{"id":3477,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/porta-dos-sonhos-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"porta-dos-sonhos-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/porta-dos-sonhos-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"PORTA DOS SONHOS &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Conclu\u00ed a cr\u00f4nica da semana passada escrevendo que estava entrando na porta dos sonhos. Foi o bastante para mexerem comigo: que porta \u00e9 essa? Voc\u00ea poderia me emprestar a chave? O que h\u00e1 por tr\u00e1s dela? Como saber se ela existe?<br \/>\nPois bem, a porta dos sonhos \u00e9 a capacidade de continuar pensando alto e acreditar que as pessoas s\u00e3o fonte de esperan\u00e7a. Pessoas diferem das coisas e atos. N\u00e3o \u00e9 o que se compra, o carr\u00e3o para disfar\u00e7ar a inseguran\u00e7a, o jeito prepotente de beber vinho caro, sem o m\u00ednimo conhecimento de enologia, o desejo de aparecer transformando comemora\u00e7\u00f5es \u00edntimas em atos p\u00fablicos, ou viajando \u2013 desde que noticiado &#8211; para lugares onde n\u00e3o se percebe nada al\u00e9m da ostenta\u00e7\u00e3o e vazio. Ter sonhos \u00e9 descobrir que a festa e o espa\u00e7o a ser percorrido s\u00e3o o que est\u00e1 na nossa ess\u00eancia, com cren\u00e7a ou descren\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 chave na porta dos sonhos, ela \u00e9 como aquelas portas de saloon de filmes de cow-boy em que o mach\u00e3o entra com dois rev\u00f3lveres e sai com a cara amassada por um pacato cidad\u00e3o que foi desacatado. Logo, n\u00e3o h\u00e1 como emprestar a chave. Ela n\u00e3o existe. A chave \u00e9 atitude, n\u00e3o o destempero verbal, a bravata, a demonstra\u00e7\u00e3o burguesa de poder, quando se sabe que a imperman\u00eancia \u00e9 a \u00fanica coisa duradoura nesta vida. Por tr\u00e1s da porta h\u00e1 o que plantamos, sonhos, quimeras, devaneios que nos conduzem, por exemplo, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de desejos, do amor juvenil ao maduro, com coragem de romper grilh\u00f5es e preconceitos temporais. Ora, se a porta \u00e9 virtual, logo ela poder\u00e1 existir para uns e n\u00e3o existir para os s\u00f3 preocupados em saber da vida dos outros e que n\u00e3o param para se autocentrar e entender seus atos, talvez infantis, toldando sua rela\u00e7\u00e3o com a realidade. E assim, tal como comecei, sei que estes escritos s\u00e3o meros alinhavos, mesclados com os confrontos naturais do existir e isso d\u00e1 a confian\u00e7a de que n\u00e3o posso deixar de sonhar e repetir o que muitos j\u00e1 disseram e poucos atingem: sonho bom mesmo \u00e9 vivido a dois, atravessando portas, virtuais ou reais.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 14\/01\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conclu\u00ed a cr\u00f4nica da semana passada escrevendo que estava entrando na porta dos sonhos. Foi o bastante para mexerem comigo: que porta \u00e9 essa? Voc\u00ea poderia me emprestar a chave? O que h\u00e1 por tr\u00e1s dela? Como saber se ela existe?<br \/>\nPois bem, a porta dos sonhos \u00e9 a capacidade de continuar pensando alto e acreditar que as pessoas s\u00e3o fonte de esperan\u00e7a. Pessoas diferem das coisas e atos. N\u00e3o \u00e9 o que se compra, o carr\u00e3o para disfar\u00e7ar a inseguran\u00e7a, o jeito prepotente de beber vinho caro, sem o m\u00ednimo conhecimento de enologia, o desejo de aparecer transformando comemora\u00e7\u00f5es \u00edntimas em atos p\u00fablicos, ou viajando \u2013 desde que noticiado &#8211; para lugares onde n\u00e3o se percebe nada al\u00e9m da ostenta\u00e7\u00e3o e vazio. Ter sonhos \u00e9 descobrir que a festa e o espa\u00e7o a ser percorrido s\u00e3o o que est\u00e1 na nossa ess\u00eancia, com cren\u00e7a ou descren\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 chave na porta dos sonhos, ela \u00e9 como aquelas portas de saloon de filmes de cow-boy em que o mach\u00e3o entra com dois rev\u00f3lveres e sai com a cara amassada por um pacato cidad\u00e3o que foi desacatado. Logo, n\u00e3o h\u00e1 como emprestar a chave. Ela n\u00e3o existe. A chave \u00e9 atitude, n\u00e3o o destempero verbal, a bravata, a demonstra\u00e7\u00e3o burguesa de poder, quando se sabe que a imperman\u00eancia \u00e9 a \u00fanica coisa duradoura nesta vida. Por tr\u00e1s da porta h\u00e1 o que plantamos, sonhos, quimeras, devaneios que nos conduzem, por exemplo, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de desejos, do amor juvenil ao maduro, com coragem de romper grilh\u00f5es e preconceitos temporais. Ora, se a porta \u00e9 virtual, logo ela poder\u00e1 existir para uns e n\u00e3o existir para os s\u00f3 preocupados em saber da vida dos outros e que n\u00e3o param para se autocentrar e entender seus atos, talvez infantis, toldando sua rela\u00e7\u00e3o com a realidade. E assim, tal como comecei, sei que estes escritos s\u00e3o meros alinhavos, mesclados com os confrontos naturais do existir e isso d\u00e1 a confian\u00e7a de que n\u00e3o posso deixar de sonhar e repetir o que muitos j\u00e1 disseram e poucos atingem: sonho bom mesmo \u00e9 vivido a dois, atravessando portas, virtuais ou reais.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 14\/01\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3477","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3477\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}