{"id":3513,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/deus-vive-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"deus-vive-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/deus-vive-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"DEUS VIVE? &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Deixo claro, desde logo, que esta cr\u00f4nica \u00e9 fruto de pesquisa, viv\u00eancia, leitura despretensiosa de livros e ensaios. Nada de engenho e arte.<br \/>\nOs que nasceram nas d\u00e9cadas de 40 e 50 e tiveram forma\u00e7\u00e3o religiosa ou estudaram em col\u00e9gios dirigidos por pastores, irm\u00e3os, freiras, rabinos ou padres, sabem que o Deus que nos foi apresentado, na maioria das vezes, era algu\u00e9m onipotente, soberano e punia com castigo e afli\u00e7\u00f5es os que n\u00e3o seguiam os seus ensinamentos. As proibi\u00e7\u00f5es imperavam e se pecava por pensamentos, palavras, obras e omiss\u00f5es.<br \/>\nVeio a d\u00e9cada de 60 e o mundo tomou novo rumo. Surgiram os hippies, o rock, o Concilio Vaticano II, o assassinato dos Kennedys, a guerra do Vietn\u00e3, o feminismo e a inform\u00e1tica. Os homens e as mulheres estavam confusos com a libera\u00e7\u00e3o sexual, com a prolifera\u00e7\u00e3o do uso da maconha, do LSD e diante da perspectiva de um programa espacial que pretendia desvendar os mist\u00e9rios do espa\u00e7o c\u00f3smico e mostrar que A era mais forte que B.<br \/>\nEm 1966, a revista americana Time publicou mat\u00e9ria com o t\u00edtulo \u201cDeus est\u00e1 Morto\u201d? tal era o agnosticismo que parecia imperar naquela \u00e9poca. As d\u00e9cadas de 70 e 80 foram utilizadas mais para a especula\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, crescimento econ\u00f4mico e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Imaginava-se que Deus estava \u00e0 margem desse processo.<br \/>\nDe repente, surge nos anos 90, um fervor religioso com especial destaque para todas as igrejas. A A\u00e7\u00e3o Preferencial pelos Pobres e a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o cedem lugar para a Renova\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica (na Igreja Cat\u00f3lica), os mu\u00e7ulmanos se exp\u00f5em e tumultuam o nosso mundo, crescem os televangelistas nos Estados Unidos (destacando-se Pat Robertson, fundador da Coaliza\u00e7\u00e3o Crist\u00e3) e a exponencial atua\u00e7\u00e3o da Igreja Universal do Reino de Deus que, do Brasil, lan\u00e7ou tent\u00e1culos para o mundo e promove a f\u00e9 presencial e televisiva.<br \/>\nAo mesmo tempo, na R\u00fassia, num esfor\u00e7o da Prefeitura de Moscou, do Governo Sovi\u00e9tico e da igreja Ortodoxa gastaram-se 250 milh\u00f5es de d\u00f3lares reconstruindo a catedral do Cristo Salvador destru\u00edda por Stalin. Os russos voltaram a ter f\u00e9. Enquanto isso, um intelectual americano, Jack Miles, escrevia um best-seller &#8220;Deus, uma autobiografia\u201d, baseado na vers\u00e3o judaica da B\u00edblia, onde montava uma vers\u00e3o instigante sobre Deus. Agora, na Veja desta semana, outros escritores voltam a questionar e negar a Deus.<br \/>\nGeraldo Mello Mour\u00e3o, fil\u00f3sofo dos bons e pol\u00eamico por excel\u00eancia, deu o seu pitaco sobre Deus: \u2018Tudo ser\u00e1 mon\u00f3tono, menos esse Deus arteiro e impag\u00e1vel , como o entendia Rilke, que cria todos os poliedros dos dias e das noites para seus servidores e que sempre os espanta e surpreende com sua presen\u00e7a cruelmente exigente e docemente compassiva\u2019.<br \/>\nPor outro lado, crendo-se que Deus est\u00e1 vivo, ele assume uma face mais branda, menos carrancuda, passando uma linguagem onde o amor predomina e a fonte dessa nova onda \u00e9 a descoberta de uma identidade para o ser humano, baseada, talvez, em uma esp\u00e9cie de \u2018fundamentalismo\u2019 generalizado que, com muita for\u00e7a diz, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es, ora\u00e7\u00f5es e cantos, que Deus est\u00e1 vivo e no meio de n\u00f3s. Ser\u00e1?