{"id":3525,"date":"2023-12-21T09:10:47","date_gmt":"2023-12-21T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/registros-da-vida-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:47","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:47","slug":"registros-da-vida-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/registros-da-vida-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"REGISTROS DA VIDA &#8211; Jornal O estado"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o importam a idade, o sexo, a cor, o que fa\u00e7a e o estado civil, todos v\u00e3o recebendo registros da vida ao longo dos dias. Todos v\u00e3o somando alegnas, enganos, tristezas, acertos, dores, solid\u00f5es, encontros e coisas que tais. De repente, os registros v\u00e3o povoando o esp\u00edrito, quando n\u00e3o se transmudam em somatiza\u00e7\u00f5es t\u00e3o reais que podem ser auscultadas, sentidas e vistas.<br \/>\nEsses registros s\u00e3o mais fortes na medida em que n\u00e3o sabemos o nosso limite, a hora de mudar de rumo, de n\u00e3o entender o outro como proje\u00e7\u00e3o dos nossos desejos e aceitar que promessas e juras s\u00e3o frutos de um contexto a se transformar com a lucidez ou a mudan\u00e7a de personagens. Os registros ficam t\u00eanues quando entendemos e admitimos que n\u00f3s temos todas as respostas e que a outra pessoa n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelos nossos desatinos e a indecis\u00e3o que machuca, desconforta e imobiliza.<br \/>\nNingu\u00e9m tem respostas para voc\u00ea, ningu\u00e9m sabe o tempero que nutre as suas esperan\u00e7as e a alegoria a embalar os seus sonhos. Basta de procurar explicar-se e de admitir que algu\u00e9m possa resolver os seus problemas. Mergulhe na \u00e1gua da sabedoria e saia ungido da certeza, da confian\u00e7a em si mesmo. Na medida em que voc\u00ea confia em si, os outros deixam de ser acess\u00f3rios e passam a companheiros e o compartilhamento \u00e9 o somat\u00f3rio do esfor\u00e7o comum e n\u00e3o de frustra\u00e7\u00f5es e quimeras. S\u00f3 temos a capacidade de falar por n\u00f3s mesmos e as respostas para os dilemas humanos e os nossos registros s\u00e3o singulares, n\u00e3o h\u00e1 receita pronta para isso.<br \/>\nA confian\u00e7a em si \u00e9 um pressuposto b\u00e1sico para a independ\u00eancia sem a qual n\u00e3o se pode ser livre e quem n\u00e3o \u00e9 livre n\u00e3o sabe amar. O amor-submiss\u00e3o e o amor-depend\u00eancia s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es ultrapassadas e neur\u00f3ticas a reduzir os seus participes a meros marionetes do destino. A eclos\u00e3o da independ\u00eancia e da liberdade se extravasam no amor pr\u00f3prio, na aceita\u00e7\u00e3o de si mesmo sem justificativas ou sentimento de culpa.<br \/>\nA sua singularidade \u00e9 um aviso, um balizamento para respeitar a identidade alheia e o sinal a abrir sua mente em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo que nunca ser\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo que possa fundir\u00ac-se ou confundir-se com voc\u00ea.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10\/08\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o importam a idade, o sexo, a cor, o que fa\u00e7a e o estado civil, todos v\u00e3o recebendo registros da vida ao longo dos dias. Todos v\u00e3o somando alegnas, enganos, tristezas, acertos, dores, solid\u00f5es, encontros e coisas que tais. De repente, os registros v\u00e3o povoando o esp\u00edrito, quando n\u00e3o se transmudam em somatiza\u00e7\u00f5es t\u00e3o reais que podem ser auscultadas, sentidas e vistas.<br \/>\nEsses registros s\u00e3o mais fortes na medida em que n\u00e3o sabemos o nosso limite, a hora de mudar de rumo, de n\u00e3o entender o outro como proje\u00e7\u00e3o dos nossos desejos e aceitar que promessas e juras s\u00e3o frutos de um contexto a se transformar com a lucidez ou a mudan\u00e7a de personagens. Os registros ficam t\u00eanues quando entendemos e admitimos que n\u00f3s temos todas as respostas e que a outra pessoa n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelos nossos desatinos e a indecis\u00e3o que machuca, desconforta e imobiliza.<br \/>\nNingu\u00e9m tem respostas para voc\u00ea, ningu\u00e9m sabe o tempero que nutre as suas esperan\u00e7as e a alegoria a embalar os seus sonhos. Basta de procurar explicar-se e de admitir que algu\u00e9m possa resolver os seus problemas. 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