{"id":3503,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/volta-no-passado-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"volta-no-passado-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/volta-no-passado-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"VOLTA NO PASSADO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Um domingo desses fui dar uma volta de carro e me encontrei no passado, repassando os locais em que vivi quando menino. Aprendi a n\u00e3o jogar bola na Rua Major Facundo, ali perto da antiga Associa\u00e7\u00e3o Cultural Franco-Brasileira, chegando na Pra\u00e7a do Carmo. Eram poucos passos para as aulas no Col\u00e9gio Farias Brito, na Duque de Caxias, alguns mais para o Instituto Brasil Estados Unidos na Rua Solon Pinheiro. L\u00e1, no mesmo quarteir\u00e3o, olhando para a Cidade da Crian\u00e7a, existiam a Biblioteca P\u00fablica e o Conservat\u00f3rio Henrique Jorge, importantes para a minha forma\u00e7\u00e3o complementar. No Ibeu, aprendi o pouco de ingl\u00eas que me salva por a\u00ed, na Biblioteca foi onde ficava a ler jornais, pedir livros emprestados e, no seu subsolo, encadernar os meus di\u00e1rios que foram deslembrando o tempo real. Na escola de m\u00fasica, eu, ou\u00e7as cegas, ficava prestando aten\u00e7\u00e3o aos m\u00fasicos e tentava ir aprimorando-as, o que n\u00e3o consegui.<br \/>\nDepois moramos rapidamente na Visconde do Rio Branco, mas assentamos de verdade no Bairro de F\u00e1tima ent\u00e3o come\u00e7ando a ser habitado, a partir da Igreja que abre as portas centrais para a Mons. Ot\u00e1vio de Castro, a rua da minha juventude. A casa que meu pai fizera era \u201cfuncional\u201d, algo moderno, tal como no filme \u201cMeu Tio\u201d do Jacques Tati. Nela a varanda era coberta de concreto, a garagem fechava tipo al\u00e7ap\u00e3o, acionada por caixa de cimento que levantava e baixava o port\u00e3o por um cabo de a\u00e7o. Foi l\u00e1 que reuni jovens e formei o Girafa, o pomposo Grupo de Instru\u00e7\u00e3o e Recrea\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica de F\u00e1tima. Ocupamos um terreno e formamos times de v\u00f4lei. Havia festas mis, permut\u00e1vamos livros e faz\u00edamos a queima do Judas, n\u00e3o sem antes realizar debate sobre sua culpa ou sina. Era tempo em que jovens das fam\u00edlias Rosa, Furtado, Carneiro Gir\u00e3o, Machado, Pinheiro, Holanda, al\u00e9m da nossa, n\u00e3o pensavam em drogas, sem ser caretas, mas namoravam em meio a santos amassos. J\u00e1 trabalhando, resolvi fazer um quarto s\u00f3 para mim no quintal de casa e comprar telefone e um ar-condicionado usado. Parecia a chave da liberdade, mais importante que o p\u00e3o, j\u00e1 dizia Nelson Rodrigues.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 27\/05\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um domingo desses fui dar uma volta de carro e me encontrei no passado, repassando os locais em que vivi quando menino. Aprendi a n\u00e3o jogar bola na Rua Major Facundo, ali perto da antiga Associa\u00e7\u00e3o Cultural Franco-Brasileira, chegando na Pra\u00e7a do Carmo. Eram poucos passos para as aulas no Col\u00e9gio Farias Brito, na Duque de Caxias, alguns mais para o Instituto Brasil Estados Unidos na Rua Solon Pinheiro. L\u00e1, no mesmo quarteir\u00e3o, olhando para a Cidade da Crian\u00e7a, existiam a Biblioteca P\u00fablica e o Conservat\u00f3rio Henrique Jorge, importantes para a minha forma\u00e7\u00e3o complementar. No Ibeu, aprendi o pouco de ingl\u00eas que me salva por a\u00ed, na Biblioteca foi onde ficava a ler jornais, pedir livros emprestados e, no seu subsolo, encadernar os meus di\u00e1rios que foram deslembrando o tempo real. Na escola de m\u00fasica, eu, ou\u00e7as cegas, ficava prestando aten\u00e7\u00e3o aos m\u00fasicos e tentava ir aprimorando-as, o que n\u00e3o consegui.<br \/>\nDepois moramos rapidamente na Visconde do Rio Branco, mas assentamos de verdade no Bairro de F\u00e1tima ent\u00e3o come\u00e7ando a ser habitado, a partir da Igreja que abre as portas centrais para a Mons. Ot\u00e1vio de Castro, a rua da minha juventude. A casa que meu pai fizera era \u201cfuncional\u201d, algo moderno, tal como no filme \u201cMeu Tio\u201d do Jacques Tati. Nela a varanda era coberta de concreto, a garagem fechava tipo al\u00e7ap\u00e3o, acionada por caixa de cimento que levantava e baixava o port\u00e3o por um cabo de a\u00e7o. 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