{"id":3522,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/homens-e-avioes-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"homens-e-avioes-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/homens-e-avioes-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"HOMENS E AVI\u00d5ES &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Nesta crise anunciada da avia\u00e7\u00e3o comercial fica claro que homens e avi\u00f5es precisam de muitos e melhores cuidados. Parece que essa certeza b\u00e1sica n\u00e3o est\u00e1 sendo considerada por seus dirigentes p\u00fablicos e privados. Desde que Santos Dumont voou em Paris em 1906, com o seu \u201c14 Bis\u201d, que o Brasil tem procurado ser uma refer\u00eancia na \u00e1rea. Na primeira metade do S\u00e9culo XX, a avia\u00e7\u00e3o era uma atividade perigosa, mas rom\u00e2ntica. At\u00e9 o escritor franc\u00eas, Antoine Sainte-Exup\u00e9ry (O Pequeno Pr\u00edncipe, Correio do Sul, Voo Noturno etc.) era piloto comercial. Exup\u00e9ry era triste, como tamb\u00e9m o eram Santos Dumont e Pinto Martins. Hoje, nada de romantismo, apenas empregos e trag\u00e9dias. Mas, os pilotos continuam tristes.<br \/>\nNa inf\u00e2ncia, convivi com pilotos \u2013 meu pai era um deles \u2013 e pude ver que eram audaciosos e imaturos. Depois, como passageiro, estive em avi\u00e3o da TAP que fez pouso for\u00e7ado, ap\u00f3s emerg\u00eancia, em Las Palmas. Nesse epis\u00f3dio, vi o descortino do comandante e tripulantes. Eles tinham uma crise e precisavam decidir. Demorou 90 minutos, mas pareceu uma vida. Agora, com o acidente do Airbus da TAM, precedido de avisos, desde a queda do avi\u00e3o da Gol no ano passado, ficou claro que os homens da avia\u00e7\u00e3o precisam ser melhor cuidados para ter calma e decidir em emerg\u00eancias. Mas, os pilotos lutam contra o desemprego (Transbrasil, Vasp e Varig demitiram) e as novas empresas s\u00e3o vorazes na maximiza\u00e7\u00e3o do uso de seus equipamentos. H\u00e1 ainda o caso dos controladores de voo. T\u00eam apenas o n\u00edvel m\u00e9dio e tr\u00eas categorias: militares (sargentos), funcion\u00e1rios p\u00fablicos civis e CLT. \u00c9 uma mistura explosiva com sal\u00e1rios diversos e lutas sindicais. Do mesmo modo, os pilotos comerciais s\u00f3 t\u00eam o segundo grau, estudam em apostilas, aprendem a voar por instrumentos e obt\u00e9m brev\u00eas de piloto em aeroclube, n\u00e3o em faculdade. Os avi\u00f5es, mantidos em terra, voam no limite, apresentam defeitos, s\u00e3o consertados por mec\u00e2nicos mal remunerados, e usam aeroportos constru\u00eddos e gerenciados por leigos, indicados por pol\u00edticos. D\u00e1 no que deu. Por que n\u00e3o entregar tudo ao ITA ou \u00e0 Embraer, que constr\u00f3i avi\u00f5es, mas n\u00e3o o do Presidente?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 29\/07\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta crise anunciada da avia\u00e7\u00e3o comercial fica claro que homens e avi\u00f5es precisam de muitos e melhores cuidados. Parece que essa certeza b\u00e1sica n\u00e3o est\u00e1 sendo considerada por seus dirigentes p\u00fablicos e privados. Desde que Santos Dumont voou em Paris em 1906, com o seu \u201c14 Bis\u201d, que o Brasil tem procurado ser uma refer\u00eancia na \u00e1rea. Na primeira metade do S\u00e9culo XX, a avia\u00e7\u00e3o era uma atividade perigosa, mas rom\u00e2ntica. At\u00e9 o escritor franc\u00eas, Antoine Sainte-Exup\u00e9ry (O Pequeno Pr\u00edncipe, Correio do Sul, Voo Noturno etc.) era piloto comercial. Exup\u00e9ry era triste, como tamb\u00e9m o eram Santos Dumont e Pinto Martins. Hoje, nada de romantismo, apenas empregos e trag\u00e9dias. Mas, os pilotos continuam tristes.<br \/>\nNa inf\u00e2ncia, convivi com pilotos \u2013 meu pai era um deles \u2013 e pude ver que eram audaciosos e imaturos. Depois, como passageiro, estive em avi\u00e3o da TAP que fez pouso for\u00e7ado, ap\u00f3s emerg\u00eancia, em Las Palmas. Nesse epis\u00f3dio, vi o descortino do comandante e tripulantes. Eles tinham uma crise e precisavam decidir. Demorou 90 minutos, mas pareceu uma vida. Agora, com o acidente do Airbus da TAM, precedido de avisos, desde a queda do avi\u00e3o da Gol no ano passado, ficou claro que os homens da avia\u00e7\u00e3o precisam ser melhor cuidados para ter calma e decidir em emerg\u00eancias. Mas, os pilotos lutam contra o desemprego (Transbrasil, Vasp e Varig demitiram) e as novas empresas s\u00e3o vorazes na maximiza\u00e7\u00e3o do uso de seus equipamentos. H\u00e1 ainda o caso dos controladores de voo. T\u00eam apenas o n\u00edvel m\u00e9dio e tr\u00eas categorias: militares (sargentos), funcion\u00e1rios p\u00fablicos civis e CLT. \u00c9 uma mistura explosiva com sal\u00e1rios diversos e lutas sindicais. Do mesmo modo, os pilotos comerciais s\u00f3 t\u00eam o segundo grau, estudam em apostilas, aprendem a voar por instrumentos e obt\u00e9m brev\u00eas de piloto em aeroclube, n\u00e3o em faculdade. 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