{"id":3494,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/portfolio-da-saudade-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"portfolio-da-saudade-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/portfolio-da-saudade-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PORTF\u00d3LIO DA SAUDADE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O obsessivo Nelson Rodrigues dizia que \u201co amigo \u00e9 um momento de eternidade\u201d. Especialmente, digo eu, se j\u00e1 n\u00e3o compartilhamos de sua presen\u00e7a. Tenho saudades de amigos que n\u00e3o est\u00e3o mais aqui. O primeiro foi Francisco Jesus Parente de Vasconcelos, na flora da juventude, cabe\u00e7a voltada para o direito e no sil\u00eancio de seu apartamento. Marcelo Duque, companheiro de col\u00e9gio, sempre pensando diferente de mim, mas com quem mantinha papos intermin\u00e1veis no Ideal, teve abreviada sua estada por sintonizar diferente do alfa e \u00f4mega da maioria.<br \/>\nE a bruxa a\u00e9rea foi cruel com Edson Queiroz, a quem admirava e ouvia falar da vida e neg\u00f3cios com sua energia, voz forte e pensamento instigante. E ela mesma, a dita bruxa, n\u00e3o a a\u00e9rea, mas travestida em mal incur\u00e1vel, havia levado, pouco tempo antes, Astrol\u00e1bio Queiroz, no apogeu de seu trabalho. Raul Fontenele, amigo desde menino, filho \u00f3rf\u00e3o que se fez var\u00e3o trabalhador e capaz desde cedo e educou fam\u00edlia exemplar, n\u00e3o suportou a partida da amada e, mesmo tentando, sucumbiu de mal aparentemente igual.<br \/>\nE a alegria irreverente que se via no gestual forte, cr\u00edtica contundente e na intelig\u00eancia atilada de Alcimor Rocha foi silenciada pelo ar que se fez rarefeito. E a\u00ed Tancredo Carvalho, alegria e ponto convergente de um grupo de doidinhos, se deu mal com sentimentos, calou-se, somatizou, o corpo padeceu e finou-se.<br \/>\nE o pior \u00e9 que sempre estamos todos despreparados para esses baques nos desnudando dos atavios de amizades sedimentadas por anos. E esses baques sucessivos, pr\u00f3prios do ser e do fenecer, foram amarrotando pensares, sem saber nunca de onde parte a nefanda. E a\u00ed R\u00e9gis Juc\u00e1, sempre l\u00facido, l\u00edder e de lavra m\u00e9dica inquestion\u00e1vel foi, pouco a pouco, mesmo relutante, avisando da partida deixando amigos, pacientes e familiares desarvorados.<br \/>\nE n\u00e3o h\u00e1 nada que apague a lembran\u00e7a forte, di\u00e1ria e sutil de Nat\u00e9rcia Campos, amiga da madureza, pouco a pouco, assenhoreando-se de mim, preenchendo-me de cuidados e zelos ainda ecoando no meu escafandro pessoal onde n\u00e3o permito impurezas do mundo contaminando sentimentos. E foram-se outros, n\u00e3o menores por n\u00e3o serem citados, mas os nomeados s\u00e3o o portf\u00f3lio da saudade ou lembran\u00e7a, formando um vazio onde nem a irrever\u00eancia cont\u00ednua consegue preencher, por mais que se tente fazer de conta que a dor n\u00e3o conta.<br \/>\n(esta cr\u00f4nica \u00e9 dedicada \u00e0 Turma dos S\u00e1bados, Edite Carvalho e Bia Juc\u00e1)<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/04\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O obsessivo Nelson Rodrigues dizia que \u201co amigo \u00e9 um momento de eternidade\u201d. Especialmente, digo eu, se j\u00e1 n\u00e3o compartilhamos de sua presen\u00e7a. Tenho saudades de amigos que n\u00e3o est\u00e3o mais aqui. O primeiro foi Francisco Jesus Parente de Vasconcelos, na flora da juventude, cabe\u00e7a voltada para o direito e no sil\u00eancio de seu apartamento. Marcelo Duque, companheiro de col\u00e9gio, sempre pensando diferente de mim, mas com quem mantinha papos intermin\u00e1veis no Ideal, teve abreviada sua estada por sintonizar diferente do alfa e \u00f4mega da maioria.<br \/>\nE a bruxa a\u00e9rea foi cruel com Edson Queiroz, a quem admirava e ouvia falar da vida e neg\u00f3cios com sua energia, voz forte e pensamento instigante. E ela mesma, a dita bruxa, n\u00e3o a a\u00e9rea, mas travestida em mal incur\u00e1vel, havia levado, pouco tempo antes, Astrol\u00e1bio Queiroz, no apogeu de seu trabalho. Raul Fontenele, amigo desde menino, filho \u00f3rf\u00e3o que se fez var\u00e3o trabalhador e capaz desde cedo e educou fam\u00edlia exemplar, n\u00e3o suportou a partida da amada e, mesmo tentando, sucumbiu de mal aparentemente igual.<br \/>\nE a alegria irreverente que se via no gestual forte, cr\u00edtica contundente e na intelig\u00eancia atilada de Alcimor Rocha foi silenciada pelo ar que se fez rarefeito. E a\u00ed Tancredo Carvalho, alegria e ponto convergente de um grupo de doidinhos, se deu mal com sentimentos, calou-se, somatizou, o corpo padeceu e finou-se.<br \/>\nE o pior \u00e9 que sempre estamos todos despreparados para esses baques nos desnudando dos atavios de amizades sedimentadas por anos. E esses baques sucessivos, pr\u00f3prios do ser e do fenecer, foram amarrotando pensares, sem saber nunca de onde parte a nefanda. E a\u00ed R\u00e9gis Juc\u00e1, sempre l\u00facido, l\u00edder e de lavra m\u00e9dica inquestion\u00e1vel foi, pouco a pouco, mesmo relutante, avisando da partida deixando amigos, pacientes e familiares desarvorados.<br \/>\nE n\u00e3o h\u00e1 nada que apague a lembran\u00e7a forte, di\u00e1ria e sutil de Nat\u00e9rcia Campos, amiga da madureza, pouco a pouco, assenhoreando-se de mim, preenchendo-me de cuidados e zelos ainda ecoando no meu escafandro pessoal onde n\u00e3o permito impurezas do mundo contaminando sentimentos. E foram-se outros, n\u00e3o menores por n\u00e3o serem citados, mas os nomeados s\u00e3o o portf\u00f3lio da saudade ou lembran\u00e7a, formando um vazio onde nem a irrever\u00eancia cont\u00ednua consegue preencher, por mais que se tente fazer de conta que a dor n\u00e3o conta.<br \/>\n(esta cr\u00f4nica \u00e9 dedicada \u00e0 Turma dos S\u00e1bados, Edite Carvalho e Bia Juc\u00e1)<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/04\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3494","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3494\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}