{"id":3507,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ouvir-dizer-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"ouvir-dizer-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ouvir-dizer-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"OUVIR DIZER &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Ricardo Guilherme, para os que n\u00e3o sabem, \u00e9, al\u00e9m de ator consagrado e diretor de teatro, um apaixonado por leitura. E dessa a paix\u00e3o e maturidade profissional, surgiu um projeto seu, acolhido pelo Centro Cultural do BNB, em que textos, poesias e prosas de poetas e autores cearenses, s\u00e3o levados \u00e0 cena, mensalmente, em datas previamente marcadas e divulgadas, sempre \u00e0s 16.00 horas, ali no audit\u00f3rio da Rua Floriano Peixoto. O cen\u00e1rio \u00e9 apenas um pano preto de fundo, cor essa que tamb\u00e9m \u00e9 a vestimenta do Ricardo, real\u00e7ando apenas os seus grandes \u00f3culos, a vasta cabeleira branca e a voz sonora, modul\u00e1vel e que vai tomando o compasso e a harmonia de suas emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 m\u00fasica, tampouco apresenta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Apenas um banco, uma estante e um microfone, certamente iluminados por spots direcionados, em meio \u00e0 negritude do fundo. E a\u00ed Ricardo aparece e come\u00e7a a falar da pessoa e da obra do escolhido. Digamos, por exemplo, que esteja falando do poeta Francisco Carvalho (que, por sinal, reservado que \u00e9, n\u00e3o compareceu no dia em que sua obra foi apresentada, mas sua fam\u00edlia estava l\u00e1): conta a sua rela\u00e7\u00e3o pessoal com o grande poeta de forma leve, mas segura e, sem que os ouvintes percebam, mostra as v\u00e1rias faces do autor, quer como amigo, incentivador de iniciantes, funcion\u00e1rio p\u00fablico, professor etc.<br \/>\nDesse jeito sutil e precioso, d\u00e1-se uma natural inicia\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, constitu\u00eddo, em sua maioria, por jovens de escolas p\u00fablicas, e de escolas privadas, pois o projeto \u00e9 aberto, democr\u00e1tico, gratuito e, certamente, a dire\u00e7\u00e3o do Centro Cultural do BNB far\u00e1 um bem maior se lhe der continuidade. Igualmente, as dire\u00e7\u00f5es de col\u00e9gios e universidades fariam um benef\u00edcio imenso aos estudantes se os levassem para ouvir essas leituras dram\u00e1ticas que t\u00eam consist\u00eancia, tom intimista e at\u00e9, algumas vezes, uma pitada de humor. Al\u00e9m disso, Ricardo escolhe autores (por exemplo: o j\u00e1 citado Francisco Carvalho, Moreira Campos, Airton Monte, Patatitva, Carlos Augusto Viana, Luciano Maia etc.) e estuda, com aten\u00e7\u00e3o, alguns textos especiais de cada um para ler, repetir e enfatizar, como a montar, na cabe\u00e7a do ouvinte, um jardim de est\u00e9tica.<br \/>\nDura apenas uma hora, o que \u00e9 lament\u00e1vel, pois vai sendo criada, pouco a pouco, de forma did\u00e1tica, sem deixar de ser teatral, uma empatia entre o apresentador Ricardo Guilherme e o p\u00fablico. E o mon\u00f3logo, de forma incr\u00edvel, passa a ser di\u00e1logo com o sentimento e a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte que, mesmo que n\u00e3o conhe\u00e7a nada de literatura, sai do audit\u00f3rio com muita coisa para pensar, ainda que n\u00e3o recorde exatamente tudo o que foi dito com maestria e simplicidade c\u00eanica. \u00c9 um processo &#8211; e um projeto &#8211; de transforma\u00e7\u00e3o de pessoas que precisaria do apoio maior do BNB para continuar e tamb\u00e9m ser mambembe, viajante, volante, aliar a clausura do audit\u00f3rio \u00e0s quadras de escolas e comunidades, como a dizer que o mundo n\u00e3o \u00e9 apenas viol\u00eancia das ruas, desatino de pol\u00edticos, vazio de certos de shows, programas de televis\u00e3o e de algumas emissoras de r\u00e1dio que primam pelo chulo e o mau gosto. H\u00e1 salva\u00e7\u00e3o, acredite, esse projeto, n\u00e3o pode ser interrompido, ele \u00e9 um caminho e caminho se faz, passo a passo.