancos centrais e governos que se aliam para socorrer os que n\u00e3o souberam gerir seus neg\u00f3cios e cr\u00e9ditos ou limitar suas ambi\u00e7\u00f5es, a est\u00f3ria \u00e9 outra. Esta crise anunciada poder\u00e1 at\u00e9 ser ben\u00e9fica se, no bojo dela, existir um tempo para a an\u00e1lise coletiva e profunda de suas causas com solu\u00e7\u00f5es globais. N\u00e3o a an\u00e1lise de economistas que n\u00e3o viram o \u201ctsunami\u201d se formando e apenas explicam o \u00f3bvio, depois do fato acontecido. A an\u00e1lise deve ser feita por soci\u00f3logos, antrop\u00f3logos e gestores p\u00fablicos e privados que n\u00e3o tenham ainda sido mordidos pelas certezas de convic\u00e7\u00f5es e tampouco sejam frequentadores de convescotes em Davos ou similares. N\u00f3s, os do planeta Terra, temos de admitir que talvez n\u00e3o estejamos aproveitando os \u00faltimos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos para o bem da humanidade, mas como instrumentos de intimida\u00e7\u00e3o, espionagem e at\u00e9 de devasta\u00e7\u00e3o dos recursos verdes. Essa conversa poderia ser em outro tempo e n\u00e3o no limiar de um Novo Ano. Acontece que os que t\u00eam algum espa\u00e7o, n\u00e3o podem perd\u00ea-los com o desfrute do pr\u00f3prio umbigo. O ano ser\u00e1 novo se mudarmos, mesmo que um pouco, os nossos pensares individuais e coletivos. Caso contr\u00e1rio, \u00e9 bom lembrar que um 8 \u00e9 quase igual a um 9, bastar apertar um pouquinho do lado de dentro. Viva 2009.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 26\/12\/2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista Veja que escreve sobre a morte anunciada de parte da \u00c1frica. H\u00e1 dezenas de anos, desde o s\u00e9culo passado, que sabemos disso e pouco fazemos. Uma vez, faz tempo, vi um filme em que gente africana, tangida pela fome, tentava atravessar o Estreito de Gibraltar. Causava um transtorno grande na Europa. Agora, correu pela internet um raro e-mail s\u00e9rio em que se fala expressamente que toda a fome do mundo seria resolvida com 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Milh\u00f5es de pessoas poderiam entrar na hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o como as que sobreviveram da fome e das guerras tribais, gra\u00e7as a uma a\u00e7\u00e3o conjunta da humanidade. Digamos que, cessadas essas guerras e a fome dessas pessoas, se investisse mais 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares com habita\u00e7\u00f5es, infraestrutura, gera\u00e7\u00e3o de empregos, alimenta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Total: 80 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Pois bem, sabem quanto os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 gastaram para tentar resolver o problema da atual crise financeira do mundo? Dois trilh\u00f5es de d\u00f3lares. N\u00e3o escrevo em numeral, pois s\u00e3o tantos os zeros. E esses dois trilh\u00f5es n\u00e3o asseguram nada, pois s\u00e3o injetados n\u00e3o diretamente na economia, mas para socorrer empresas e agentes financeiros que quebraram ou estavam a quebrar por conta de suas gan\u00e2ncias ou incompet\u00eancias. Havia executivo de empresas multinacionais que recebia, por ano, mais que a arrecada\u00e7\u00e3o fiscal de uma cidade m\u00e9dia de um pa\u00eds em desenvolvimento. Pela minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida n\u00e3o poderia ser contra pessoas que crescem profissionalmente e t\u00eam recursos e recato, at\u00e9 de sobra, para seus herdeiros. Da\u00ed a compactuar com a a\u00e7\u00e3o de bancos centrais e governos que se aliam para socorrer os que n\u00e3o souberam gerir seus neg\u00f3cios e cr\u00e9ditos ou limitar suas ambi\u00e7\u00f5es, a est\u00f3ria \u00e9 outra. Esta crise anunciada poder\u00e1 at\u00e9 ser ben\u00e9fica se, no bojo dela, existir um tempo para a an\u00e1lise coletiva e profunda de suas causas com solu\u00e7\u00f5es globais. N\u00e3o a an\u00e1lise de economistas que n\u00e3o viram o \u201ctsunami\u201d se formando e apenas explicam o \u00f3bvio, depois do fato acontecido. A an\u00e1lise deve ser feita por soci\u00f3logos, antrop\u00f3logos e gestores p\u00fablicos e privados que n\u00e3o tenham ainda sido mordidos pelas certezas de convic\u00e7\u00f5es e tampouco sejam frequentadores de convescotes em Davos ou similares. N\u00f3s, os do planeta Terra, temos de admitir que talvez n\u00e3o estejamos aproveitando os \u00faltimos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos para o bem da humanidade, mas como instrumentos de intimida\u00e7\u00e3o, espionagem e at\u00e9 de devasta\u00e7\u00e3o dos recursos verdes. Essa conversa poderia ser em outro tempo e n\u00e3o no limiar de um Novo Ano. Acontece que os que t\u00eam algum espa\u00e7o, n\u00e3o podem perd\u00ea-los com o desfrute do pr\u00f3prio umbigo. O ano ser\u00e1 novo se mudarmos, mesmo que um pouco, os nossos pensares individuais e coletivos. Caso contr\u00e1rio, \u00e9 bom lembrar que um 8 \u00e9 quase igual a um 9, bastar apertar um pouquinho do lado de dentro. Viva 2009.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 26\/12\/2008<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3472","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3472\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}