{"id":3474,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/civilidade-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"civilidade-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/civilidade-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"CIVILIDADE &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Tenho amigos que, por conta dos seus afazeres, vivem viajando mundo afora. N\u00e3o s\u00e3o turistas acidentais. Viajam com olhos para ver e \u201csentimento de mundo\u201d, captam nuances nos contatos com seus iguais e o povo. Reconhecem, entristecidos, que n\u00f3s, brasileiros, salvo exce\u00e7\u00f5es, somos ainda muito pouco educados, cordiais e incultos em nossos contatos e relacionamentos. Por quest\u00f5es at\u00e9 de sobreviv\u00eancia, cultivamos h\u00e1bitos que n\u00e3o passam pela polidez, gentileza com o outro, respeito ao tr\u00e2nsito e aos im\u00f3veis p\u00fablicos e privados. Em qualquer cidade brasileira, do Oiapoque ao Chui, f\u00e1cil \u00e9 constatar a aus\u00eancia de delicadeza no gesto das pessoas em contato com semelhantes ou, por exemplo, na intimidade dos banheiros. De princ\u00edpio, eram apenas os homens os indelicados. Hoje, por terem jornadas duplas, as mulheres est\u00e3o entrando no time dos que n\u00e3o primam pelo cuidado no falar, na gentileza de ouvir e na capacidade de entender a diversidade, essa realidade que distingue as pessoas, mas que, paradoxalmente, as nivela.<br \/>\nRecentemente, uma pessoa me contou que ao guiar no estrangeiro foi abordada por um policial de tr\u00e2nsito \u201cpelo simples fato de ter mudado de faixa de dire\u00e7\u00e3o\u201d. Ora, os sinais de tr\u00e2nsitos s\u00e3o internacionais e no pa\u00eds onde ela se encontrava ficam muitos claros. Ela havia, por for\u00e7a de h\u00e1bito, cometido infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito comum em nosso pa\u00eds. N\u00e3o nos incomodamos com os carros que vem atr\u00e1s e apenas nos desviamos dos que cruzam \u00e0 frente. \u00c9 assim mesmo, acontece todo instante e isso faz com que acidentes entre ve\u00edculos proliferem e impe\u00e7am a circula\u00e7\u00e3o ideal por conta de per\u00edcias que tardam. Falta-nos civilidade.<br \/>\nHouve um tempo em que se estudava civilidade nas escolas. Lembro que a edi\u00e7\u00e3o do livro era F.T.D. Hoje, certamente, isso pode ser considerado perda de tempo, mas n\u00e3o \u00e9. Dizia Mark Twain que \u201ca gente n\u00e3o se liberta de um h\u00e1bito, atirando-o pela janela. \u00c9 preciso faz\u00ea-lo descer a escada, degrau por degrau\u201d. Isto vale para o tr\u00e2nsito, para as escadas da prepot\u00eancia, para a bisbilhotice da vida alheia e ao desrespeito pelos direitos dos outros. \u00c9 b\u00e1sico. \u00c9 civilidade. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 04\/01\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho amigos que, por conta dos seus afazeres, vivem viajando mundo afora. N\u00e3o s\u00e3o turistas acidentais. Viajam com olhos para ver e \u201csentimento de mundo\u201d, captam nuances nos contatos com seus iguais e o povo. Reconhecem, entristecidos, que n\u00f3s, brasileiros, salvo exce\u00e7\u00f5es, somos ainda muito pouco educados, cordiais e incultos em nossos contatos e relacionamentos. Por quest\u00f5es at\u00e9 de sobreviv\u00eancia, cultivamos h\u00e1bitos que n\u00e3o passam pela polidez, gentileza com o outro, respeito ao tr\u00e2nsito e aos im\u00f3veis p\u00fablicos e privados. Em qualquer cidade brasileira, do Oiapoque ao Chui, f\u00e1cil \u00e9 constatar a aus\u00eancia de delicadeza no gesto das pessoas em contato com semelhantes ou, por exemplo, na intimidade dos banheiros. De princ\u00edpio, eram apenas os homens os indelicados. Hoje, por terem jornadas duplas, as mulheres est\u00e3o entrando no time dos que n\u00e3o primam pelo cuidado no falar, na gentileza de ouvir e na capacidade de entender a diversidade, essa realidade que distingue as pessoas, mas que, paradoxalmente, as nivela.<br \/>\nRecentemente, uma pessoa me contou que ao guiar no estrangeiro foi abordada por um policial de tr\u00e2nsito \u201cpelo simples fato de ter mudado de faixa de dire\u00e7\u00e3o\u201d. Ora, os sinais de tr\u00e2nsitos s\u00e3o internacionais e no pa\u00eds onde ela se encontrava ficam muitos claros. Ela havia, por for\u00e7a de h\u00e1bito, cometido infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito comum em nosso pa\u00eds. N\u00e3o nos incomodamos com os carros que vem atr\u00e1s e apenas nos desviamos dos que cruzam \u00e0 frente. \u00c9 assim mesmo, acontece todo instante e isso faz com que acidentes entre ve\u00edculos proliferem e impe\u00e7am a circula\u00e7\u00e3o ideal por conta de per\u00edcias que tardam. Falta-nos civilidade.<br \/>\nHouve um tempo em que se estudava civilidade nas escolas. Lembro que a edi\u00e7\u00e3o do livro era F.T.D. Hoje, certamente, isso pode ser considerado perda de tempo, mas n\u00e3o \u00e9. Dizia Mark Twain que \u201ca gente n\u00e3o se liberta de um h\u00e1bito, atirando-o pela janela. \u00c9 preciso faz\u00ea-lo descer a escada, degrau por degrau\u201d. Isto vale para o tr\u00e2nsito, para as escadas da prepot\u00eancia, para a bisbilhotice da vida alheia e ao desrespeito pelos direitos dos outros. \u00c9 b\u00e1sico. \u00c9 civilidade. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 04\/01\/2007<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3474\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}