<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/06\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixo claro, desde logo, que esta cr\u00f4nica \u00e9 fruto de pesquisa, viv\u00eancia, leitura despretensiosa de livros e ensaios. Nada de engenho e arte.<br \/>\nOs que nasceram nas d\u00e9cadas de 40 e 50 e tiveram forma\u00e7\u00e3o religiosa ou estudaram em col\u00e9gios dirigidos por pastores, irm\u00e3os, freiras, rabinos ou padres, sabem que o Deus que nos foi apresentado, na maioria das vezes, era algu\u00e9m onipotente, soberano e punia com castigo e afli\u00e7\u00f5es os que n\u00e3o seguiam os seus ensinamentos. As proibi\u00e7\u00f5es imperavam e se pecava por pensamentos, palavras, obras e omiss\u00f5es.<br \/>\nVeio a d\u00e9cada de 60 e o mundo tomou novo rumo. Surgiram os hippies, o rock, o Concilio Vaticano II, o assassinato dos Kennedys, a guerra do Vietn\u00e3, o feminismo e a inform\u00e1tica. Os homens e as mulheres estavam confusos com a libera\u00e7\u00e3o sexual, com a prolifera\u00e7\u00e3o do uso da maconha, do LSD e diante da perspectiva de um programa espacial que pretendia desvendar os mist\u00e9rios do espa\u00e7o c\u00f3smico e mostrar que A era mais forte que B.<br \/>\nEm 1966, a revista americana Time publicou mat\u00e9ria com o t\u00edtulo \u201cDeus est\u00e1 Morto\u201d? tal era o agnosticismo que parecia imperar naquela \u00e9poca. As d\u00e9cadas de 70 e 80 foram utilizadas mais para a especula\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, crescimento econ\u00f4mico e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Imaginava-se que Deus estava \u00e0 margem desse processo.<br \/>\nDe repente, surge nos anos 90, um fervor religioso com especial destaque para todas as igrejas. A A\u00e7\u00e3o Preferencial pelos Pobres e a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o cedem lugar para a Renova\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica (na Igreja Cat\u00f3lica), os mu\u00e7ulmanos se exp\u00f5em e tumultuam o nosso mundo, crescem os televangelistas nos Estados Unidos (destacando-se Pat Robertson, fundador da Coaliza\u00e7\u00e3o Crist\u00e3) e a exponencial atua\u00e7\u00e3o da Igreja Universal do Reino de Deus que, do Brasil, lan\u00e7ou tent\u00e1culos para o mundo e promove a f\u00e9 presencial e televisiva.<br \/>\nAo mesmo tempo, na R\u00fassia, num esfor\u00e7o da Prefeitura de Moscou, do Governo Sovi\u00e9tico e da igreja Ortodoxa gastaram-se 250 milh\u00f5es de d\u00f3lares reconstruindo a catedral do Cristo Salvador destru\u00edda por Stalin. Os russos voltaram a ter f\u00e9. Enquanto isso, um intelectual americano, Jack Miles, escrevia um best-seller &#8220;Deus, uma autobiografia\u201d, baseado na vers\u00e3o judaica da B\u00edblia, onde montava uma vers\u00e3o instigante sobre Deus. Agora, na Veja desta semana, outros escritores voltam a questionar e negar a Deus.<br \/>\nGeraldo Mello Mour\u00e3o, fil\u00f3sofo dos bons e pol\u00eamico por excel\u00eancia, deu o seu pitaco sobre Deus: \u2018Tudo ser\u00e1 mon\u00f3tono, menos esse Deus arteiro e impag\u00e1vel , como o entendia Rilke, que cria todos os poliedros dos dias e das noites para seus servidores e que sempre os espanta e surpreende com sua presen\u00e7a cruelmente exigente e docemente compassiva\u2019.<br \/>\nPor outro lado, crendo-se que Deus est\u00e1 vivo, ele assume uma face mais branda, menos carrancuda, passando uma linguagem onde o amor predomina e a fonte dessa nova onda \u00e9 a descoberta de uma identidade para o ser humano, baseada, talvez, em uma esp\u00e9cie de \u2018fundamentalismo\u2019 generalizado que, com muita for\u00e7a diz, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es, ora\u00e7\u00f5es e cantos, que Deus est\u00e1 vivo e no meio de n\u00f3s. 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