{"id":3512,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/lucio-e-oscar-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"lucio-e-oscar-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/lucio-e-oscar-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"L\u00daCIO E OSCAR &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Seis da tarde. O avi\u00e3o fazia aproxima\u00e7\u00e3o e ela j\u00e1 aparecia no visual. Eu estava \u00e0 direita, na janela, do lado do p\u00f4r-do-sol terracota, inebriante aos olhos. Parecia uma grande fogueira deste junho. Descemos, leve estremecimento, taxiamento e o bruto cerra as turbinas. Somos metidos em um fole e a noite suave nos acolhe nesta cidade de est\u00f3rias, intrigas passadas e atuais.<br \/>\nNunca vim \u00e0 Bras\u00edlia a neg\u00f3cios, n\u00e3o entro em minist\u00e9rios, autarquias, entidades ou bancos e nem procuro pol\u00edticos. Venho por um amigo, apenas isso. Quero participar de sua alegria e sucesso, sem estardalha\u00e7o, com minha presen\u00e7a, tal qual sou, sem salamaleques. E o carro em que ando desfila pelos desenhos postos em betume do urbanista L\u00facio Costa, o maior que este pa\u00eds j\u00e1 teve e ter\u00e1. Sua vis\u00e3o genial de futuro \u00e9 t\u00e3o grande que a cidade, quase 50 anos ap\u00f3s, ainda parece em esplendor, bela, ampla e pousada imaginariamente como um imenso e inamov\u00edvel avi\u00e3o que mete o nariz nas entranhas desse solo barrento e ali se queda para todo o sempre.<br \/>\nE dos dois lados de tudo o que L\u00facio Costa esbo\u00e7ou, al\u00e9m dos parques e lagos, est\u00e1 o crayon do arquiteto Oscar Niemeyer, com suas linhas curvas e retas tra\u00e7adas, fazendo poesia concreta, n\u00e3o a de poetas tecedores de palavras, mas a transmudada a partir do olhar de quem a v\u00ea sinuosa e eloquente em seu sil\u00eancio e voz de concreto. E os arranjos atuais de luminot\u00e9cnica, de forma difusa, real\u00e7am tudo o que a vis\u00e3o capta na plasticidade vertiginosa, pois adelga\u00e7ada no p\u00f3s-futuro.<br \/>\nE n\u00e3o posso esquecer os olhos marotos de Juscelino Kubitschek, embevecido da obra dele, do construtor Israel Pinheiro, L\u00facio e Oscar, que custou os olhos da cara de uma na\u00e7\u00e3o pobre, mas lhe deu identidade urbana, liberando-a de sua fei\u00e7\u00e3o jeca e andrajosa. O pa\u00eds estava pronto para o futuro em 1960, mas havia o povo e este, na ignor\u00e2ncia de que era possu\u00eddo, n\u00e3o sabia escolher dirigentes e o caos se deu logo em 1962, e da\u00ed para c\u00e1 todos sabem a hist\u00f3ria e as est\u00f3rias que correm. Cada um com a sua vers\u00e3o e quem quiser que conte outra, pois esta \u00e9 a minha. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 24\/06\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seis da tarde. O avi\u00e3o fazia aproxima\u00e7\u00e3o e ela j\u00e1 aparecia no visual. Eu estava \u00e0 direita, na janela, do lado do p\u00f4r-do-sol terracota, inebriante aos olhos. Parecia uma grande fogueira deste junho. Descemos, leve estremecimento, taxiamento e o bruto cerra as turbinas. Somos metidos em um fole e a noite suave nos acolhe nesta cidade de est\u00f3rias, intrigas passadas e atuais.<br \/>\nNunca vim \u00e0 Bras\u00edlia a neg\u00f3cios, n\u00e3o entro em minist\u00e9rios, autarquias, entidades ou bancos e nem procuro pol\u00edticos. Venho por um amigo, apenas isso. Quero participar de sua alegria e sucesso, sem estardalha\u00e7o, com minha presen\u00e7a, tal qual sou, sem salamaleques. E o carro em que ando desfila pelos desenhos postos em betume do urbanista L\u00facio Costa, o maior que este pa\u00eds j\u00e1 teve e ter\u00e1. Sua vis\u00e3o genial de futuro \u00e9 t\u00e3o grande que a cidade, quase 50 anos ap\u00f3s, ainda parece em esplendor, bela, ampla e pousada imaginariamente como um imenso e inamov\u00edvel avi\u00e3o que mete o nariz nas entranhas desse solo barrento e ali se queda para todo o sempre.<br \/>\nE dos dois lados de tudo o que L\u00facio Costa esbo\u00e7ou, al\u00e9m dos parques e lagos, est\u00e1 o crayon do arquiteto Oscar Niemeyer, com suas linhas curvas e retas tra\u00e7adas, fazendo poesia concreta, n\u00e3o a de poetas tecedores de palavras, mas a transmudada a partir do olhar de quem a v\u00ea sinuosa e eloquente em seu sil\u00eancio e voz de concreto. E os arranjos atuais de luminot\u00e9cnica, de forma difusa, real\u00e7am tudo o que a vis\u00e3o capta na plasticidade vertiginosa, pois adelga\u00e7ada no p\u00f3s-futuro.<br \/>\nE n\u00e3o posso esquecer os olhos marotos de Juscelino Kubitschek, embevecido da obra dele, do construtor Israel Pinheiro, L\u00facio e Oscar, que custou os olhos da cara de uma na\u00e7\u00e3o pobre, mas lhe deu identidade urbana, liberando-a de sua fei\u00e7\u00e3o jeca e andrajosa. O pa\u00eds estava pronto para o futuro em 1960, mas havia o povo e este, na ignor\u00e2ncia de que era possu\u00eddo, n\u00e3o sabia escolher dirigentes e o caos se deu logo em 1962, e da\u00ed para c\u00e1 todos sabem a hist\u00f3ria e as est\u00f3rias que correm. Cada um com a sua vers\u00e3o e quem quiser que conte outra, pois esta \u00e9 a minha. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 24\/06\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}