{"id":3559,"date":"2023-12-21T09:10:48","date_gmt":"2023-12-21T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cafe-do-antonio-torres-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:48","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:48","slug":"cafe-do-antonio-torres-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cafe-do-antonio-torres-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"CAF\u00c9 DO ANT\u00d4NIO TORRES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Ol\u00e1, Ant\u00f4nio Torres, estou por aqui. Assim come\u00e7ou o telefonema com esse grande escritor brasileiro, autor de 11 romances, detentor, entre outros, do Pr\u00eamio Machado de Assis, maior gl\u00f3ria concedida pela Academia Brasileira de Letras. Marcamos para andar juntos no dia seguinte. Na hora certa, des\u00e7o e ele j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1. Somos nordestinos. Ele, do Junco ou Alagoinhas, Bahia. Eu, desta Fortaleza de tantas faces. Entretanto, estamos ambos ainda aprendendo a ser cidad\u00e3os do mundo e a andar por a\u00ed afora. Atravessamos juntos a avenida vazia de carros e nos pusemos em marcha. C\u00e9leres senhores de t\u00eanis e cal\u00e7\u00f5es em busca do sol dessa manh\u00e3 escancarada. Na verdade, estou com um &#8220;short&#8221; de pijama, pois n\u00e3o encontrei o cal\u00e7\u00e3o. Pergunto a ele se algu\u00e9m vai desconfiar. Ele diz: nada, parece at\u00e9 cal\u00e7\u00e3o mesmo. Fazemos uma curva e a praia al\u00e9m j\u00e1 \u00e9 outra, sendo a mesma. O sol bate no mar e o reflexo nos encadeia um pouco. Ou seriam os corpos jovens semi-desnudos que passam ao lado, parecendo voar, mas n\u00e3o mudam a nossa prosa?<br \/>\nEstamos, acidentalmente, passando em revista a hist\u00f3ria de cada um, antes e depois do Plano Collor. Temos lembran\u00e7as e lamban\u00e7as a contar do que sofremos com o &#8216;cinquentinha&#8217; que amanheceu dispon\u00edvel naquele dia aziago. E, a cada passo, vamos nos mostrando por inteiro, como devem fazer os amigos e digo da felicidade de t\u00ea-lo visto na capa de O Globo como em\u00e9rito escritor que \u00e9, julgando os que almejam ser ou j\u00e1 o s\u00e3o.<br \/>\nSuados, cruzamos, sentido contr\u00e1rio, a avenida e l\u00e1 vamos nos enfurnar, do jeito que est\u00e1vamos, em uma livraria. Entramos em territ\u00f3rio dele. Um amor de Caf\u00e9 que leva o seu nome. Com balc\u00e3o, mesas e cadeiras decorados com esmero, uma carinhosa logomarca feita pelo Ziraldo e placa met\u00e1lica registrando a data de sua abertura, no ano de 2003. Deixamos que part\u00edculas de H20 diminuam o desgaste das andan\u00e7as quilom\u00e9tricas e ele, n\u00e3o contente apenas com o reencontro, mima-me com seu \u00faltimo livro de cr\u00f4nicas, &#8220;Sobre Pessoas&#8221;. Lisonjeado, come\u00e7o a folhe\u00e1-lo.<br \/>\nVejo, alegre, ser o livro dedicado a umas poucas pessoas. Entre elas,<br \/>\nCarlos Augusto Viana, La\u00e9ria Fontenele e S\u00e9rgio Braga. Agora, j\u00e1 estamos tomando o caf\u00e9 da manh\u00e3, repondo, com sobra, calorias perdidas. Conversamos at\u00e9 sobre Machado de Assis e Capistrano de Abreu, enquanto p\u00e3es, queijo e sucos juntam-se \u00e0 negritude do caf\u00e9 que me energiza para tentar, sem \u00eaxito, falar com S\u00e9rgio Braga e Carlos Augusto. Finda o caf\u00e9, o sol, j\u00e1 zenital, nos remete de volta \u00e0 praia e \u00e0 \u00e1gua de coco, enquanto procuro os amigos citados. Por milagre, Carlos Augusto atende com voz de bar\u00edtono matutino, trocamos prosa e repasso o celular para o Ant\u00f4nio Torres, sem esquecer de olhar o Drummond em bronze, sentado, que parece dizer: &#8220;Lutar com a palavra \u00e9 a luta