{"id":3479,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cultura-no-ceara-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"cultura-no-ceara-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cultura-no-ceara-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"CULTURA NO CEAR\u00c1 &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de quatro meses passei uma hora conversando com Francisco Auto Filho. Mostrava exposi\u00e7\u00f5es de arte que estava coordenando, costureiras trazidas do interior para fazer bonecas de pano e um anjo de cip\u00f3 que um artes\u00e3o fez, a partir de um tronco ressequido de \u00e1rvore. E ele dava baforadas em seu cachimbo, enquanto se via livros novos na sua sacola pl\u00e1stica aberta.<br \/>\nPouco tempo depois, fiz o mesmo trajeto, mostrando as mesmas coisas \u00e0 Cl\u00e1udia Leit\u00e3o. Ela dizia das suas andan\u00e7as pelo interior, ouvindo mestres populares do saber, difundindo vis\u00f5es simples de que a cultura pode abra\u00e7ar a todos e, igualmente, todos podem caber dentro da cultura. Agora, Cl\u00e1udia deixa a Secretaria de Cultura do Cear\u00e1 e Auto Filho a assume. S\u00e3o vis\u00f5es diferentes, mas complementares e instigantes. Cl\u00e1udia e Auto s\u00e3o professores universit\u00e1rios. Ela \u00e9 antrop\u00f3loga., ele \u00e9 fil\u00f3sofo. Ambos s\u00e3o pol\u00eamicos e cientes de que esta terra precisa ser revolvida e resolvida pela cultura. N\u00e3o sei se j\u00e1 conversaram, mas fariam bem se trocassem ideias, mesmo que para discordar. H\u00e1 pouca gente de boa cabe\u00e7a nesta terra e n\u00e3o se pode, por pensar diferente, se dar o luxo de isolar esse ou aquele. Ambos, devem saber que a vaidade e a inseguran\u00e7a acompanham a todos, inclusive artistas, intelectuais e artes\u00e3os. Todos lutam pelo que fazem e precisam do olhar e da palavra do outro, esse que, muitas vezes fica mudo, para n\u00e3o elogiar ou validar o sucesso alheio.<br \/>\nEste Cear\u00e1, t\u00e3o rico e t\u00e3o pobre, n\u00e3o comporta aposentadoria, alheamento ou desconex\u00e3o das pessoas que sabem criar, agitar, liderar e fazer cultura. O exemplo do Clube do Bode, entidade et\u00edlico-recreativa-cultural, sem estatuto, muito calor e fofoca, \u00e9 prova certa de que contr\u00e1rios podem sentar em uma mesma mesa, discutir e disso resultar a\u00e7\u00f5es an\u00e1rquicas que s\u00e3o express\u00f5es e at\u00e9 instala\u00e7\u00f5es culturais p\u00f3s-modernas, tudo registrado em atas, que poucos leem, mas todos assinam reverentes, destacando apenas os seus pr\u00e9-nomes.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 21\/01\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de quatro meses passei uma hora conversando com Francisco Auto Filho. Mostrava exposi\u00e7\u00f5es de arte que estava coordenando, costureiras trazidas do interior para fazer bonecas de pano e um anjo de cip\u00f3 que um artes\u00e3o fez, a partir de um tronco ressequido de \u00e1rvore. 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