<br \/>\n(para todos os que acreditam na esperan\u00e7a, na escrita e na arte)<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/06\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Guilherme, para os que n\u00e3o sabem, \u00e9, al\u00e9m de ator consagrado e diretor de teatro, um apaixonado por leitura. E dessa a paix\u00e3o e maturidade profissional, surgiu um projeto seu, acolhido pelo Centro Cultural do BNB, em que textos, poesias e prosas de poetas e autores cearenses, s\u00e3o levados \u00e0 cena, mensalmente, em datas previamente marcadas e divulgadas, sempre \u00e0s 16.00 horas, ali no audit\u00f3rio da Rua Floriano Peixoto. O cen\u00e1rio \u00e9 apenas um pano preto de fundo, cor essa que tamb\u00e9m \u00e9 a vestimenta do Ricardo, real\u00e7ando apenas os seus grandes \u00f3culos, a vasta cabeleira branca e a voz sonora, modul\u00e1vel e que vai tomando o compasso e a harmonia de suas emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 m\u00fasica, tampouco apresenta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Apenas um banco, uma estante e um microfone, certamente iluminados por spots direcionados, em meio \u00e0 negritude do fundo. E a\u00ed Ricardo aparece e come\u00e7a a falar da pessoa e da obra do escolhido. Digamos, por exemplo, que esteja falando do poeta Francisco Carvalho (que, por sinal, reservado que \u00e9, n\u00e3o compareceu no dia em que sua obra foi apresentada, mas sua fam\u00edlia estava l\u00e1): conta a sua rela\u00e7\u00e3o pessoal com o grande poeta de forma leve, mas segura e, sem que os ouvintes percebam, mostra as v\u00e1rias faces do autor, quer como amigo, incentivador de iniciantes, funcion\u00e1rio p\u00fablico, professor etc.<br \/>\nDesse jeito sutil e precioso, d\u00e1-se uma natural inicia\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, constitu\u00eddo, em sua maioria, por jovens de escolas p\u00fablicas, e de escolas privadas, pois o projeto \u00e9 aberto, democr\u00e1tico, gratuito e, certamente, a dire\u00e7\u00e3o do Centro Cultural do BNB far\u00e1 um bem maior se lhe der continuidade. Igualmente, as dire\u00e7\u00f5es de col\u00e9gios e universidades fariam um benef\u00edcio imenso aos estudantes se os levassem para ouvir essas leituras dram\u00e1ticas que t\u00eam consist\u00eancia, tom intimista e at\u00e9, algumas vezes, uma pitada de humor. Al\u00e9m disso, Ricardo escolhe autores (por exemplo: o j\u00e1 citado Francisco Carvalho, Moreira Campos, Airton Monte, Patatitva, Carlos Augusto Viana, Luciano Maia etc.) e estuda, com aten\u00e7\u00e3o, alguns textos especiais de cada um para ler, repetir e enfatizar, como a montar, na cabe\u00e7a do ouvinte, um jardim de est\u00e9tica.<br \/>\nDura apenas uma hora, o que \u00e9 lament\u00e1vel, pois vai sendo criada, pouco a pouco, de forma did\u00e1tica, sem deixar de ser teatral, uma empatia entre o apresentador Ricardo Guilherme e o p\u00fablico. E o mon\u00f3logo, de forma incr\u00edvel, passa a ser di\u00e1logo com o sentimento e a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte que, mesmo que n\u00e3o conhe\u00e7a nada de literatura, sai do audit\u00f3rio com muita coisa para pensar, ainda que n\u00e3o recorde exatamente tudo o que foi dito com maestria e simplicidade c\u00eanica. \u00c9 um processo &#8211; e um projeto &#8211; de transforma\u00e7\u00e3o de pessoas que precisaria do apoio maior do BNB para continuar e tamb\u00e9m ser mambembe, viajante, volante, aliar a clausura do audit\u00f3rio \u00e0s quadras de escolas e comunidades, como a dizer que o mundo n\u00e3o \u00e9 apenas viol\u00eancia das ruas, desatino de pol\u00edticos, vazio de certos de shows, programas de televis\u00e3o e de algumas emissoras de r\u00e1dio que primam pelo chulo e o mau gosto. H\u00e1 salva\u00e7\u00e3o, acredite, esse projeto, n\u00e3o pode ser interrompido, ele \u00e9 um caminho e caminho se faz, passo a passo.<br \/>\n(para todos os que acreditam na esperan\u00e7a, na escrita e na arte)<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/06\/2007<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3507","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3507\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}