{"id":3546,"date":"2023-12-21T09:10:48","date_gmt":"2023-12-21T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/jorge-tufic-fortalezense-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:48","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:48","slug":"jorge-tufic-fortalezense-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/jorge-tufic-fortalezense-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"JORGE TUFIC, FORTALEZENSE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Se tudo ocorrer como esperamos, Jorge Tufic, grande poeta, t\u00e3o amplo quanto o Acre e o Amazonas reunidos, Estados onde, no primeiro, perdeu o umbigo e, no segundo, adquiriu saben\u00e7as e postou-se como profissional capaz de ter vida longa e equilibrada, receber\u00e1 nesta sexta-feira a comprova\u00e7\u00e3o efetiva da benqueren\u00e7a rec\u00edproca que, unilateralmente, destinava com seu passionalismo \u00e1rabe \u00e0 Fortaleza, esta cidade-mulher, meio vol\u00favel e inst\u00e1vel em seus humores.<br \/>\nAfinal, depois de tanto ass\u00e9dio, ela se rende aos afagos ilimitados que, por anos, lhe fez Jorge Tufic, cofiando seus vastos bigodes. E tomo dele, emprestados, versos de seu poema V\u00eanus para mostrar, pintado, o corpo de delito de sua paix\u00e3o por Fortaleza: \u201cD\u00e1-me, Apeles, o sangue dos teus dedos e as cores deste mar, espuma ardente em que V\u00eanus ressoa e se reparte entre deusas e bichos, c\u00e9us e terras, para que a louve, prostituta imensa feita de orgasmo e sol\u201d. Sim, \u00e9 linguagem de amante n\u00e3o correspondido.<br \/>\nAqui nesta terra ele assentou sua oca, deixando a gl\u00f3ria p\u00fablica, a consagra\u00e7\u00e3o e o afeto dos muitos amigos e admiradores do Estado do Acre, um prolongamento da for\u00e7a cearense fincada ao norte por Pl\u00e1cido de Castro. Deixou, igualmente, de frequentar academias, saraus e as p\u00e1ginas da imprensa amaz\u00f4nica que lhe devota respeito e admira\u00e7\u00e3o. Veio para a adusteza do Cear\u00e1, acalentado pelos ventos e os mares que o embeveceram e o tornaram, se poss\u00edvel, maior poeta do que j\u00e1 era.<br \/>\nE o fez por Destino, t\u00edtulo de um dos seus poemas em que diz: \u201cUm tear e uma aranha ponteiam meu destino. Quando o tear se esgota a aranha pega o fio e sobe.\u201d O tear do norte se esgotou e ele se enredou nos fios da aranha-fortaleza e com ela subiu, mais ainda.<br \/>\nSe tudo correr como esperamos, Jorge Tufic, este homem que fez o sol de Fortaleza mais brilhante com o esplendor do seu saber po\u00e9tico, esparramado em versos consagrados, aquilatados e premiados, neste dia de hoje, 19 de outubro, ser\u00e1 Cidad\u00e3o fortalezense.<br \/>\nCidad\u00e3o do sagrado mundo dos que deliram em versos, n\u00e3o os frutos da consci\u00eancia, mas os do saber-sentimento denso que responde a inquieta\u00e7\u00f5es de sua profundeza existencial. Receber\u00e1 esse t\u00edtulo das m\u00e3os de um vereador-m\u00e9dico, acostumado a suturas, redu\u00e7\u00f5es e ajustes nos esqueletos humanos, mas que sabe das letras e volta sempre os olhos para as almas dos que mourejam palavras. Machado Neto, Machadinho, entregar\u00e1 um s\u00e2ndalo sob a forma de pergaminho perfumado com os olores de sua amada Fortaleza.<br \/>\nE esse pergaminho de cidadania da terra de Alencar ter\u00e1, em contraponto, um ganho verdadeiro. Em troca, a cidade perder\u00e1 um am\u00e1sio e ganhar\u00e1 um filho ilustre que, quem sabe, imortalizar\u00e1 em versos essa sua nova condi\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\nE, tenho certeza, mesmo que n\u00e3o verbalize em seu agradecimento de poeta e fortalezense o amor agora correspondido, Jorge Tufic, t\u00edmido e contente, diria, com versos seus j\u00e1 escritos em Restinga\u2019s Bar: \u201cSou fr\u00e1gil, meu bem, que nada pode separar-me de ti. Teu nome \u00e9 um sonho que navega em meu sonho.