mais v\u00e3, no entanto, lutamos mal rompe a manh\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14\/12\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1, Ant\u00f4nio Torres, estou por aqui. Assim come\u00e7ou o telefonema com esse grande escritor brasileiro, autor de 11 romances, detentor, entre outros, do Pr\u00eamio Machado de Assis, maior gl\u00f3ria concedida pela Academia Brasileira de Letras. Marcamos para andar juntos no dia seguinte. Na hora certa, des\u00e7o e ele j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1. Somos nordestinos. Ele, do Junco ou Alagoinhas, Bahia. Eu, desta Fortaleza de tantas faces. Entretanto, estamos ambos ainda aprendendo a ser cidad\u00e3os do mundo e a andar por a\u00ed afora. Atravessamos juntos a avenida vazia de carros e nos pusemos em marcha. C\u00e9leres senhores de t\u00eanis e cal\u00e7\u00f5es em busca do sol dessa manh\u00e3 escancarada. Na verdade, estou com um &#8220;short&#8221; de pijama, pois n\u00e3o encontrei o cal\u00e7\u00e3o. Pergunto a ele se algu\u00e9m vai desconfiar. Ele diz: nada, parece at\u00e9 cal\u00e7\u00e3o mesmo. Fazemos uma curva e a praia al\u00e9m j\u00e1 \u00e9 outra, sendo a mesma. O sol bate no mar e o reflexo nos encadeia um pouco. Ou seriam os corpos jovens semi-desnudos que passam ao lado, parecendo voar, mas n\u00e3o mudam a nossa prosa?<br \/>\nEstamos, acidentalmente, passando em revista a hist\u00f3ria de cada um, antes e depois do Plano Collor. Temos lembran\u00e7as e lamban\u00e7as a contar do que sofremos com o &#8216;cinquentinha&#8217; que amanheceu dispon\u00edvel naquele dia aziago. E, a cada passo, vamos nos mostrando por inteiro, como devem fazer os amigos e digo da felicidade de t\u00ea-lo visto na capa de O Globo como em\u00e9rito escritor que \u00e9, julgando os que almejam ser ou j\u00e1 o s\u00e3o.<br \/>\nSuados, cruzamos, sentido contr\u00e1rio, a avenida e l\u00e1 vamos nos enfurnar, do jeito que est\u00e1vamos, em uma livraria. Entramos em territ\u00f3rio dele. Um amor de Caf\u00e9 que leva o seu nome. Com balc\u00e3o, mesas e cadeiras decorados com esmero, uma carinhosa logomarca feita pelo Ziraldo e placa met\u00e1lica registrando a data de sua abertura, no ano de 2003. Deixamos que part\u00edculas de H20 diminuam o desgaste das andan\u00e7as quilom\u00e9tricas e ele, n\u00e3o contente apenas com o reencontro, mima-me com seu \u00faltimo livro de cr\u00f4nicas, &#8220;Sobre Pessoas&#8221;. Lisonjeado, come\u00e7o a folhe\u00e1-lo.<br \/>\nVejo, alegre, ser o livro dedicado a umas poucas pessoas. Entre elas,<br \/>\nCarlos Augusto Viana, La\u00e9ria Fontenele e S\u00e9rgio Braga. Agora, j\u00e1 estamos tomando o caf\u00e9 da manh\u00e3, repondo, com sobra, calorias perdidas. Conversamos at\u00e9 sobre Machado de Assis e Capistrano de Abreu, enquanto p\u00e3es, queijo e sucos juntam-se \u00e0 negritude do caf\u00e9 que me energiza para tentar, sem \u00eaxito, falar com S\u00e9rgio Braga e Carlos Augusto. Finda o caf\u00e9, o sol, j\u00e1 zenital, nos remete de volta \u00e0 praia e \u00e0 \u00e1gua de coco, enquanto procuro os amigos citados. Por milagre, Carlos Augusto atende com voz de bar\u00edtono matutino, trocamos prosa e repasso o celular para o Ant\u00f4nio Torres, sem esquecer de olhar o Drummond em bronze, sentado, que parece dizer: &#8220;Lutar com a palavra \u00e9 a luta mais v\u00e3, no entanto, lutamos mal rompe a manh\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14\/12\/2007.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3559","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3559"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3559\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}