{"id":3476,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/carta-de-despedida-e-resposta-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"carta-de-despedida-e-resposta-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/carta-de-despedida-e-resposta-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"CARTA DE DESPEDIDA E RESPOSTA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Esta cr\u00f4nica consta de uma carta minha e a resposta, quem sabe. A carta:n\u00e3o importa que voc\u00ea n\u00e3o tenha entendido integralmente o que escrevi. Importa a minha conduta, leitura da realidade, pois sei que tudo \u00e9 relativo Mas, sei tamb\u00e9m que os livros bobos dizem que o passado j\u00e1 passou e o futuro vem depois. N\u00e3o \u00e9 bem assim. Prefiro pensar com W. Faulkner: O passado nunca morre, nem \u00e9 mesmo passado \u201c. J\u00e1 havia escrito e enviado, quando voc\u00ea disse, ao telefone, da sua apreens\u00e3o com a visita feita, pois era o passado que n\u00e3o \u00e9 nem mesmo passado, chegando, incomodando, interferindo no seu bem-estar.<br \/>\nN\u00e3o falei em despedida, voc\u00ea o disse. Falei de \u00f3bices e as met\u00e1foras que usei foram uma forma n\u00e3o linear de dizer que acredito em voc\u00ea, que me considero uma pessoa com quem voc\u00ea pode contar, sempre. Estarei por aqui.<br \/>\nA resposta :Sem d\u00favida os encontros e desencontros permeiam a vida, tornando-a rica e inusitada, pois ambos t\u00eam sua fun\u00e7\u00e3o, desde que bem aproveitados. Acredito que os encontros mais importantes s\u00e3o os intrapessoais, os internos. Sem encontrar e unir as pr\u00f3prias partes interiores, sem definir e conhecer as &#8220;formas&#8221; que se possui, os desencontros interpessoais ser\u00e3o uma constante e o \u00fanico encontro poss\u00edvel e certo ser\u00e1 com o &#8220;caos&#8221;. Talvez os desencontros internos expliquem exatamente a &#8220;g\u00eanese do caos\u201d. Muitos se habituam ao \u201ccaos&#8221; de tal forma que nem mais percebem a perda daquilo que nunca tiveram. E nem ter\u00e3o, pois o \u201ccaos\u201d torna-se um porto seguro. Obviamente n\u00e3o possui &#8220;formas&#8221;, muito menos fronteiras entre interno e externo. Para esses tantos, o dismorfismo torna-se t\u00e3o imprescind\u00edvel para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia que optam pelo caminho mais f\u00e1cil. E taxam tudo aquilo que for diferente da refer\u00eancia que possuem, digo, da aus\u00eancia de refer\u00eancia, como desencontro. N\u00e3o consigo imaginar uma forma fixa, al\u00e9m da beleza do viver, especialmente a dois, que consiste em ajustar formas, encaix\u00e1-las e procurar por alguns segundos tornar-se una, coesa e harm\u00f4nica. Um dia, quando ou se as formas n\u00e3o mais se encaixarem, o &#8220;caos&#8221; ressurgir\u00e1, mas como mero visitante, n\u00e3o como dono da casa.<br \/>\nPenso que pouco tempo pode valer muito, afinal uma caracter\u00edstica da felicidade \u00e9 n\u00e3o perceber que as horas se passaram, assustar-se ao olhar o rel\u00f3gio, seja ele original ou falsificado&#8230;.Essa quest\u00e3o do tempo para mim, a famosa quarta dimens\u00e3o, como pura subjetividade que \u00e9, diante do real, do concreto, torna-se insignificante. Ontem eu falei que voc\u00ea me surpreendeu. Hoje posso repetir a mesma frase, mas com sentimentos diferentes. Sei que os paradoxos existem, mas fico agora a questionar em quem as &#8220;formas&#8221; est\u00e3o precisando de refinamento e ajuste de conduta, assim como discordo da &#8220;quase-lucidez&#8221;. Apenas para terminar, quase esque\u00e7o de dizer o que penso sobre a sua cita\u00e7\u00e3o de &#8220;milhas e milhas a percorrer&#8221;, do poeta Robert Frost ou dos quil\u00f4metros que poderiam ser percorridos no Brasil. Que pena! Entretanto, voc\u00ea me fez bem por me fazer voltar a acreditar em sentimentos, afinal, em pouco tempo, segundo sua matem\u00e1tica, vivi momentos que permanecer\u00e3o por muitos anos.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12\/01\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta cr\u00f4nica consta de uma carta minha e a resposta, quem sabe. A carta:n\u00e3o importa que voc\u00ea n\u00e3o tenha entendido integralmente o que escrevi. 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Acredito que os encontros mais importantes s\u00e3o os intrapessoais, os internos. Sem encontrar e unir as pr\u00f3prias partes interiores, sem definir e conhecer as &#8220;formas&#8221; que se possui, os desencontros interpessoais ser\u00e3o uma constante e o \u00fanico encontro poss\u00edvel e certo ser\u00e1 com o &#8220;caos&#8221;. Talvez os desencontros internos expliquem exatamente a &#8220;g\u00eanese do caos\u201d. Muitos se habituam ao \u201ccaos&#8221; de tal forma que nem mais percebem a perda daquilo que nunca tiveram. E nem ter\u00e3o, pois o \u201ccaos\u201d torna-se um porto seguro. Obviamente n\u00e3o possui &#8220;formas&#8221;, muito menos fronteiras entre interno e externo. Para esses tantos, o dismorfismo torna-se t\u00e3o imprescind\u00edvel para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia que optam pelo caminho mais f\u00e1cil. E taxam tudo aquilo que for diferente da refer\u00eancia que possuem, digo, da aus\u00eancia de refer\u00eancia, como desencontro. 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Sei que os paradoxos existem, mas fico agora a questionar em quem as &#8220;formas&#8221; est\u00e3o precisando de refinamento e ajuste de conduta, assim como discordo da &#8220;quase-lucidez&#8221;. Apenas para terminar, quase esque\u00e7o de dizer o que penso sobre a sua cita\u00e7\u00e3o de &#8220;milhas e milhas a percorrer&#8221;, do poeta Robert Frost ou dos quil\u00f4metros que poderiam ser percorridos no Brasil. Que pena! Entretanto, voc\u00ea me fez bem por me fazer voltar a acreditar em sentimentos, afinal, em pouco tempo, segundo sua matem\u00e1tica, vivi momentos que permanecer\u00e3o por muitos anos.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12\/01\/2007<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}