{"id":3539,"date":"2023-12-21T09:10:48","date_gmt":"2023-12-21T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/va-e-volte-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:48","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:48","slug":"va-e-volte-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/va-e-volte-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"V\u00c1 E VOLTE &#8211; JORNAL O ESTADO"},"content":{"rendered":"<p>Faz tempo, muito tempo que somos amigos. Ele, mais velho, quieto ou aquietado, era estudante respons\u00e1vel e socialista-universit\u00e1rio, essa categoria natural entre os que pensavam um pouco mais que a maioria. De repente, somos colegas de turma. Eu, agitado, fazendo duas faculdades ao mesmo tempo, tamb\u00e9m mexendo com pol\u00edtica universit\u00e1ria e escrevendo em jornal. E n\u00e3o \u00e9 que sa\u00edmos da mera e circunstancial categoria de colega para a de amigo e parceiro de tantas lutas, trabalhos de natureza diversa e quase sempre \u2018para ontem\u2019.<br \/>\nE ele me convocou para ser seu padrinho de casamento e aceitei com alegria. Comprei o presente poss\u00edvel a um estudante e aguardei a data. Pois n\u00e3o \u00e9 que fiz um concurso, ganhei uma bolsa de estudo irrecus\u00e1vel e tive que viajar dias antes das bodas. Nessa \u00e9poca n\u00e3o havia Internet, tampouco celular e a comunica\u00e7\u00e3o internacional era dif\u00edcil, ruim e cara. Mas, no dia e hora, lembrei que meu amigo estava casando com a \u00fanica mulher que creio ter amado. Marido respons\u00e1vel, banc\u00e1rio concursado, administrador capaz, l\u00e1 se foi ele singrando os caminhos da vida at\u00e9 que dois filhos, s\u00e3os e bonitos, nasceram e o enterneceram, mais ainda, para todo o sempre. E eu, anos ap\u00f3s, j\u00e1 formado e \u201cem come\u00e7o de vida\u201d resolvi casar e ele foi o primeiro padrinho convidado. E assim foi feito.<br \/>\nAgora, esse meu amigo que, de forma paralela, cont\u00ednua e amistosa, sempre co-participou de minhas lutas profissionais e teve participa\u00e7\u00e3o decisiva como moderador de meus devaneios exagerados, resolve eleger prioridades pessoais e as cumpre com a discri\u00e7\u00e3o de monge e o prazer do menino peralta que nunca deve ter sido. E eis que ele atinge a idade, com tempo livre e saud\u00e1vel para convidar amigos e comemorar seu anivers\u00e1rio a bordo de um Catamar\u00e3, esse barco t\u00e3o fr\u00e1gil nos mares revoltos, que os intimados ficaram cabreiros e desistiram. Tudo bem, ele disse, fiquem por aqui que me vou \u00e0 Europa, rever o que j\u00e1 vi e caminhar passos novos em dire\u00e7\u00e3o ao que ainda n\u00e3o conhe\u00e7o. E o fez sem vangl\u00f3ria, mas ao saber-se capaz de uma auto premia\u00e7\u00e3o por ter plantado em toda sua vida v\u00ednculos de responsabilidade, afeto e benqueren\u00e7a que s\u00f3 conhecem os amigos duradouros e leais. V\u00e1 amigo Josino e leve a Creuza, sua parceira de vida, divirta-se e traga para mim um presente de volta: a certeza de que voc\u00ea est\u00e1 por perto. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28\/09\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz tempo, muito tempo que somos amigos. Ele, mais velho, quieto ou aquietado, era estudante respons\u00e1vel e socialista-universit\u00e1rio, essa categoria natural entre os que pensavam um pouco mais que a maioria. De repente, somos colegas de turma. Eu, agitado, fazendo duas faculdades ao mesmo tempo, tamb\u00e9m mexendo com pol\u00edtica universit\u00e1ria e escrevendo em jornal. E n\u00e3o \u00e9 que sa\u00edmos da mera e circunstancial categoria de colega para a de amigo e parceiro de tantas lutas, trabalhos de natureza diversa e quase sempre \u2018para ontem\u2019.<br \/>\nE ele me convocou para ser seu padrinho de casamento e aceitei com alegria. Comprei o presente poss\u00edvel a um estudante e aguardei a data. Pois n\u00e3o \u00e9 que fiz um concurso, ganhei uma bolsa de estudo irrecus\u00e1vel e tive que viajar dias antes das bodas. Nessa \u00e9poca n\u00e3o havia Internet, tampouco celular e a comunica\u00e7\u00e3o internacional era dif\u00edcil, ruim e cara. Mas, no dia e hora, lembrei que meu amigo estava casando com a \u00fanica mulher que creio ter amado. Marido respons\u00e1vel, banc\u00e1rio concursado, administrador capaz, l\u00e1 se foi ele singrando os caminhos da vida at\u00e9 que dois filhos, s\u00e3os e bonitos, nasceram e o enterneceram, mais ainda, para todo o sempre. E eu, anos ap\u00f3s, j\u00e1 formado e \u201cem come\u00e7o de vida\u201d resolvi casar e ele foi o primeiro padrinho convidado. E assim foi feito.<br \/>\nAgora, esse meu amigo que, de forma paralela, cont\u00ednua e amistosa, sempre co-participou de minhas lutas profissionais e teve participa\u00e7\u00e3o decisiva como moderador de meus devaneios exagerados, resolve eleger prioridades pessoais e as cumpre com a discri\u00e7\u00e3o de monge e o prazer do menino peralta que nunca deve ter sido. E eis que ele atinge a idade, com tempo livre e saud\u00e1vel para convidar amigos e comemorar seu anivers\u00e1rio a bordo de um Catamar\u00e3, esse barco t\u00e3o fr\u00e1gil nos mares revoltos, que os intimados ficaram cabreiros e desistiram. Tudo bem, ele disse, fiquem por aqui que me vou \u00e0 Europa, rever o que j\u00e1 vi e caminhar passos novos em dire\u00e7\u00e3o ao que ainda n\u00e3o conhe\u00e7o. E o fez sem vangl\u00f3ria, mas ao saber-se capaz de uma auto premia\u00e7\u00e3o por ter plantado em toda sua vida v\u00ednculos de responsabilidade, afeto e benqueren\u00e7a que s\u00f3 conhecem os amigos duradouros e leais. V\u00e1 amigo Josino e leve a Creuza, sua parceira de vida, divirta-se e traga para mim um presente de volta: a certeza de que voc\u00ea est\u00e1 por perto. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28\/09\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3539","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3539"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3539\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}