{"id":3533,"date":"2023-12-21T09:10:48","date_gmt":"2023-12-21T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-independencia-somos-nos-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:48","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:48","slug":"a-independencia-somos-nos-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-independencia-somos-nos-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"A INDEPEND\u00caNCIA SOMOS N\u00d3S &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 feriado. Dia da Independ\u00eancia do Brasil, este pa\u00eds que \u00e9 nosso ch\u00e3o, nos d\u00e1 abrigo e destino. E por ser Sete de Setembro \u00e9 que me lembro da Hist\u00f3ria e, se penso bem, D. Pedro I fez mais encena\u00e7\u00e3o que demonstrou atitude. N\u00e3o me conformo com o fato de ele ter sido a pessoa que, anos ap\u00f3s a Independ\u00eancia, se tornou como D. Pedro IV, mesmo que por alguns dias, Rei de Portugal. Ora, como um pa\u00eds escolhe algu\u00e9m para Rei se, anos antes, lhe tirara a maior fonte de renda e poder? Tudo era um engodo de monarquia decadente.<br \/>\nSim, o Brasil era mera fonte de renda para Portugal, nada mais que isso. A fuga da Corte Portuguesa de Lisboa, em 1808, com medo da Fran\u00e7a de Napole\u00e3o, trouxe algum desenvolvimento ao Rio de Janeiro, onde assentaram suas malas, tomaram dos donos as melhores casas, abriram pratarias e ba\u00fas, criaram banco, imprensa e escola. Afinal precisavam de dinheiro, comunicar-se com os s\u00faditos e seus filhos e aderentes tinham que estudar. E assim o fizeram em meio ao lixo das ruas que cuidaram de mandar limpar. Passado o perigo napole\u00f4nico, seguiram o Atl\u00e2ntico e voltaram para a mesmice de todas as fam\u00edlias reais, a comida desregrada, as fofocas e o n\u00e3o fazer nada, \u201cpois trabalho \u00e9 coisa de pobre\u201d. Aqui ficaram os que deveriam mandar dinheiro para l\u00e1, para manter a pompa. At\u00e9 que a Rep\u00fablica aconteceu.<br \/>\nHoje, 185 anos depois, somos quase 190 milh\u00f5es de pessoas, das quais 45 milh\u00f5es ainda precisam do Bolsa Fam\u00edlia para ter um m\u00ednimo e n\u00e3o morrer de fome. O restante, a tal popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa de que falam os economistas, estuda, trabalha, cuida de suas fam\u00edlias, paga quatro meses e meio de impostos por ano e acredita no Brasil, este pa\u00eds que elegeu e reelegeu, sem preconceito e com alegria, Lula para Presidente. N\u00e3o, n\u00e3o estamos cansados, estamos fazendo o melhor que podemos, mas temos ainda o grave defeito de esperar milagres. N\u00e3o h\u00e1 milagres, n\u00f3s somos os milagres. Cada um de n\u00f3s, a seu modo, \u00e9 um her\u00f3i an\u00f4nimo e precisa melhorar a sua autoestima, deixar de esperar pelos outros e fazer a sua parte, sem esquecer de que honra e dignidade s\u00e3o flores que n\u00e3o murcham. N\u00e3o concordo com Lima Barreto quando dizia que \u2018o Brasil n\u00e3o tem povo, tem p\u00fablico\u2019. N\u00f3s estamos deixando de ser p\u00fablico. Agora, quer queiramos ou n\u00e3o, vamos agir como povo. A independ\u00eancia somos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07\/09\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 feriado. Dia da Independ\u00eancia do Brasil, este pa\u00eds que \u00e9 nosso ch\u00e3o, nos d\u00e1 abrigo e destino. E por ser Sete de Setembro \u00e9 que me lembro da Hist\u00f3ria e, se penso bem, D. Pedro I fez mais encena\u00e7\u00e3o que demonstrou atitude. N\u00e3o me conformo com o fato de ele ter sido a pessoa que, anos ap\u00f3s a Independ\u00eancia, se tornou como D. Pedro IV, mesmo que por alguns dias, Rei de Portugal. Ora, como um pa\u00eds escolhe algu\u00e9m para Rei se, anos antes, lhe tirara a maior fonte de renda e poder? Tudo era um engodo de monarquia decadente.<br \/>\nSim, o Brasil era mera fonte de renda para Portugal, nada mais que isso. A fuga da Corte Portuguesa de Lisboa, em 1808, com medo da Fran\u00e7a de Napole\u00e3o, trouxe algum desenvolvimento ao Rio de Janeiro, onde assentaram suas malas, tomaram dos donos as melhores casas, abriram pratarias e ba\u00fas, criaram banco, imprensa e escola. Afinal precisavam de dinheiro, comunicar-se com os s\u00faditos e seus filhos e aderentes tinham que estudar. E assim o fizeram em meio ao lixo das ruas que cuidaram de mandar limpar. Passado o perigo napole\u00f4nico, seguiram o Atl\u00e2ntico e voltaram para a mesmice de todas as fam\u00edlias reais, a comida desregrada, as fofocas e o n\u00e3o fazer nada, \u201cpois trabalho \u00e9 coisa de pobre\u201d. Aqui ficaram os que deveriam mandar dinheiro para l\u00e1, para manter a pompa. At\u00e9 que a Rep\u00fablica aconteceu.<br \/>\nHoje, 185 anos depois, somos quase 190 milh\u00f5es de pessoas, das quais 45 milh\u00f5es ainda precisam do Bolsa Fam\u00edlia para ter um m\u00ednimo e n\u00e3o morrer de fome. O restante, a tal popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa de que falam os economistas, estuda, trabalha, cuida de suas fam\u00edlias, paga quatro meses e meio de impostos por ano e acredita no Brasil, este pa\u00eds que elegeu e reelegeu, sem preconceito e com alegria, Lula para Presidente. N\u00e3o, n\u00e3o estamos cansados, estamos fazendo o melhor que podemos, mas temos ainda o grave defeito de esperar milagres. 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