\u201d<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 19\/10\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se tudo ocorrer como esperamos, Jorge Tufic, grande poeta, t\u00e3o amplo quanto o Acre e o Amazonas reunidos, Estados onde, no primeiro, perdeu o umbigo e, no segundo, adquiriu saben\u00e7as e postou-se como profissional capaz de ter vida longa e equilibrada, receber\u00e1 nesta sexta-feira a comprova\u00e7\u00e3o efetiva da benqueren\u00e7a rec\u00edproca que, unilateralmente, destinava com seu passionalismo \u00e1rabe \u00e0 Fortaleza, esta cidade-mulher, meio vol\u00favel e inst\u00e1vel em seus humores.<br \/>\nAfinal, depois de tanto ass\u00e9dio, ela se rende aos afagos ilimitados que, por anos, lhe fez Jorge Tufic, cofiando seus vastos bigodes. E tomo dele, emprestados, versos de seu poema V\u00eanus para mostrar, pintado, o corpo de delito de sua paix\u00e3o por Fortaleza: \u201cD\u00e1-me, Apeles, o sangue dos teus dedos e as cores deste mar, espuma ardente em que V\u00eanus ressoa e se reparte entre deusas e bichos, c\u00e9us e terras, para que a louve, prostituta imensa feita de orgasmo e sol\u201d. Sim, \u00e9 linguagem de amante n\u00e3o correspondido.<br \/>\nAqui nesta terra ele assentou sua oca, deixando a gl\u00f3ria p\u00fablica, a consagra\u00e7\u00e3o e o afeto dos muitos amigos e admiradores do Estado do Acre, um prolongamento da for\u00e7a cearense fincada ao norte por Pl\u00e1cido de Castro. Deixou, igualmente, de frequentar academias, saraus e as p\u00e1ginas da imprensa amaz\u00f4nica que lhe devota respeito e admira\u00e7\u00e3o. Veio para a adusteza do Cear\u00e1, acalentado pelos ventos e os mares que o embeveceram e o tornaram, se poss\u00edvel, maior poeta do que j\u00e1 era.<br \/>\nE o fez por Destino, t\u00edtulo de um dos seus poemas em que diz: \u201cUm tear e uma aranha ponteiam meu destino. Quando o tear se esgota a aranha pega o fio e sobe.\u201d O tear do norte se esgotou e ele se enredou nos fios da aranha-fortaleza e com ela subiu, mais ainda.<br \/>\nSe tudo correr como esperamos, Jorge Tufic, este homem que fez o sol de Fortaleza mais brilhante com o esplendor do seu saber po\u00e9tico, esparramado em versos consagrados, aquilatados e premiados, neste dia de hoje, 19 de outubro, ser\u00e1 Cidad\u00e3o fortalezense.<br \/>\nCidad\u00e3o do sagrado mundo dos que deliram em versos, n\u00e3o os frutos da consci\u00eancia, mas os do saber-sentimento denso que responde a inquieta\u00e7\u00f5es de sua profundeza existencial. Receber\u00e1 esse t\u00edtulo das m\u00e3os de um vereador-m\u00e9dico, acostumado a suturas, redu\u00e7\u00f5es e ajustes nos esqueletos humanos, mas que sabe das letras e volta sempre os olhos para as almas dos que mourejam palavras. Machado Neto, Machadinho, entregar\u00e1 um s\u00e2ndalo sob a forma de pergaminho perfumado com os olores de sua amada Fortaleza.<br \/>\nE esse pergaminho de cidadania da terra de Alencar ter\u00e1, em contraponto, um ganho verdadeiro. Em troca, a cidade perder\u00e1 um am\u00e1sio e ganhar\u00e1 um filho ilustre que, quem sabe, imortalizar\u00e1 em versos essa sua nova condi\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\nE, tenho certeza, mesmo que n\u00e3o verbalize em seu agradecimento de poeta e fortalezense o amor agora correspondido, Jorge Tufic, t\u00edmido e contente, diria, com versos seus j\u00e1 escritos em Restinga\u2019s Bar: \u201cSou fr\u00e1gil, meu bem, que nada pode separar-me de ti. 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