{"id":3499,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/que-mae-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"que-mae-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/que-mae-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"QUE M\u00c3E? &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Procuro, de mem\u00f3ria, definir um padr\u00e3o de m\u00e3e ideal. O que seria, afinal de contas, m\u00e3e ideal? Descubro, de pronto, que escrevi um absurdo. Ideal, por si, pressup\u00f5e imagina\u00e7\u00e3o e utopia. N\u00e3o \u00e9 real, \u00e9 imagin\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 essa a m\u00e3e que tento definir. O que talvez tenha querido dizer seja m\u00e3e completa. Mais uma vez, vejo que a palavra completa pressup\u00f5e algu\u00e9m a quem n\u00e3o falta nada do que pode ou deve ter. Qual m\u00e3e teria essa completude? Nenhuma, \u00e9 certo. Penso ent\u00e3o em m\u00e3e fiel, mas acho que fica meio piegas, pois significa que \u00e9 digna de f\u00e9. Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m quem cumpre o que promete. Mas, as m\u00e3es n\u00e3o prometem, pois a curta ou longa vida vive-se no dia a dia, na lida. Elas n\u00e3o prometem, v\u00e3o fazendo. Desisto ent\u00e3o, de m\u00e3e fiel e imagino que m\u00e3e porreta seja mais moderno, justo para a mo\u00e7ada, mas descubro que h\u00e1 filhos nascidos nos tempos em que chamar uma m\u00e3e de porreta seria, para eles e para ela, no m\u00ednimo, uma grosseria.<br \/>\nE a\u00ed fico meio embatucado. Afinal, que adjetivo seria adequado para qualificar a palavra m\u00e3e? Lembro de m\u00e3e legal, mas me d\u00e1 a ideia de m\u00e3e que segue leis, costumes, serve n\u00e3o. E j\u00e1 estou mais do meio da escrita e n\u00e3o encontro uma palavra, que resuma o que todos n\u00f3s, filhos da m\u00e3e, pensamos dela. Volto a olhar a frase anterior e vejo filhos da m\u00e3e. \u00c9 no bom sentido, claro, mas se entende \u2018filhos da m\u00e3e\u2019 como uma ofensa. Desculpe. E o que estou querendo \u00e9 saudar, deixar claro o meu bem querer \u00e0s m\u00e3es que fui encontrando ao longo da vida, \u00e0 minha m\u00e3e, bonita e l\u00facida. \u00c0s av\u00f3s, \u00e0s tias. \u00c0 m\u00e3e de minhas filhas. \u00c0s filhas que se tornaram m\u00e3es, \u00e0s mulheres-m\u00e3es que compartilham o trabalho comigo h\u00e1 anos. \u00c0s irm\u00e3s, sobrinhas, amigas, amadas, a quem tento homenagear, mas ainda n\u00e3o consegui a palavra adequada, definitiva, resolutiva e justa. Fecho os olhos, penso em D.Margarida, na perceptibilidade de seus 88 anos, cheia de sabedoria em seu jeito simples de conduzir a vida com todas as incertezas e ou\u00e7o a resposta que daria sem pestanejar: \u201cM\u00e3e \u00e9 m\u00e3e\u201d. Fica assim.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 13\/05\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Procuro, de mem\u00f3ria, definir um padr\u00e3o de m\u00e3e ideal. O que seria, afinal de contas, m\u00e3e ideal? Descubro, de pronto, que escrevi um absurdo. Ideal, por si, pressup\u00f5e imagina\u00e7\u00e3o e utopia. N\u00e3o \u00e9 real, \u00e9 imagin\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 essa a m\u00e3e que tento definir. O que talvez tenha querido dizer seja m\u00e3e completa. Mais uma vez, vejo que a palavra completa pressup\u00f5e algu\u00e9m a quem n\u00e3o falta nada do que pode ou deve ter. Qual m\u00e3e teria essa completude? Nenhuma, \u00e9 certo. Penso ent\u00e3o em m\u00e3e fiel, mas acho que fica meio piegas, pois significa que \u00e9 digna de f\u00e9. Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m quem cumpre o que promete. Mas, as m\u00e3es n\u00e3o prometem, pois a curta ou longa vida vive-se no dia a dia, na lida. Elas n\u00e3o prometem, v\u00e3o fazendo. Desisto ent\u00e3o, de m\u00e3e fiel e imagino que m\u00e3e porreta seja mais moderno, justo para a mo\u00e7ada, mas descubro que h\u00e1 filhos nascidos nos tempos em que chamar uma m\u00e3e de porreta seria, para eles e para ela, no m\u00ednimo, uma grosseria.<br \/>\nE a\u00ed fico meio embatucado. Afinal, que adjetivo seria adequado para qualificar a palavra m\u00e3e? Lembro de m\u00e3e legal, mas me d\u00e1 a ideia de m\u00e3e que segue leis, costumes, serve n\u00e3o. E j\u00e1 estou mais do meio da escrita e n\u00e3o encontro uma palavra, que resuma o que todos n\u00f3s, filhos da m\u00e3e, pensamos dela. Volto a olhar a frase anterior e vejo filhos da m\u00e3e. \u00c9 no bom sentido, claro, mas se entende \u2018filhos da m\u00e3e\u2019 como uma ofensa. Desculpe. E o que estou querendo \u00e9 saudar, deixar claro o meu bem querer \u00e0s m\u00e3es que fui encontrando ao longo da vida, \u00e0 minha m\u00e3e, bonita e l\u00facida. \u00c0s av\u00f3s, \u00e0s tias. \u00c0 m\u00e3e de minhas filhas. \u00c0s filhas que se tornaram m\u00e3es, \u00e0s mulheres-m\u00e3es que compartilham o trabalho comigo h\u00e1 anos. \u00c0s irm\u00e3s, sobrinhas, amigas, amadas, a quem tento homenagear, mas ainda n\u00e3o consegui a palavra adequada, definitiva, resolutiva e justa. Fecho os olhos, penso em D.Margarida, na perceptibilidade de seus 88 anos, cheia de sabedoria em seu jeito simples de conduzir a vida com todas as incertezas e ou\u00e7o a resposta que daria sem pestanejar: \u201cM\u00e3e \u00e9 m\u00e3e\u201d. Fica assim.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 13\/05\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3499\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}