{"id":3475,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/as-portas-de-entrada-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"as-portas-de-entrada-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/as-portas-de-entrada-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"AS PORTAS DE ENTRADA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Entrei o ano por quatro portas distintas. A primeira, e mais importante, foi a da fam\u00edlia nuclear. Juntos, esquecendo diferen\u00e7as, respeitando-se e integrando-se de forma leve, saud\u00e1vel e emotiva. At\u00e9 umas parcas l\u00e1grimas pediram passagem e fizeram com que uma neta perguntasse: por que voc\u00ea est\u00e1 chorando, vov\u00f4? Chora-se, quando nunca se chora, por saber-se meio peixe neste mundo em que os decib\u00e9is das m\u00fasicas abafam sentimentos n\u00e3o aflorados por falta de eco. Mas, deu meia-noite e o c\u00e9u se encheu de luz, fogos tra\u00e7avam artif\u00edcios no espa\u00e7o enquanto rosas, guirlandas, chuveiros, estrelas, bouquets e outras formas de pirotecnia me tornavam menino, na esperan\u00e7a de que o pr\u00f3ximo arranjo de luz e som me embevecesse ainda mais.<br \/>\nAcabaram os fogos, cada um se foi na rota da vida no ano despontado e me dispus a entrar na segunda porta, bem perto, tamb\u00e9m defronte ao mar, vizinha do celeiro da alegria popular e coletiva, do outro lado do muro de pedra. E, mais uma vez, o imp\u00e9rio dos decib\u00e9is brigava com meus t\u00edmpanos. Abracei amigos. E entre as bolhas de um espumante eu via as muta\u00e7\u00f5es temporais da vida. Ali, naquele lugar, por tantos anos, estive junto com a mesma fam\u00edlia nuclear que cresceu e se fez m\u00faltipla. E me achei, em meio a tantos, com a incapacidade de falar ao telefone. Vivemos a \u00e9poca da impaci\u00eancia e minutos desconectados nos tornam isolados, mesmo que multid\u00f5es pululem \u00e0 volta. E a\u00ed entrei na terceira porta, a da rua, no meio do povo misturado com autoridades que capricharam na concep\u00e7\u00e3o nova e manifesta da est\u00e9tica bela, mais profunda que a v\u00e3 superficialidade possa imaginar. E, em meio ao povo, com suas cadeiras e mesas de pl\u00e1stico, cervejas, sandubas e afins, me vi brasileiro, essa mescla de ra\u00e7as, ritmos, harmonias e cores, plenos de singularidade. E havia duas mulheres loiras, uma liderava, outra cantava, ambas acreditando em novos limiares e atitudes. E, passo a passo, na rua, a senha da noite me acenava em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 quarta porta, a dos sonhos.  <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 07\/01\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrei o ano por quatro portas distintas. A primeira, e mais importante, foi a da fam\u00edlia nuclear. Juntos, esquecendo diferen\u00e7as, respeitando-se e integrando-se de forma leve, saud\u00e1vel e emotiva. At\u00e9 umas parcas l\u00e1grimas pediram passagem e fizeram com que uma neta perguntasse: por que voc\u00ea est\u00e1 chorando, vov\u00f4? Chora-se, quando nunca se chora, por saber-se meio peixe neste mundo em que os decib\u00e9is das m\u00fasicas abafam sentimentos n\u00e3o aflorados por falta de eco. 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E, passo a passo, na rua, a senha da noite me acenava em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 quarta porta, a dos sonhos.  <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 07\/01\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}