{"id":3496,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/destinos-diferentes-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"destinos-diferentes-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/destinos-diferentes-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"DESTINOS DIFERENTES? &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Mesa de bar, anos 70, governo militar, cerveja. Tr\u00eas jovens, formados, discutem seus destinos. Um conseguira, por concurso, ser funcion\u00e1rio de banco estatal com quinze sal\u00e1rios\/ano, benef\u00edcios e seguran\u00e7a para o futuro. O outro, resolvera ser profissional liberal, fizera cursos, alugara sala, avisara amigos e parentes, colocara an\u00fancios em jornal e come\u00e7ara a lida. O terceiro n\u00e3o decidira o que fazer, queria ser livre. N\u00e3o aceitava ser funcion\u00e1rio e nem esperar clientes. S\u00f3 via uma solu\u00e7\u00e3o: viver por conta pr\u00f3pria, criar algo. Virou, quase sem querer, empres\u00e1rio.<br \/>\n2007, o Brasil continua a ser promessa, faz zoada, mas representa apenas 2% da economia mundial. Tem focos profundos de desigualdade, cidades est\u00e3o permeadas de viol\u00eancia e todos, ricos e pobres, sabem que n\u00e3o vivem no pa\u00eds que sonharam. TVs, r\u00e1dios e jornais falam de crimes, sequestros, d\u00e3o espa\u00e7os e voz a marginais, corrup\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 f\u00e9 e esperan\u00e7a.<br \/>\nOs tr\u00eas amigos voltam a um bar. J\u00e1 n\u00e3o tomam cerveja. Pedem Campari, suco e \u00e1gua com g\u00e1s. Um tem diabetes, outro porta insufici\u00eancia coronariana e o terceiro reclama das articula\u00e7\u00f5es. D\u00e3o um balan\u00e7o nas suas vidas. O funcion\u00e1rio perdeu \u201cstatus\u201d, os sal\u00e1rios reduziram-se a 13, n\u00e3o muda de carro h\u00e1 anos, aposentou-se, mas continua trabalhando, apesar do diabetes forte. O profissional liberal, por conta das coron\u00e1rias, teve que parar tudo, apenas caminha cedo. \u00c9 vi\u00favo, v\u00ea pouco os filhos e netos e d\u00e1 gra\u00e7as a Deus por possuir um lugar onde morar e a parca aposentadoria do INSS. O empres\u00e1rio ainda n\u00e3o pode se aposentar. Divorciado, continua na luta. Relembra, did\u00e1tico, a hiperinfla\u00e7\u00e3o, impostos insuport\u00e1veis, juros altos, desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, cinco moedas, 07 planos econ\u00f4micos, concorrentes draconianos e at\u00e9 parceiros desonestos.<br \/>\nDe repente, dez da noite, \u201cem face de todo o exposto\u201d, soltam gargalhadas, abra\u00e7am-se, consideram-se sobreviventes e saem, sem olhar para dois \u201cpivetes\u201d de armas em punho, nervosos e com voz alta de urg\u00eancia, pois est\u00e3o na rua, pedem celulares, rel\u00f3gios e carteiras. Correm, um celular cai e toca. \u201cAl\u00f4, ainda estamos vivos.\u201d H\u00e1 esperan\u00e7a.<br \/>\n(esta cr\u00f4nica \u00e9 dedicada aos policiais do Cear\u00e1)<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 27\/04\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesa de bar, anos 70, governo militar, cerveja. Tr\u00eas jovens, formados, discutem seus destinos. Um conseguira, por concurso, ser funcion\u00e1rio de banco estatal com quinze sal\u00e1rios\/ano, benef\u00edcios e seguran\u00e7a para o futuro. O outro, resolvera ser profissional liberal, fizera cursos, alugara sala, avisara amigos e parentes, colocara an\u00fancios em jornal e come\u00e7ara a lida. O terceiro n\u00e3o decidira o que fazer, queria ser livre. N\u00e3o aceitava ser funcion\u00e1rio e nem esperar clientes. S\u00f3 via uma solu\u00e7\u00e3o: viver por conta pr\u00f3pria, criar algo. Virou, quase sem querer, empres\u00e1rio.<br \/>\n2007, o Brasil continua a ser promessa, faz zoada, mas representa apenas 2% da economia mundial. Tem focos profundos de desigualdade, cidades est\u00e3o permeadas de viol\u00eancia e todos, ricos e pobres, sabem que n\u00e3o vivem no pa\u00eds que sonharam. TVs, r\u00e1dios e jornais falam de crimes, sequestros, d\u00e3o espa\u00e7os e voz a marginais, corrup\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 f\u00e9 e esperan\u00e7a.<br \/>\nOs tr\u00eas amigos voltam a um bar. J\u00e1 n\u00e3o tomam cerveja. Pedem Campari, suco e \u00e1gua com g\u00e1s. Um tem diabetes, outro porta insufici\u00eancia coronariana e o terceiro reclama das articula\u00e7\u00f5es. D\u00e3o um balan\u00e7o nas suas vidas. O funcion\u00e1rio perdeu \u201cstatus\u201d, os sal\u00e1rios reduziram-se a 13, n\u00e3o muda de carro h\u00e1 anos, aposentou-se, mas continua trabalhando, apesar do diabetes forte. O profissional liberal, por conta das coron\u00e1rias, teve que parar tudo, apenas caminha cedo. \u00c9 vi\u00favo, v\u00ea pouco os filhos e netos e d\u00e1 gra\u00e7as a Deus por possuir um lugar onde morar e a parca aposentadoria do INSS. O empres\u00e1rio ainda n\u00e3o pode se aposentar. Divorciado, continua na luta. Relembra, did\u00e1tico, a hiperinfla\u00e7\u00e3o, impostos insuport\u00e1veis, juros altos, desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, cinco moedas, 07 planos econ\u00f4micos, concorrentes draconianos e at\u00e9 parceiros desonestos.<br \/>\nDe repente, dez da noite, \u201cem face de todo o exposto\u201d, soltam gargalhadas, abra\u00e7am-se, consideram-se sobreviventes e saem, sem olhar para dois \u201cpivetes\u201d de armas em punho, nervosos e com voz alta de urg\u00eancia, pois est\u00e3o na rua, pedem celulares, rel\u00f3gios e carteiras. Correm, um celular cai e toca. \u201cAl\u00f4, ainda estamos vivos.\u201d H\u00e1 esperan\u00e7a.<br \/>\n(esta cr\u00f4nica \u00e9 dedicada aos policiais do Cear\u00e1)<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 27\/04\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3496","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3496\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}