{"id":3485,"date":"2023-12-21T09:10:46","date_gmt":"2023-12-21T12:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vida-em-grupo-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:46","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:46","slug":"vida-em-grupo-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vida-em-grupo-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"VIDA EM GRUPO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>De um modo geral, tentamos ser cordial, sempre procurando entender o pensamento e as idiossincrasias alheias. Ouvindo mais que falando, lembrando das datas de anivers\u00e1rio dos amigos mais chegados, enquanto a maioria n\u00e3o se toca. Procuramos, na medida das nossas imperfei\u00e7\u00f5es, ser solid\u00e1rio, discreto, presente e n\u00e3o nos furtar de tentar ajudar. Essa toada acima \u00e9 de gente que participa de grupos. Seja associa\u00e7\u00e3o de classe ou religiosa, clubes de servi\u00e7o, social ou cultural, roda informal de amigos etc. Todos participamos de v\u00e1rias rodas, desde o nascer do sol. A par disso, os grupos criam, via de regra, depois de determinado tempo, uma in\u00e9rcia que cai em vazio existencial, s\u00f3 preenchido pela fofoca, vis\u00e3o distorcida de pessoas, transig\u00eancia exagerada com alguns e intransig\u00eancia com outros.<br \/>\nNa realidade, parece haver, quase sempre, uma esp\u00e9cie de inveja latente, nessas manifesta\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas e isso s\u00f3 desmerece quem as faz, n\u00e3o as pessoas que s\u00e3o objeto do pseudo-chiste ou pseudo-gracejo. Creio que pessoas, tidas e havidas como maduras, n\u00e3o precisam desse humor candente e perverso, para manter uma roda funcionando; alimentada, muitas vezes, por bebida e car\u00eancia de afetividade. Essa constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nossa. Ela \u00e9 p\u00fablica e comum a muitos grupos. A afetividade \u00e9 atitude, n\u00e3o \u00e9 gesto encenado para o p\u00fablico. N\u00e3o s\u00e3o palavras ou discursos ocos de sentimento e plenos de met\u00e1foras que traduzem um relacionamento consistente ou uma data. A atitude \u00e9 aquietada e n\u00e3o precisa de visibilidade. Ela se basta.<br \/>\nEssas quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nossas, algumas pessoas que participam de grupos pensam assim, apenas n\u00e3o t\u00eam um canal ou a coragem de diz\u00ea-las e nos pedem para ser mensageiro. E as escrevemos na procura de caminho que leve grupos e pessoas que os integram, quase sempre de boa vontade, mas carentes de fraternidade, a um encontro n\u00e3o seja presidido apenas por mexericos e inconsequ\u00eancias. Brincar com o outro \u00e9 uma atitude salutar, mas usar sempre uma pseudo-brincadeira como achincalhe ou disfarce de quest\u00f5es pessoais irresolvidas \u00e9 outro caso e merece reflex\u00e3o. Por que fa\u00e7o isso? A que isso me leva? O que quero justificar com essa minha a\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEu mesmo, nos grupos de que participo, n\u00e3o me isento de culpa, mas h\u00e1 exagero nessas manifesta\u00e7\u00f5es em turmas sedimentadas e que emperram no vazio. Nada de ser reformador do mundo, muito menos analista de comportamento, somos mero jogador de palavras. Mas sempre \u00e9 bom entender que a falsa alegria de alguns no denegrir, mesmo que de brincadeira, contamina o mundo real em que vivemos e a boa rela\u00e7\u00e3o que deveremos manter, apesar de nossos defeitos estruturais, humanos que somos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 18\/02\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um modo geral, tentamos ser cordial, sempre procurando entender o pensamento e as idiossincrasias alheias. Ouvindo mais que falando, lembrando das datas de anivers\u00e1rio dos amigos mais chegados, enquanto a maioria n\u00e3o se toca. Procuramos, na medida das nossas imperfei\u00e7\u00f5es, ser solid\u00e1rio, discreto, presente e n\u00e3o nos furtar de tentar ajudar. Essa toada acima \u00e9 de gente que participa de grupos. Seja associa\u00e7\u00e3o de classe ou religiosa, clubes de servi\u00e7o, social ou cultural, roda informal de amigos etc. Todos participamos de v\u00e1rias rodas, desde o nascer do sol. A par disso, os grupos criam, via de regra, depois de determinado tempo, uma in\u00e9rcia que cai em vazio existencial, s\u00f3 preenchido pela fofoca, vis\u00e3o distorcida de pessoas, transig\u00eancia exagerada com alguns e intransig\u00eancia com outros.<br \/>\nNa realidade, parece haver, quase sempre, uma esp\u00e9cie de inveja latente, nessas manifesta\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas e isso s\u00f3 desmerece quem as faz, n\u00e3o as pessoas que s\u00e3o objeto do pseudo-chiste ou pseudo-gracejo. Creio que pessoas, tidas e havidas como maduras, n\u00e3o precisam desse humor candente e perverso, para manter uma roda funcionando; alimentada, muitas vezes, por bebida e car\u00eancia de afetividade. Essa constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nossa. Ela \u00e9 p\u00fablica e comum a muitos grupos. A afetividade \u00e9 atitude, n\u00e3o \u00e9 gesto encenado para o p\u00fablico. N\u00e3o s\u00e3o palavras ou discursos ocos de sentimento e plenos de met\u00e1foras que traduzem um relacionamento consistente ou uma data. A atitude \u00e9 aquietada e n\u00e3o precisa de visibilidade. Ela se basta.<br \/>\nEssas quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nossas, algumas pessoas que participam de grupos pensam assim, apenas n\u00e3o t\u00eam um canal ou a coragem de diz\u00ea-las e nos pedem para ser mensageiro. E as escrevemos na procura de caminho que leve grupos e pessoas que os integram, quase sempre de boa vontade, mas carentes de fraternidade, a um encontro n\u00e3o seja presidido apenas por mexericos e inconsequ\u00eancias. Brincar com o outro \u00e9 uma atitude salutar, mas usar sempre uma pseudo-brincadeira como achincalhe ou disfarce de quest\u00f5es pessoais irresolvidas \u00e9 outro caso e merece reflex\u00e3o. Por que fa\u00e7o isso? A que isso me leva? O que quero justificar com essa minha a\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEu mesmo, nos grupos de que participo, n\u00e3o me isento de culpa, mas h\u00e1 exagero nessas manifesta\u00e7\u00f5es em turmas sedimentadas e que emperram no vazio. Nada de ser reformador do mundo, muito menos analista de comportamento, somos mero jogador de palavras. Mas sempre \u00e9 bom entender que a falsa alegria de alguns no denegrir, mesmo que de brincadeira, contamina o mundo real em que vivemos e a boa rela\u00e7\u00e3o que deveremos manter, apesar de nossos defeitos estruturais, humanos que somos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 18\/02\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3485","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3485\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}