{"id":3532,"date":"2023-12-21T09:10:48","date_gmt":"2023-12-21T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/escreva-sempre-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:48","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:48","slug":"escreva-sempre-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/escreva-sempre-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"ESCREVA, SEMPRE &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Escrevo porque me faz bem. N\u00e3o escrever \u00e9 como se faltasse algo em mim. \u00c9 preciso colocar no papel sentimentos, planos, atitudes, desejos, sonhos, amores, raivas, alegrias e desapontamentos. Dizia Fernando Pessoa que \u201ca literatura, como toda a arte, \u00e9 uma confiss\u00e3o de que a vida n\u00e3o basta\u201d. A vida \u00e9 maior do que apenas trabalhar ou amar, \u00e9 preciso mais e, para mim, esse mais consiste em viajar, ler, ver filmes e escrever.<br \/>\nN\u00e3o sei se o que escrevo \u00e9 literatura, mas como diria Pablo Neruda, \u201cescrever \u00e9 f\u00e1cil: voc\u00ea come\u00e7a com uma letra mai\u00fascula e termina com um ponto final. No meio voc\u00ea coloca ideias.\u201d Este \u00e9 que \u00e9 o problema, o meio, o recheio entre a primeira letra mai\u00fascula e o ponto final. E toda pessoa que escreve sempre sabe que precisa ler, acerta e erra, muitas vezes n\u00e3o diz coisa com coisa, mas vale. Jorge Luis Borges, poeta grande que foi ficando cego ao longo da vida, falava que \u201ccorrigir uma p\u00e1gina \u00e9 f\u00e1cil, mas escrev\u00ea-la, ah, amigo! Isso \u00e9 dif\u00edcil\u201d. A escritora Clarice Lispector, brilhante e n\u00e3o t\u00e3o lida quanto falada, dizia: \u201ceu escrevo como se fosse salvar a vida de algu\u00e9m. Provavelmente a minha pr\u00f3pria vida.\u201d \u00c9 isso mesmo, escrever vai tornando livre o que estava aprisionado ou n\u00e3o se sabia existir. Pouco a pouco, palavra a palavra, a escrita vai aparecendo e nos surpreende, pois o escrito que sai n\u00e3o \u00e9 exatamente o que se pensava. H\u00e1 uma diferen\u00e7a sutil entre o pensamento e a escrita. O pensamento vagueia, a escrita permanece e pode ter desdobramentos, volunt\u00e1rios ou n\u00e3o. Assim \u00e9 que estou sugerindo a voc\u00eas, leitores, que escrevam. N\u00e3o importa o que, tampouco a forma, se cont\u00e9m erros ou se voc\u00ea ter\u00e1 vergonha de mostrar a algu\u00e9m. Isso \u00e9 outra hist\u00f3ria. O que vale \u00e9 esconjurar os pensamentos recorrentes, aquilo que o angustia ou alegra, dando-lhe forma e sentido. Bastam uma folha de papel, um l\u00e1pis ou caneta. Ou um computador com os seus tantos recursos de corre\u00e7\u00e3o e ajustes. Deixe sair, como se voc\u00ea pr\u00f3prio psicografasse a sua mente. A mem\u00f3ria est\u00e1 al\u00e9m do nosso controle consciente. A mem\u00f3ria, se escrita, tem vida pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 02\/09\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevo porque me faz bem. N\u00e3o escrever \u00e9 como se faltasse algo em mim. \u00c9 preciso colocar no papel sentimentos, planos, atitudes, desejos, sonhos, amores, raivas, alegrias e desapontamentos. Dizia Fernando Pessoa que \u201ca literatura, como toda a arte, \u00e9 uma confiss\u00e3o de que a vida n\u00e3o basta\u201d. 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Provavelmente a minha pr\u00f3pria vida.\u201d \u00c9 isso mesmo, escrever vai tornando livre o que estava aprisionado ou n\u00e3o se sabia existir. Pouco a pouco, palavra a palavra, a escrita vai aparecendo e nos surpreende, pois o escrito que sai n\u00e3o \u00e9 exatamente o que se pensava. H\u00e1 uma diferen\u00e7a sutil entre o pensamento e a escrita. O pensamento vagueia, a escrita permanece e pode ter desdobramentos, volunt\u00e1rios ou n\u00e3o. Assim \u00e9 que estou sugerindo a voc\u00eas, leitores, que escrevam. N\u00e3o importa o que, tampouco a forma, se cont\u00e9m erros ou se voc\u00ea ter\u00e1 vergonha de mostrar a algu\u00e9m. Isso \u00e9 outra hist\u00f3ria. O que vale \u00e9 esconjurar os pensamentos recorrentes, aquilo que o angustia ou alegra, dando-lhe forma e sentido. Bastam uma folha de papel, um l\u00e1pis ou caneta. Ou um computador com os seus tantos recursos de corre\u00e7\u00e3o e ajustes. 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